

















 Cativa do corao
  Captive in his bed
  Sandra Marton
  Irmos Knight 2


   - Vamos fazer isso da forma mais difcil. Vista-se. E rpido. Quero acabar logo com essa histria. No tenho o dia todo.
   - Vou me vestir. Espere l fora.
   - Boa tentativa, mas no vai funcionar.
   - No vou me vestir com voc aqui.
   - Sim, voc vai.
   Mia Palmieri recuou, mas a parede estava atrs dela. Com os olhos presos aos da jovem, Matthew Knight pegou a faixa do roupo. Ela lhe deu um tapa. O ex-agente
agarrou-lhe os pulsos e, com uma das mos, puxou os braos de Mia para que ficassem acima da cabea. A jovem gritaria a qualquer segundo, e ele sabia disso.
   - Se emitir um som, vai se arrepender - resmungou Matt.
   - Me deixe ir!
   Knight a silenciou da nica forma que podia, com os prprios lbios...
   
   PRLOGO
   
   No alto das montanhas da Colmbia
   
   A floresta era sombria.
   O nico som era o rudo da cachoeira. A lua havia nascido: um globo opulento, de marfim, que parecia suspenso sobre os galhos frondosos das rvores. A luz da 
lua iluminava a clareira e a piscina natural. Iluminava Mia, nua sob o vu lquido espumante da cachoeira.
   Ele permanecia perto da clareira, observando-a e procurando bem fundo dentro de si a disciplina por meio da qual regrara sua vida. Mas esse era o problema. No 
tinha disciplina quando o assunto era aquela mulher. Procurara por Mia e a encontrara. Depois, ele a perdera.
   Agora, a capturara. Mia era dele... no, no era. Ela deixara isso claro. O abandonara por causa de outro. Um homem que a quisera de volta mesmo depois de ter 
dito que a moa o trara.
   Ento, por que iria quer-la? Matthew questionara isso no incio. Era uma pergunta honesta. Entendia que a mulher era bonita - o homem lhe mostrara uma fotografia 
dela. Porm, o mundo estava repleto de mulheres belas. O que fazia com que essa fosse to especial?
   O homem ficara embaraado. Soltara uma risadinha e dissera que a queria de volta porque Mia era mais do que bonita. Era tudo que um homem poderia querer.
   Matthew sentiu o corpo agitar-se. No era verdade. Mia no era tudo que um homem poderia querer. Era mais. Sabia disso agora porque, por um momento, a moa lhe 
pertencera. Ela era a reencarnao de Eva, Jezebel, Lilith. Podia ser mais impetuosa do que os relmpagos de vero que riscavam o cu quente ou to suave e gentil 
como a chuva de primavera.
   Bastava observ-la para atiar a alma de um homem. O rosto era oval, os olhos, escuros e negros, acima de um nariz aristocrtico e uma boca feita para o pecado. 
Os cabelos eram longos e escuros como o caf, caindo pelas costas em cachos que imploravam pelo toque de Matthew.
   Mia era alta e esbelta, mas os seios eram bem arredondados e fartos. O rapaz ficou com a respirao alterada s de pensar em toc-los.
   E as pernas... as pernas dela eram prprias para se enroscarem na cintura de um homem. Matthew ainda podia se lembrar de senti-las quando acariciou-lhe as coxas 
e mergulhou fundo naquele calor.
   Matthew estremeceu. Deus, estava perdendo a cabea? Quem era Mia Palmieri? O que ela era? Era a mulher dele ou de Hamilton? Ser que tudo fora um jogo?
   Tudo que Matthew sabia agora era que aquela mulher era uma tentao. Entretanto, ele era um guerreiro.
   Mia girou na direo dele. Matthew manteve-se firme. Ela no podia v-lo. Ele permanecia vestido de preto, o tipo de roupa que usava em manobras noturnas nas 
Foras Especiais e, depois, no Servio Secreto. Sabia que, assim, se misturava s sombras da floresta.
   Ser que, de alguma forma, a moa sentiu a presena dele? E por isso inclinava a cabea para trs, erguendo o rosto para a cortina d'gua? Por que levantava as 
mos, levando-as aos seios como se estivesse oferecendo a si mesma aos deuses?
   Oferecendo-se a Matthew? Estava duro como uma rocha. To duro que machucava. Urna vez, prometera lev-la de volta ao homem que o mandara ali para encontr-la. 
Hoje  noite, a nica promessa era a si mesmo.
   Lentamente, Matthew caminhou em direo  rea iluminada pela luz da lua que cobria a pequena clareira. O rapaz esperou, os msculos tensos, desejando que a moa 
voltasse a olhar na direo dele. Por qu? Por que no apenas gritar e deixar que a jovem soubesse que ele estava ali?
   A resposta foi um sussurro frio na cabea do rapaz. Matthew queria ver o que a srta. Palmieri faria quando o avistasse. Ser que correria na direo dele? Ser 
que se jogaria naqueles braos msculos? Se fizesse isso... Deus, se Mia fizesse isso...
   Mas no fez. A reao dela foi como um soco no estmago. Mia abriu bem os olhos. Os lbios se entreabriram em uma pequena exclamao de surpresa.
   Lanou um dos braos sobre os selos e o outro sobre o delta feminino, em um antigo gesto de timidez.
   Matthew sabia muito bem que aquilo era um simples reflexo e nada mais, sabia que tinha todas as respostas necessrias... As respostas que no queria reconhecer.
   - No - Mia disse.
   Ele no podia ouvir aquela palavra, mas conseguia ver a boca da jovem formando-a.
   - No - Mia voltou a dizer, e Matthew sentiu uma torrente de adrenalina percorrer-lhe o corpo.
   Ele esboou um sorriso tpico de predador. Ento, descalou os tnis, tirou a camisa, puxando-a pela cabea, abriu o zper das calas e livrou-se delas.
   Em seguida, Matthew permaneceu parado, deixando que Mia visse o tamanho de sua excitao. Ento, mergulhou na piscina da selva sombria e foi a seu encontro.
   
   
   CAPTULO UM
   
   Cartagena, Colmbia, duas semanas antes.
   Matthew Knight estava sentado  mesa, do lado de fora do Caf Esmeralda, bebendo cerveja e perguntando a si mesmo o que fazia em Cartagena.
   Anos atrs, Matthew teria sado dali e prometido que nunca retornaria. J estivera naquela cafeteria antes, quela mesa. Provavelmente, naquela mesma cadeira, 
de costas para a parede. E os olhos vasculhando a praa cheia, tentando avistar algum problema antes que fosse atingido por um.
   Era difcil livrar-se dos velhos hbitos, assim como das lembranas que o acordavam no meio da noite. Melhor no pensar nisso agora.
   Estava quente. Mas sempre fizera calor em Cartagena. Nada mudara. Os cheiros, o trnsito. At mesmo a multido apinhada na praa. Soldados, polcia, turistas 
carregados de jias, carteiras e telefones celulares para manter os gatunos felizes...
   Um homem tinha de ser cuidadoso em Cartagena. Knight soubera disso desde a primeira vez. Imaginara-se muito bom nisso, mas se fosse bom... Droga. O passado estava 
morto. Assim como Alita.
   Matthew bebeu a ltima gota de cerveja da garrafa. Agora, estava ali como um civil, no como um agente do Servio Secreto onde o preto era branco e o branco era 
preto, e nada significava o que parecia ser.
   Aos 31 anos, Knight estava em sua plenitude. Corpo rgido, 1,93m de altura. A estrutura ssea talhada devido ao fato de a me ser uma mestia da tribo indgena 
Comanche. E os olhos verde-esmeralda do pai texano. Uma cicatriz feita com uma navalha em uma das mas do rosto, recordao de uma noite de inverno em Moscou quando 
um rebelde checheno tentou mat-lo.
   As mulheres enlouqueciam com aquela cicatriz. Alm disso, ele era rico. Nem um centavo sequer viera do velho pai, que passara anos ignorando-o.  exceo de quando 
dizia que o filho nunca conseguiria nada.
   O que fez de Matthew um homem rico fora a Knight, Knight & Knight: Especialistas em Gerenciamento de Risco, a empresa que havia fundado com os irmos. Com um 
ano de diferena entre cada um, compartilhavam da mesma rdua histria.
   Uma me que morrera quando os filhos ainda eram pequenos. Um pai vido pelo poder. Rebelio juvenil, alguns semestres na faculdade; as Foras Especiais e o Servio 
Secreto. A vida se tornara pura adrenalina. Perigo e mulheres bonitas passaram a ser as drogas de Matthew, embora as mulheres nunca durassem muito. Um guerreiro 
jamais deixava que as emoes o controlassem.
   - Outra cerveja, senhor?
   Matthew ergueu o olhar e acenou com a cabea, concordando. A cerveja era a nica coisa que o ex-agente apreciava em Cartagena. H cinco anos, o Servio Secreto 
o havia tornado parceiro de uma agente do Departamento Antidrogas e os enviara para que se infiltrassem em um cartel. De acordo com o disfarce, ambos eram amantes, 
em busca de algum dinheiro para que pudessem se estabelecer. Apesar de no terem nada um com o outro, Alita gostava de provoc-lo.
   Algum os traiu. Quatro homens armados os agarraram na rua e os levaram de carro at um barraco caindo aos pedaos, na selva. Bateram em Matthew at perdesse 
a conscincia. Quando recobrou os sentidos, Knight e Alita estavam amarrados a cadeiras.
   - Agora voc vai aprender como um homem d prazer a uma mulher, gringo, um dos seqestradores disse, fazendo com que os quatro cassem na risada.
   Alita demonstrou uma coragem tpica de uma leoa. Matthew tentou se desvencilhar das cordas que o amarravam, mas estava impotente e no conseguiu impedir o que 
aconteceu.
   Quando acabou, dois dos assassinos arrastaram o corpo de Alita para fora do barraco. O terceiro homem foi com os outros, dizendo que precisava urinar depois 
de tanto trabalho.
   Um bandido ficou para vigiar Matt. Sorrindo, disse que ia se preparar para a prxima rodada de diverso. O homem estava abaixado sobre duas trouxinhas de p branco 
quando, finalmente, Matt conseguiu libertar os pulsos.                                                        
   - Ei, amigo - disse.
   O homem virou-se e veio em sua direo. Em um m instante, Matthew colocou uma das mos sobre a boca do bandido e um dos braos em torno do pescoo do colombiano. 
Uma rpida toro e o vigia estava morto.
   Matt matou dois dos outros com a arma do que morrera, mas apenas feriu o quarto bandido. O sujeito correu em direo  selva. Bom, Matthew pensou, friamente. 
Um jaguar faria a festa com a carne daquele homem antes que o dia terminasse.
   Matthew tinha outras providncias a tomar. Como, por exemplo, enterrar Alita. Era uma tarefa rdua. No apenas porque era difcil cavar um tmulo na terra fecunda, 
mas porque os olhos se mantinham embaados devido s lgrimas.
   Ali em p, no tmulo da moa, jurou vingar a sua morte. Voltou a Cartagena, dirigindo o carro dos seqestradores. Depois, seguiu para Bogot. Na embaixada-fantasma 
o interrogaram, lamentaram o ocorrido... E lhe disseram que no haveria nenhuma busca pelo assassino que escapara. Quando Knight exigiu explicaes, o chefe dele 
o mandou de volta para Washington.
   Cam e Alex tambm no tiveram sorte melhor na capital americana. Junto a uma garrafa de usque, os irmos compartilhavam a desiluso relacionada ao Servio Secreto.
   Foi assim que surgiu a empresa especializada em Gerenciamento de Risco. Com base em Dallas, os Knight ofereciam aos seus clientes solues para problemas difceis 
- solues que eram sempre morais se no fossem exatamente legais.
   O Servio Secreto e a Colmbia haviam se tornado lembranas... At agora. At o pai de Matthew lhe pedir, como um favor, que se encontrasse com um velho amigo 
que estava com um problema.
   Avery pedindo um favor? As coisas mudaram desde que Cam ficara frente a frente com a morte. Matt no confiava por completo na mudana. Ainda assim, concordara 
com o encontro. Escutaria o problema do sujeito, talvez oferecesse algum conselho. No aceitaria de jeito nenhum algo que o mantivesse...
   Um homem vinha em sua direo. Matt notou as feies salientes. Norte-americano. Na faixa dos 40 anos. Boa forma fsica. Sem dvida, militar, embora estivesse 
em trajes civis.
   - Matthew Knight?
   Matt levantou-se e estendeu-lhe uma das mos, dizendo:
   - Sim.
   - Douglas Hamilton. Desculpe, estou atrasado.
   - Sem problemas, sr. Hamilton.
   - Coronel. Sou do Exrcito dos Estados Unidos. Seu pai no lhe contou?
   Matt fez um sinal para que Hamilton se sentasse. Em seguida, acenou para o garom, pedindo mais duas cervejas.
   - Meu pai no me disse nada exceto que o senhor e ele so antigos companheiros.
   - Na verdade, a amizade era entre seu pai e o meu. O garom colocou duas garrafas geladas em cima da mesa. Hamilton ignorou a dele e perguntou:
   - Como est Avery?
   - Bem - Matt respondeu. E perguntava a si mesmo por que, de cara, no gostara de Hamilton.
   - Quero agradecer-lhe por ter vindo aqui to rpido, sr. Knight. Tirar partido de uma amizade  algo presunoso, mas eu precisava de uma forma de chegar at voc.
   Hamilton fez uma pausa e continuou:
   - Voc e sua empresa tm boa reputao.
   - Podia ter telefonado. Estamos no catlogo.
   - No poderia discutir isso por telefone.
   - Discutir o qu?
   - Vamos direto ao assunto. Gosto disso. Trata-se de minha noiva. Receio que ela tenha cometido alguma imprudncia.
   - Coronel, presumo que tenha compreendido mal o que nossa agncia faz. No sou investigador profissional. No lido com problemas pessoais.
   - Sei disso. O que estou prestes a lhe contar deve ser mantido em sigilo.
   A noiva de Hamilton dormira com outro homem. Isso certamente seria considerado "imprudncia". Ser que o coronel pensava que podia contratar um criminoso para 
matar algum? Algumas pessoas tinham vindo at a empresa de Gerenciamento de Risco com pedidos semelhantes, mas homicdio no estava na lista de servios dos trs 
irmos.
   - Minha noiva se envolveu em...
   - Um romance com outro homem?
   O coronel soltou uma risada e respondeu:
   - Adoraria que fosse uma coisa to simples. Hamilton hesitou. Ento, aproximou-se e disse:
   - Trfico de drogas. Matthew piscou.
   - Ela contrabandeou...
   - Cocana. Como sabe, o correio diplomtico no  alvo de investigao para a alfndega. Mia usou meus privilgios na embaixada para enviar cocana para os Estados 
Unidos.
   Matthew fitou o homem. Era demais para aceitar.
   - Ela  usuria?
   - No at onde eu saiba.
   - Ento, por que fez isso?
   - Por dinheiro, acho. Muito dinheiro.
   - O que aconteceu ao ser capturada?
   - No foi. No pelas autoridades. Fui informado antes sobre o que Mia fizera.
   - Algum que lhe devia.
   - Pode colocar as coisas dessa forma, se quiser. A questo : cuidei disso.
   Em outras palavras, o coronel recorreu  considervel influncia que tinha para abafar o incidente.
   - Contei a Mia. Pensei que minha noiva seria grata. Em vez disso, ela ficou horrorizada. E disse que as pessoas, a quem a cocana pertencia, pensariam ter sido 
enganadas e viriam atrs dela.
   - Bem,  provvel que sua noiva esteja certa.
   - Eu lhe disse que estaria segura, sob a minha proteo, mas ela no acreditou. Isso foi h quatro dias. Ontem, Mia desapareceu.
   - Seqestrada?
   - Talvez. Ou ento fugiu. De qualquer forma, Mia est correndo perigo.
   - O senhor pediu ajuda s autoridades?
   - No posso. Teria que lhes contar a histria toda. Isso comprometeria Mia...
   - Comprometeria o senhor tambm.
   O coronel no respondeu. No tinha de fazer isso. Depois de um minuto, Matt fez um gesto com a cabea, concordando.
   - Entendo seu problema, coronel. Porm, no entendo como pensa que posso ajud-lo.
   - Pode encontr-la.
   - Isso est fora de questo.
   - Conhece este pas.
   - E o senhor parece saber muito a meu respeito. Em vez de responder, Hamilton tirou uma foto do bolso e a colocou em cima da mesa, dizendo:
   - Essa  Mia.
   Relutante, Matthew pegou a foto e a olhou. Esperava que a noiva do coronel fosse atraente. Um homem como aquele no teria uma mulher que no fosse bonita. Mia 
Palmieri tinha o tipo de rosto e de corpo que servia de inspirao a pintores e escultores.
   A foto fora tirada na praia em um dia de vento. Os cachos negros da cabeleira sensual cobriam o top. A moa usava shorts que revelavam pernas longas. Os olhos 
eram grandes e escuros, as mas do rosto pontiagudas e a boca era feita para o pecado.
   - Muito atraente - Matthew comentou.
   -  bonita. Mais do que bonita.  tudo que um homem pode querer... e eu a quero de volta.
   - V s autoridades.
   - Acabei de lhe dizer...
   - No pode. Sim. O senhor me disse. E eu estou lhe dizendo...
   - Mia est envolvida com o cartel Rosrio. Esse nome lhe diz alguma coisa, sr. Knight?
   - Por que diria?
   - Chequei seu passado. Conheo a histria. Perdeu uma parceira. Pode deixar de interferir e deixar que eu perca minha noiva para as mesmas pessoas?
   Uma rajada de vento bateu na foto que Matthew deixara em cima da mesa. O ex-agente a pegou e voltou a olh-la.
   - Por que sua noiva tentou traficar cocana?
   - J disse, no sei.
   - Disse que foi por dinheiro.
   - Ento, por que est me perguntando novamente?
   - Talvez tenha sido por excitao, prazer.
   - Que importncia tem? Mia fez isso, e agora...
   - Talvez tenha feito para o senhor. Talvez seja a pessoa que est por trs do contrabando. Ou talvez sua noiva quisesse cair fora do relacionamento e, por isso, 
partiu.
   - Est me acusando?
   - Estou dizendo que, se eu comear a revirar essa histria, posso encontrar muita coisa.
   - Ento, faa isso.
   Matthew olhou a foto. Desejava que a foto tivesse sido tirada mais de perto. Havia algo nos olhos de Mia Palmieri...
   - Quem foi que a viu pela ltima vez?
   - Minha cozinheira. Ela levou o almoo de Mia at a piscina. Quando voltou para pegar a bandeja, o porto dos fundos estava aberto e minha noiva tinha ido embora.
   - Quero falar com a cozinheira e cornos outros empregados.
   - Obrigado, sr. Knight.
   - No me agradea at que eu traga sua noiva de volta, coronel.
   Matthew olhou para o relgio e comentou:
   - Aluguei uma caminhonete. Qual  o seu endereo?
   Hamilton deu o nome de uma rua em um dos bairros mais caros de Cartagena. Matt acenou com a cabea, concordando, e disse:
   - Vou encontr-lo l.
   Dentro do Escalade, o ex-agente pegou a foto, colocou-a em cima do volante e fitou Mia Palmieri. A moa no parecia uma traficante de drogas. Porm, os anos em 
que Matt passou no Servio Secreto lhe ensinaram que o velho ditado era verdadeiro. No se pode julgar pelas aparncias.
   Ainda assim, havia algo nos olhos dela... Matt fitou a foto por um longo minuto. Por razes que no compreendia, o ex-agente passou um dos polegares pelos lbios 
entreabertos de Mia. Ento, virou a chave, ligando o motor, deu uma guinada de 180 graus e dirigiu-se s colinas.
   
   A centenas de quilmetros de distncia, em um quarto de hotel nos Andes, Mia Palmieri se levantava de um sono agitado. Algo tocara os lbios dela.
   Com o corao disparado, a moa tocou a prpria boca. No havia nada ali. Mia soltou uma risadinha. A brisa. Era isso. Apenas a brisa vinda da janela.
   A moa trancara a porta, colocara uma cadeira embaixo da maaneta, mas deixara a janela aberta. O quarto ficava no segundo andar. Era bastante seguro.
   Um minuto se arrastou. Ento, a jovem afastou as cobertas, foi at a janela, fechou-a e trancou-a. "Melhor", pensou. Mesmo assim, ainda levou mais de uma hora 
at que voltasse a dormir, retomando o sono agitado.
   
   
   CAPTULO DOIS
   
   Onde estava Mia Palmieri?
   Teria fugido ou sido seqestrada? Quando algum se envolve com traficantes, brinca com fogo. E isso levava  pergunta seguinte.
   Por que a moa teria concordado em contrabandear narcticos? O dinheiro podia ser alto, porm, os riscos tambm eram. Principalmente da forma como a jovem agira. 
Ao usar o correio da embaixada, Mia colocara em perigo no apenas a si mesma, mas tambm o noivo. Hamilton tinha uma carreira brilhante no Exrcito.
   Por que Mia comprometeria o prprio futuro e o do noivo por algo to arriscado? Matthew tinha as perguntas. Agora, precisava das respostas que, algumas horas 
depois, comeariam a aparecer aos poucos.
   A casa de Hamilton no apenas era cara, mas tambm bem guardada. Porm, isso no era incomum naquela parte do mundo. Um muro com arame farpado rodeava a casa. 
Um porto eletrnico. Um canil sugeria que, ao menos, um co de guarda rondava a propriedade, provavelmente  noite.
   Matthew se identificou ao porto e, ento, entrou. O coronel o cumprimentou e, a pedido do ex-agente, o conduziu por salas elegantes.
   - Mia adorava essa casa - o coronel disse.
   O relacionamento entre Hamilton e a noiva no era normal. No de acordo com os padres de Matthew. Se uma mulher parecida com Mia Palmieri fizesse parte da vida 
de Knight, o ex-agente teria passado as noites com a jovem em seus braos.
   No agiria como o coronel. Hamilton e a noiva no dividiam o mesmo quarto. Os aposentos de ambos nem mesmo eram interligados. De fato, o da jovem ficava em uma 
parte da casa e o do coronel, em outra.
   - No dormem juntos?
   - No  da sua conta.
   - Tudo  da minha conta agora. V se acostumando com isso, coronel.
   - Dormamos juntos, claro. Mas Mia insistiu em ter o prprio quarto.
   - Por qu? E, por favor, coronel, no desperdice meu tempo me dizendo que sua noiva queria privacidade.
   - Mia  boa em conseguir o que quer por meio do sexo.
   - E o que a srta. Palmieri queria do senhor, coronel?
   Knight sabia que a pergunta era cruel, mas tambm deliberada. O ex- agente queria ver a reao de Hamilton.
   - Nada em particular. Mia apenas pensava que isso lhe dava o controle da situao - o coronel explicou.
   - E funcionou. Sua noiva contrabandeou cocana bem embaixo do seu nariz - Matt afirmou.
   - Mas no deixei que a droga chegasse ao destino final. Eu lhe disse isso.
   - No. Mas tambm no deixou que a srta. Palmieri arcasse com as conseqncias.
   - No sinto orgulho da minha fraqueza em relao a Mia, mas eu a amo. E a quero de volta.
   A cozinheira confirmou que dava a impresso de Mia ter desaparecido no ar. No houve barulho de luta, nenhuma espreguiadeira cada no cho, nada.
   Alguma outra coisa?
   - Sim - disse a cozinheira aps alguns segundos. - A senhorita no comeu nada. A nica coisa que faltava na bandeja era uma garrafa de gua.
   Matthew achou aquele dado interessante. Seria possvel que uma mulher seqestrada, sem evidncia de luta, tivesse a chance de levar uma garrafa de gua consigo?
   - Havia mais algum trabalhando na casa naquele dia?
   - No, senhor - respondeu a cozinheira, enftica. Ento, fez uma pausa e lembrou-se que o rapaz da piscina estivera l. Mas, quando a senhorita desapareceu, o 
sujeito j tinha ido para a casa ao lado.
   Matt seguiu as pistas e encontrou o jovem. Levou alguns minutos. Mas, finalmente, o rapaz lembrou-se de ter visto um txi passar, talvez se dirigindo  casa do 
coronel.
   O ex-agente foi at a cidade. Parou em um hotel, pegou a lista das empresas de txi e teve sorte na terceira tentativa. Por dez dlares, o despachante lembrou 
que havia mandado um txi para o endereo de Hamilton no dia em que Mia desapareceu. Por cinqenta dlares, Matt conseguiu o pacote completo: um encontro com o motorista 
que olhou para a foto de Mia e disse que se lembrava da senhorita. O taxista a levara a uma agncia de automveis.
   A atendente da agncia de automveis lembrava-se da senhorita tambm. A jovem pedira informaes para chegar a Bogot. A atendente tentara convenc-la a desistir 
da viagem. Era um longo caminho - 15, 16 horas. E perigoso tambm, principalmente para uma estrangeira. Mas Mia insistira e a atendente indicara o caminho no mapa. 
"A rota menor", a moa enfatizara. Ao menos, a senhorita fora astuta e concordara com o caminho mais curto.
   Meia hora depois, Matt estava saindo da cidade, mas no pela estrada que Mia deveria ter tomado. At ento, o ex-agente estava certo de que a srta. Palmieri fugira. 
A pergunta era: por qu?
   Havia apenas duas razes lgicas. A primeira era que a jovem estava fugindo do cartel porque as drogas que deveriam ter sido contrabandeadas por ela no haviam 
chegado a seu destino. Isso no os teria deixado felizes.
   A segunda razo era que a moa estava tentando no ser capturada porque escondera a cocana. Isso tambm no teria deixado o pessoal do cartel feliz. No era 
do estilo deles eliminar o intermedirio.
   Era a nica explicao lgica, Uma mulher fugindo, tanto do namorado quanto de um bando de assassinos, teria tomado o primeiro avio. Uma mulher fugindo com cocana 
roubada poderia muito bem tentar despistar qualquer rastro, dirigindo at as montanhas.
   Pela rota que a moa havia tomado... Das vezes que estivera fugindo, Matt lanara pistas falsas. Talvez a forma de Mia despistar tenha sido dizer que tomaria 
o caminho mais curto. O ex-agente teria feito isso se estivesse no lugar da srta. Palmieri. Ento, Matt decidiu seguir a prpria intuio e tomar o caminho mais 
longo at Bogot.
   A estrada era rudimentar e o trfego, quase inexistente. Assim, o ex-agente fez o percurso em um bom tempo. Em Cartagena, Knight pegara uma garrafa trmica de 
caf e alguns sanduches. Quando escureceu, saiu da estrada preparou seu jantar improvisado. Estava cansado, no conseguia lembrar-se da ltima vez em que dormira 
ou tivera uma verdadeira refeio. Porm, Mia estava com uma vantagem significativa e Knight tinha de ganhar tempo.
   Matt parou em cada uma das cidades, checou nos postos de gasolina e nas hospedagens, descreveu o carro da jovem e mostrou a foto da srta. Palmieri. Ningum a 
vira. Algumas horas antes do amanhecer, Knight dirigiu at uma estrada de terra, estacionando o carro embaixo de um arvoredo. O ex-agente certificou-se de que as 
janelas estavam trancadas, ligou o ar-condicionado e dormiu. No colo, a pistola automtica de nove milmetros que o americano sempre carregava consigo.
   Quando o sol nasceu, Matt estava de volta  estrada, dirigindo devagar pelas ruas de outra cidade... E avistou o carro alugado por Mia do lado de fora de um hotel 
que j tinha visto dias melhores.
   Matthew se dirigiu a um pequeno pedao de terra, que se passava por estacionamento, e entrou. O rapaz tocou a campainha que ficava em cima do balco da recepo. 
Depois de um minuto, uma porta se abriu e um sujeito se encaminhou na direo dele - o cabelo caindo nos olhos, a camisa meio abotoada, o rosto contorcido por um 
bocejo gigantesco. O senhor queria um quarto?
   - Tenho uma reserva - disse Matt.
   O ex-agente queria dizer que j tinha feito uma reserva. Ao menos, a namorada dele tinha, Matt disse e colocou uma foto de Mia em cima do balco. O problema era 
que ele no conseguia se lembrar do nmero do quarto. Tambm no tinha uma chave, e queria surpreend-la.
   O rapaz do hotel o fitava, sem piscar. Knight tirou algumas notas de um dos bolsos e as colocou em cima do balco. O atendente colocou uma das mos em cima do 
dinheiro e jogou para Matt uma chave que marcava 204.
   O ex-agente subiu as escadas. Atravessou um corredor longo e sombrio. Ao chegar ao quarto em questo, Matthew encostou-se, colocando um dos ouvidos  porta. No 
ouviu nada. Lentamente, abriu a porta.
   Mia no estava ali, mas as coisas de uma mulher sim. Uma bolsa. Uma pequena mala aberta em cima de uma cadeira. Roupas sobre a cama. Entretanto, Knight podia 
sentir o cheiro da srta. Palmieri. Notara o perfume de Mia no quarto dela, na casa de Hamilton. Uma fragrncia feminina suave que o fazia pensar em um campo de flores 
brancas se estendendo em direo a um horizonte azul-claro.
   Matthew fechou a porta. No havia muita coisa na mala. Nenhum pacote de cocana. Apenas algumas camisetas ainda com as etiquetas. O mesmo em relao a um par 
de calas brancas. Algumas roupas ntimas. Calcinhas brancas de algodo. E um suti branco tambm.
   Ser que Hamilton gostava de v-la assim? Ou ser que a moa gostava que o noivo a visse dessa forma? Se Mia fosse mulher de Matt, o ex-agente a faria usar seda.
   Matt sentiu-se enrijecer. Que inferno, no precisava de fantasia com relao a uma mulher que havia fugido e deixado o amante se perguntando se estaria morta 
ou viva. Knight no gostava de Hamilton, da arrogncia e da sinceridade forada do coronel. Porm, nenhum homem merecia ser tratado daquela forma.
   Matt arrancou tudo de cima da cama, checando embaixo do colcho e o cho. Abriu as gavetas da penteadeira. Vazias. O mesmo com relao  nica gaveta da mesinha-de-cabeceira. 
No havia nenhum armrio, apenas uma prateleira com uma aranha enorme.
   Se a srta. Palmieri tivesse alguma droga escondida, ou estava com ela ou no carro. Knight checaria o veculo. Depois, ficaria na caminhonete  espera...
   Passos vindos do corredor. Matt foi at a porta e a trancou. Ento, encostou-se  parede. Os passos estavam mais prximos. Cessaram do lado de fora. A porta se 
abriu. gil como uma pantera, Matt a fechou, trancando-a. E, antes que tivesse tempo de reagir, a vtima ficou presa em seus braos.
   Deus...
   A respirao de Mia estava acelerada. Braos de um homem poderoso a pegaram por trs e a ergueram. Ela tentou gritar, mas uma das mos dele tapou-lhe a boca. 
O homem disse algo, mas a jovem estava horrorizada demais para entender o que fora dito.
   Mia lutava pela vida. Os dois cambalearam pelo quarto, os ps dela a uns 30cm do cho. Contorcendo-se, virando-se, a jovem lhe deu uma cotovelada no estmago. 
Nada. Mia tentou novamente. Dois socos dessa vez e, embora Matt tivesse resmungado, continuou segurando-a firme.
   A moa chutava, e conseguiu atingir a mesa. Uma lamparina fez certo estardalhao ao cair no cho, mas ainda no seria suficiente para fazer com que algum corresse 
at ali, no em um lugar como aquele.
   Outro chute. O calcanhar dela atingiu a canela de Matt. Depois, o joelho. Isso fez com que o ex-agente grunhisse novamente devido  dor, mas tudo o que a jovem 
conseguiu foi que o homem a segurasse com mais fora ainda. Mia se jogou contra Matt e os dois bateram na estrutura de ferro da cama.
   - Droga - rugiu Knight, e apenas o som daquela palavra aumentou o horror que a moa sentia. O sotaque daquele homem era de um americano. Isso significava que 
no havia chance de ele ser um ladro local. Era o homem enviado para mat-la.
   Mia mordeu a mo de Knight. Ele xingou. A moa voltou a mord-lo, sentiu gosto de sangue. O ex-agente pressionou com um dos joelhos a base da coluna da jovem, 
puxando-a para trs, de forma que o corpo dela ficasse arqueado. Matt colocou uma das mos sobre o nariz e a boca de Mia, dizendo:
   - Pare com isso! No vou machuc-la.
   Ento, por que a seguira desde Cartagena, invadira o quarto, escondera-se atrs da porta e pulara em cima dela? Por que os movimentos daquele homem eram como 
os de um assassino profissional?
   Se ele pensava que por lhe assegurar isso a jovem se tornaria dcil, aquele homem estava muito enganado. Mia passou a lutar ainda mais.
   Matt abaixou uma das mos com fora. O quarto comeou a ficar cinza. A moa agarrou-lhe um dos braos e lutou um pouco mais. O ex-agente ergueu uma das mos e 
a jovem respirou um pouco, antes de Knight voltar a deix-la sem ar.
   - A escolha  sua, querida. Quer viver ou morrer? Posso acomod-la das duas formas - disse Matt ao ouvido de Mia.
   O ex-agente estava mentindo. A moa morreria assim que aquele homem acabasse de lutar com ela. Ainda assim, se a jovem continuasse jogando, poderia ganhar algum 
tempo. Ento, Mia balanou a cabea, concordando.
   - Garota esperta - disse Matt e a soltou.
   Mia caiu, deslizando at o cho, e encostou a cabea na parede. Respirar era o que importava naquele momento. Depois de algum tempo, quando parou de arfar, ergueu 
o olhar em direo ao homem que havia sido enviado para encontr-la.
   Matt havia se dirigido at a janela e ali se encontrava de braos cruzados. A luz do sol da manh brilhava nos olhos da jovem. Mia no conseguia v-lo direito. 
Tudo que sabia era que ele era grande e forte.
   - Voc est bem?
   Mia queria rir, considerando que quase a matara. Todavia, no fizera isso. No teria serventia se estivesse morta. Tinha de se lembrar desse detalhe. O homem 
faria qualquer coisa para mant-la viva at entreg-la a quem o contratara.
   Mia no respondeu. Matt a observou por alguns segundos. Ento, foi at a pia, que ficava em um canto, encheu um copo com gua e o trouxe para ela.
   - Beba isso.
   Mia pegou o copo e o esvaziou. Depois, devolveu-o a Matt. A moa entraria naquele jogo, fingindo-se passiva. Talvez isso lhe desse alguma vantagem.
   Os dedos de Knight tocaram os dela quando a jovem devolveu-lhe o copo. A pele do ex-agente estava quente, quase escaldante. J a de Mia estava congelada. Mas 
isso era o que acontecia quando uma pessoa se acalmava depois de passar por uma situao de muita adrenalina. E ela usava apenas um roupo fino de algodo.
   - Ento, quer me contar algo? - Matt indagou.
   - Contar o qu?
   - No vamos perder tempo com joguinhos. Por que simulou o prprio seqestro?
   - No sei do que est falando.
   - Seu namorado est angustiado. O coronel pensou que algo tivesse lhe acontecido. E, todo o tempo, o que aconteceu foi que voc decidiu abandon-lo. A nica pergunta 
agora : onde est o pacote?
   O corao da jovem bateu acelerado. Mia forou-se a no reagir com nenhum tipo de linguagem corporal.
   - Ficar muda no vai ajudar. Fiz uma pergunta.
   - No estou jogando. No estou entendendo a pergunta.
   - Tudo ser mais fcil se voc me contar.
   Mais fcil? Mia quase riu. Uma vez que arrancasse as informaes dela, a moa no lhe seria mais til.
   - J disse. No sei do que est falando.
   Matt se aproximou. Deus, ele era to alto! Mais de l,90m. E ali estava ela, no cho. Teria de superar a desigualdade, ao menos, psicologicamente. Ser passiva 
era uma coisa. Ser submissa era outra. Aos poucos, se levantou e disse:
   - Preciso me vestir. Estou com frio.
   - Aqui  a Colmbia. Estamos praticamente na linha do Equador. Nunca faz frio.
   - Acabei de tomar uma ducha. A gua estava fria e as toalhas eram finas, e estou...
   - Molhada.
   A moa abaixou o olhar. Sentiu medo. Precisava acalmar a situao, identificar o inimigo. No era uma das coisas que teria de fazer? O treinamento fora muito 
breve. Mas, ao menos, aprendera alguma coisa.
   - No me disse seu nome.
   - Isso importa?
   - Sim. Voc invade meu quarto, revira minhas coisas, me acusa de sabe-se l o qu...
   - E voc nem pergunta o porqu. Interessante, no acha?
   Mia podia v-lo claramente agora. Era esbelto, forte. Os ombros, sob a camiseta azul-marinho, eram largos. O abdmen era liso. Os quadris, estreitos, as pernas, 
longas, escondidas sob os jeans ligeiramente desbotados.
   Ela ergueu o olhar at o rosto dele. Era difcil no reagir. Esperava um monstro. Em vez disso, uma beleza mscula. Cabelos negros espessos. Olhos verdes. Um 
nariz longo e elegante. Uma boca esculpida.
   Mia conteve uma risada histrica. O assassino contratado no era feio. Ela valorizava o tipo de homem que podia arrasar coraes assim como quebrar pescoos. 
A jovem precisava ter uma idia, e logo.
   - Voc enganou Hamilton.
   - Quem?
   - O que foi que lhe disse? No fique calada. Isso s me irrita. Mas no me engana. Logo imaginei. Fugiu com pouca coisa para no levantar suspeitas.
   O corao de Mia voltou a bater acelerado. Fora cuidadosa ao copiar a lista. Colocara a original de volta onde a encontrara. Talvez ele no soubesse e estivesse 
procurando.
   - Est errado. No trouxe nada. Deixei Douglas porque ele no me deixaria romper o relacionamento.
   - De uma hora para a outra, voc sabe quem  o velho Dougie.
   - Esperava que eu admitisse isso logo? Invadiu meu quarto, me atacou...
   - O que vou fazer com a senhorita? Est mentindo. Se no tivesse se livrado do seu namorado, voc estaria nos Estados Unidos agora. Teria tomado o primeiro avio 
de volta para casa.
   - Hamilton teria feito com que vigiassem os aeroportos.
   -  um coronel. No  Deus.
   - Tente lhe dizer isso.
   - Para ser franco, no dou a mnima para os seus sentimentos com relao a esse homem. Quero o que roubou. Vai me dizer onde est?
   - Onde o qu?
   - Vamos fazer isso da forma mais difcil. Vista-se. E rpido. Quero acabar logo com essa histria. No tenho o dia todo.
   - Vou me vestir. Espere l fora.
   - Boa tentativa, mas no vai funcionar.
   - No vou me vestir com voc aqui.
   - Sim, voc vai.
   Matt a alcanou. A jovem recuou, mas a parede estava atrs dela. Com os olhos presos aos de Mia, o ex-agente pegou a faixa do roupo. Ela lhe deu uma tapa. Knight 
agarrou-lhe os pulsos. Com uma das mos, puxou os braos da moa para que ficassem acima da cabea dela. E, com a outra mo, desfez o lao do roupo.
   A jovem gritaria a qualquer segundo. Matthew sabia disso. A mulher era como uma gata selvagem, lutando, debatendo-se, recusando-se a admitir que fora capturada.
   - Se emitir o menor rudo sequer, vai se arrepender - resmungou Matt.
   - Deixe-me ir.
   Knight a silenciou da nica forma que podia, com a prpria boca. A moa gritou por entre os lbios dele, tentou se desvencilhar daquele homem. Mas Matt se aproximou, 
apertando-lhe ainda mais os pulsos e reforando o beijo.
   Excitada, Mia lamuriava, o corao acelerado. A moa estava aterrorizada. Agira de forma estpida e perigosa, o que deixara Hamilton louco. Roubara narcticos. 
Dirigira por aquelas colinas repletas de bandidos.
   Mia era o tipo de mulher que usava a prpria aparncia para conseguir o que queria. Como poderia ter o gosto do paraso? A realidade ficou embaada. Com uma das 
mos, Matt prendeu os dois pulsos da jovem. Ento, o ex-agente mudou o ngulo do beijo, intensificando-o.
   A srta. Palmieri arfava e lutava contra Knight. Ento, emitiu um sussurro. O som que uma mulher faz quando se entrega a um homem. Matt soltou-lhe os pulsos e 
passou as mos pelos cabelos da jovem. Depois, ergueu o rosto de Mia, voltando ao intenso beijo...
   A moa reagiu, batendo nele com os punhos. Ento, ergueu um dos joelhos e mirou o ponto mais vulnervel daquele homem, e teria feito muito estrago se Matt no 
tivesse reagido to rpido. O ex-agente agarrou-lhe as mos, prendendo a jovem ao encost-la na parede.
   Ambos se fitaram por um longo minuto, com a respirao acelerada. Ento, lentamente, ainda segurando as mos da jovem, o ex-agente recuou.
   O roupo dela se abrira durante a luta. Matt abaixou os olhos para ver o que tinha sido descoberto. Seios claros, cor de nata. O ventre firme.
   Knight lutou para que o prprio rosto no demonstrasse nenhuma emoo. Porm, a moa tinha de ser cega para no ver que aquele homem estava rgido como uma pedra, 
muito excitado.
   Matt pensou em tom-la. Ali mesmo, contra a parede. No importava o quanto Mia tentasse negar, tambm sentira desejo. O ex-agente percebera isso no beijo dela, 
na resposta em forma de sussurro. Ainda podia ver, nos olhos enevoados de paixo.
   Tudo que o ex-agente tinha de fazer era despir os jeans e ergu-la. Se a jovem protestasse, isso duraria apenas alguns segundos at que os dois corpos se fundissem, 
at que a moa gemesse e...
   Meu Deus, ser que havia perdido a cabea? Aquilo era um trabalho. Um trabalho que Matt no quisera. Mia estava contrabandeando narcticos ou os roubara de quem 
quer que fosse que a tivesse abastecido. E Knight passara anos odiando pessoas como aquela mulher.
   Alm disso, Mia era mulher de outro homem. Que fosse para o inferno com aqueles gemidinhos. Uma mulher podia fingir isso. Essa aqui podia e fazia, o tempo todo. 
E, provavelmente, agira dessa forma com Hamilton.
   Os olhos de Matthew ficaram sombrios. O ex-agente sentia averso por si mesmo e por aquela mulher nua na frente dele.
   - Foi assim que manteve o pobre Dougie cego ao que voc fazia? Fazendo-o pensar que o deixaria ter isso algum dia?
   - No sei o que...
   Mia prendeu a respirao. Uma das mos do ex-agente acariciava-lhe um dos seios. A moa no era virgem. Um homem j acariciara os seios dela antes, mas nunca 
ningum a fizera sentir pavor e algo muito mais sombrio.
   - No conseguia imaginar como um cara to astuto poderia ser to facilmente enganado. Ento, vi a casa dele. Os quartos separados. E pensei que o homem era um 
tolo, deixando-a dormir sozinha. Agora, tudo comea a fazer sentido. Voc o provocava, atiando-o, dando-lhe pistas do que ele poderia ter caso se comportasse.
   - Voc  maluco! Nunca... - Mia conteve a respirao quando Matt voltou a acariciar-lhe um dos seios.
   - A questo : Dougie no sabia como lidar com voc. Mas eu sei.
   De repente, Matt recuou. Mia cambaleou, agarrando as lapelas do roupo.
   - Vista-se. E faa isso rpido. Ou eu mesmo farei por voc.
   Fit-lo era como fitar uma geleira. Nenhuma suavidade, nenhum sentimento, nada, a no ser uma fora incontida.
   Matt caminhou at a cadeira e sentou-se, cruzando os braos. Mia notou que o ex-agente usava botas. Ento, ficou de costas e deixou que o roupo deslizasse pelos 
ombros.
   
   
   CAPTULO TRS
   
   O robe deslizou devagar pelos ombros de Mia, revelando-lhe as costas, e parou na base da coluna. Mesmo desse ngulo, Matthew podia ver que a jovem era bonita.
   A pele era de um dourado-claro. Os cabelos, uma cachoeira de chocolate com toques avermelhados devido  luz que entrava pela janela.
   A srta. Palmieri poderia ter sido uma pintura de Monet ou Renoir. Mulher se vestindo. As pessoas fixariam o olhar em uma tela, em um famoso museu, vendo no tanto 
as pinceladas e o talento do pintor, mas a beleza da mulher em si.
   Mia tinha uma pequena marca de nascena em um dos ombros e outra dois ou quatro centmetros abaixo. Matt poderia beijar a primeira marca e trilhar o caminho at 
a segunda com mais beijos.
   Qual seria o gosto se a beijasse nas costas, de cima at embaixo? O que Mia faria se o rapaz fosse at ela, colocasse as mos em seus ombros e a beijasse no pescoo? 
Ser que a jovem se curvaria a Matt? Ser que fecharia os olhos de prazer enquanto o ex-agente abaixava o roupo, desnudando-a, e a puxasse contra si de forma que 
ela pudesse senti-lo excitado?
   Que inferno! Matt no era um voyeur. Despir uma mulher era um prazer masculino. Assim como observar-lhe o rosto enquanto se despia.
   Aquilo ali era negcio. No tinha escolha a no ser observ-la... Matthew respirou fundo. A quem estava enganando? Observ-la era uma forma de deix-lo ligado. 
Quando foi a ltima vez que tivera uma mulher? H muito tempo, obviamente, caso contrrio...
   A jovem se esticou para pegar algo em cima da cama, arqueando o corpo. Ah, Deus, Matt estava petrificado! Mas tinha de observ-la. No fizera uma busca completa. 
Por tudo que sabia, a moa tinha uma arma escondida.
   Tudo bem. Mia encontrara o que quer que fosse que estava procurando. A moa se endireitou. Depois, ficou em p, em uma perna s. A jovem estava vestindo as calcinhas 
usando o roupo como tela.
   Inteligente. No tanto, um pensamento zombeteiro afirmava. No importava o que fizesse, em algum momento, teria de deixar o roupo cair.
   Matt cruzou os braos. O olhar dele moveu-se novamente era direo a Mia. No fazia sentido fingir que no estava gostando de v-la. Era uma mulher que nascera 
para excitar um homem. Mesmo agora, o ex-agente podia fechar os olhos e ver o rosto dela, uma perfeio de inocncia. Os seios. A pele lisa.
   No era de admirar que Hamilton tivesse se deixado enganar. Matt quase sentiu pena daquele homem. Quem poderia resistir a um feitio daqueles?
   Mia ficara quieta. Havia tenso em cada linha daquele corpo feminino. Era o momento da verdade. A jovem precisava se livrar do roupo para acabar de se vestir.
   - No vai ao menos ficar de costas?
   - No, no vou.
   A jovem resmungou algo que Matt no conseguiu entender. O rapaz conteve um sorriso. Tinha de dar crdito a Mia. Era corajosa.
   Alguns segundos se passaram e, ento, a jovem deixou que o robe casse ao cho. Knight ficou com a boca seca. Mia vestira as calcinhas brancas de algodo.
   As mulheres que Matt conhecera usavam seda ou renda. O ex-agente gostava do tecido suave sensual, em cores que contrastavam com a delicadeza da pele como preto 
e vermelho.
   Algodo era para camisetas e shorts de ginstica... E, que inferno, como aquelas calcinhas de algodo podiam parecer to sensuais? Talvez porque cassem  perfeio 
naquela pele dourada? Ou a simplicidade e o fato de saber que o que escondiam dos olhos dele eram os segredos mais doces daquele corpo feminino?
   O que aconteceria se Matt chegasse por trs de Mia? Abaixasse a cabea e a mordiscasse suavemente no pescoo enquanto passava uma das mos por dentro daquele 
tecido de algodo, acariciando-a intimamente no ponto que guardava a feminilidade dela?
   Que inferno. Matt estava com problemas. Ela pegara algo que estava na cama. Um suti. Mas logo o colocou. Bom. O ex-agente podia respirar novamente. O prximo 
passo seria vestir uma camiseta...
   Em vez disso, levou as mos aos prprios seios. E, embora Matt no pudesse ver o que a jovem estava fazendo, podia imaginar. Mia ajeitava os seios no suti, tocando 
a pele sedosa que Knight ansiava saborear...
   O ex-agente levantou-se  disse:
   - Ande rpido. Arrume logo suas coisas.
   A moa vestiu as calas brancas de algodo. Depois, uma camiseta cinza. Calou as sandlias e virou-se na direo dele. Dava at para ver as unhas dos ps pintadas 
de rosa-claro.
   Matt teve de se conter para no se aproximar dela e jog-la na cama. Era aquela situao, era isso. Perigo, risco, o desconhecido. Adicione uma mulher atraente, 
misture bem e isso resulta em muito calor.
   Mia recuperou um pouco a cor. Matt no queria isso, e sim a jovem assustada. Assim, seria mais fcil lidar com ela e fazer com que lhe dissesse o que o ex-agente 
queria saber.
   - Venha aqui.
   A jovem apontou para a mala e comentou:
   - Mas voc disse...
   - Sei o que eu disse. Venha aqui.
   Mia aproximou-se de Matt, lentamente, o olhar fixo no rosto dele. Olhos enormes, da cor de caf. Entretanto, dependendo da luz, o ex-agente podia ver manchas 
verdes e douradas na ris.
   - Ponha as mos espalmadas na parede e d um passo para trs.
   - O qu?
   - Voc tem problema de audio? Ponha as mos na parede e d um passo para trs.
   A boca da moa comeou a tremer. Por alguns segundos, Matt quase lhe disse para esquecer aquilo. O rapaz a vira nua, sabia muito bem que a jovem no tinha uma 
arma... Mas isso no tinha a ver com armas, e sim com controle.
   - Faa isso.
   Mia colocou as mos na parede e deu um passo para trs... E claro, teve de abrir um pouco as pernas para manter o equilbrio.
   Matt se aproximou. Tocou-a nos seios. Mas o rapaz se certificou de que o toque fosse impessoal. Ainda assim, ela pulou, como se o ex-agente a tivesse tocado com 
ferro quente.
   - Permanea quieta.
   - No! No pode fazer isso. No tem esse direito.
   - Uma pequena correo. Tenho todo o direito.
   - V para o inferno. No tem direito algum.
   Matthew sorriu. Puxou a arma que estava nas costas dele e viu quando Mia ficou com os olhos bem abertos ao fitar a pistola.
   - Isso me d qualquer direito do qual eu precise. Agora, vire-se e coloque as mos na parede.
   - Voc  um porco.
   - Isso realmente despedaa meu corao.
   Matt a revistou rapidamente, passando as mos pela barriga, pelas pernas, pelas coxas e pelos tornozelos da jovem. O ex-agente hesitou. Ento, passou as mos 
por entre as pernas de Mia.
   A moa emitiu um som de desespero. Knight imaginou como poderia mudar aquele som para um sussurro de desejo. Tudo que tinha de fazer era acarici-la. Mia o detestava. 
Porm, a lembrana daquele beijo lhe dizia que ela tambm o desejava.
   Seria mil vezes mais fcil lidar com Mia se o ex-agente fizesse amor com ela. Matt fechou os olhos. Uma das razes para ter deixado o Servio Secreto fora por 
saber que estava perdendo a habilidade de separar o que era moralmente certo do que era prtico e conveniente. Seria possvel que 24 horas na antiga vida o tivessem 
transformado naquele tipo de homem novamente?
   No. No podia. Aquilo estava certo, e era conveniente. Mia Palmieri estava traficando drogas. E Matt faria todo o necessrio para det-la. O ex-agente deu um 
passo para trs e disse:
   - Tudo bem. Vire-se.
   Mia virou-se na direo dele. Os olhos duros e frios como mbar. Bom. De agora em diante, a jovem se comportaria. Matthew tinha de decidir o que fazer com ela. 
Hamilton s havia pedido que Knight descobrisse o que havia acontecido com a srta. Palmieri. Bem, Matt descobrira. Mia fugira. Teoricamente, o americano podia deix-la 
continuar fugindo.
   Mas no se a moa tivesse cocana consigo. Knight gastara tempo demais e suara muito detendo traficantes de drogas para agora deixar que aquilo acontecesse de 
novo. Alita morrera. E deixar Mia Palmieri ir embora no era uma opo, no se a moa estivesse traficando narcticos.
   Se Matt encontrasse a droga... Bem, isso lhe daria outras opes. Poderia jogar a cocana no vaso sanitrio e dar a descarga. A, ento, deixaria Mia ir embora. 
Knight no era um policial. No era nem mesmo mais um espio. No tinha obrigao alguma de entregar a srta. Palmieri  justia.
   Se Mia estivesse fugindo do cartel... Lidaria da mesma forma com a situao. Livrar-se-ia das drogas e a deixaria ir embora. Talvez o pessoal do cartel a encontrasse. 
Porm, isso no seria mais problema dele.
   A srta. Palmieri era problema de Hamilton. E mulher dele. Por que ser que isso deixou Matt com o estmago embrulhado? O ex-agente franziu as sobrancelhas. Uma 
coisa de cada vez. Primeiro, precisava descobrir se a moa estava carregando drogas. Depois, decidiria o que fazer.
   - Acabou de arrumar suas coisas?
   - Sim - respondeu Mia, fechando a mala.
   - Oua com cuidado porque no quero erros. Vou abrir a porta. Vamos descer as escadas juntos, eu vou colocar um de meus braos ao redor de voc. Vamos parecer 
um dos casais mais felizes desde Romeu e Julieta.
   - Aonde vamos?
   - Aonde quer que eu diga. Tem certeza de que no esqueceu nada?
   - Sim.
   - Porque, se esqueceu, considere perdido.
   - J disse, no esqueci nada.
   Bom. A droga no estava no quarto. Ningum, no importa o quanto esteja assustado, deixaria para trs um pacote que vale uma boa grana.
   Matt agarrou-lhe um dos pulsos. A moa tentou se libertar, e ele colocou um dos braos em seu pescoo.
   - Namorados, lembra-se? Romeu e Julieta. Mia esboou um sorriso cnico e disse:
   - Romeu morreu.
   A rplica imediata seria lembr-la que Julieta tambm. Entretanto, Matt no disse isso. Por alguma razo, o sofisma estava repleto de pressgio. Apesar do sangue 
indgena comanche, no era adepto de prever o futuro. Porm, tivera um pressentimento ruim ao sair do quarto.
   Um dos braos estava em torno da cintura de Mia. O outro, perto da arma. Assim, o ex-agente fez com que ela descesse as escadas, sasse do hotel e alcanasse 
a rua. Havia uma cafeteria do outro lado.
   - Caf-da-manh - disse Matt.
   Mia o olhou como se ele estivesse maluco. Talvez. Porm, se Matthew no colocasse alguma comida no estmago, cairia.
   A cafeteria cheirava a gordura na chapa. Mas o quanto poderia ser ruim a combinao de caf, ovos e salsicha? Muito ruim, como deu para comprovar. Aps algumas 
mordidas, Matthew colocou seu prato de lado. Mia no pedira nada exceto caf. E ele imaginou que ela fizera uma escolha sbia.
   Depois da segunda xcara, o ex-agente debruou-se sobre a mesa e perguntou:
   - J recuperou o juzo? Voltou a pensar com clareza?
   - Sobre o qu?
   - Sobre me entregar o que roubou.
   - J disse. No sei do que est falando.
   - No seja estpida. Pense no que vai acontecer se no me contar a verdade.
   A moa ficou plida, mas no respondeu. Matt pegou algumas notas de dentro de um dos bolsos, jogou-as em cima da mesa e levantou-se, murmurando:
   - Vamos.
   O rapaz agarrou-lhe um dos braos e a mala, e conduziu Mia at o carro.
   - Abra - ordenou Matt.
   - O que quer que seja que esteja procurando... No tenho. No importa o que faa comigo...
   - Abra o maldito carro.
   A moa tirou as chaves de dentro da bolsa e abriu a porta. Matt a empurrou para dentro do veculo, ordenando:
   - Sente-se.
   Quando a moa obedeceu, Knight tirou-lhe as chaves, sentou-se ao volante e cantou pneu ao sair do estacionamento. Vinte minutos depois, o ex-agente encontrou 
o tipo de lugar do qual precisava: uma estrada secundria que ia at um lago. Havia garrafas de cerveja vazias espalhadas ao redor, mas parecia que h um bom tempo 
ningum estivera ali.
   - Saia.
   Mia no se mexeu. Matt a puxou para fora do carro e tirou o prprio cinto. Os olhos dela se encheram de lgrimas. A refm comeou a tremer. O ex-agente esperava 
que a jovem implorasse, mas ela no fez isso.
   Mia era determinada e corajosa, tudo bem. Knight tinha de admitir. O ex-agente amarrou o cinto em torno dos pulsos da moa e a arrastou at uma rvore.
   - Pense no que est fazendo. No vai resolver nada me matando - a jovem disse.
   Knight a fitou, surpreso. A moa falava srio. Quem Mia pensava que Matt era? Algum capanga do cartel, mesmo depois de o rapaz lhe ter dito que Hamilton o mandara 
atrs dela?
   Matthew podia lhe contar a verdade: que no estava envolvido com o cartel, nem iria mat-la... Mas, se era o que a jovem pensava, melhor deixar as coisas assim. 
O medo a tornaria malevel*
   - Farei o que tiver de fazer - disse Knight, friamente. Ento ele a beijou ardentemente. A boca de Mia era suave. E agora tremia de medo e estava molhada devido 
s lgrimas.
   O desejo tomou conta de Matt. Ele xingou, recuou e usou o cinto para prend-la  rvore.
   - Comporte-se e voc sair bem. Pela ltima vez, onde est?
   Mia no respondeu. Knight balanou a cabea, dirigiu-se ao carro e comeou a revirar e a desmontar tudo. Primeiro, os lugares bvios: o porta-luvas, o console, 
o porta-malas. Nada.
   Em seguida, os acolchoados dos bancos. Matt os rasgou com o prprio canivete. Ento, furou o estepe, tirou tudo de dentro do porta-malas. Nada ainda.
   Havia outros lugares para guardar drogas. Dentro dos almofadados das portas. Em compartimentos secretos no cho. Mas se tratava de um carro alugado. No existiriam 
compartimentos secretos, e Mia no tivera tempo de adaptar os almofadados das portas.
   Matthew voltou a fitar o veculo revirado. Recolocou tudo no porta-malas. Ento, caminhou at o local onde deixara Mia. Precisava choc-la, perturb-la, mas como?
   Uma ameaa... Priso. Uma priso colombiana. No levaria um cachorro abandonado sequer a um daqueles presdios que vira. Ser que ela sabia disso? Matt apostava 
que sim.
   - Tudo bem. Fiz o possvel. Voc me deixou sem escolha. Terei de lev-la de volta.
   - Para Hamilton? - indagou a moa, plida.
   - Certamente. Foi o coronel quem me pediu para encontr-la.
   - No. Por favor, no faa isso. No sei quem voc  ou o que pensa que eu fiz, mas eu lhe imploro que no me mande de volta para Hamilton.
   A moa parecia aterrorizada. Matthew disse a si mesmo que aquilo no valia nada. Mia era boa atriz, apenas isso. Bastava ver como a jovem enganara o prprio noivo.
   - No quer que a mande de volta? Ento me diga onde est a droga.
   - Que droga?
   -Vamos l, querida. A cocana. Conte-me onde a escondeu e eu a deixarei ir. O que aconteceu entre voc e o coronel  problema seu. A droga  problema meu.
   - No tenho drogas!  loucura achar que tenho. Voc revirou meu quarto, meu carro. At me revistou. Se eu tivesse cocana, voc teria encontrado.
   - Ento, por que fugiu?
   - J lhe disse. Douglas no me deixaria romper o relacionamento.
   - Certo. Ento, o que o coronel iria fazer? Tranc-la no quarto e jogar a chave fora? Voc sabia muito bem lidar com o velho Dougie. Quartos separados, nada de 
sexo... Estou certo, no? Nada de sexo.
   - Eu...
   - Responda  pergunta, droga. Dormia com o coronel?
   - Claro que dormia com Hamilton. Era meu noivo. Por que no faria isso?
   - Achei que provocando-o poderia ter chegado to longe.
   - Sente-se bem insultando uma mulher?
   - Quero saber por que fugiu.
   - J disse. Douglas no...
   - Isso  besteira. Fugiu porque pegou algo que no era seu.
   - No peguei nada - disse Mia, mas estava mentindo. Matt viu isso na rpida contrao das pupilas dela. E, ao mesmo tempo, o ex-agente soube que fora atrado 
para um jogo no qual a nica regra era a sobrevivncia.
   Rapidamente, Knight a soltou e a levou de volta ao carro, empurrando-a para dentro do veculo. Depois, ligou o motor e partiu.
   O ex-agente largou o carro a uns cem metros da velha hospedaria. Quem quer que o encontrasse naquela cidade esquecida por Deus, sem dvida, veria isso como um 
presente dos cus. O carro nunca voltaria a ser visto.
   - O que est fazendo? Quem  voc? O que quer de mim? - Mia perguntou enquanto Matt a mandava entrar na caminhonete.
   - Para comear, alguns minutos de silncio.
   -- No. Responda s minhas perguntas. Diga-me quem voc  e o que quer.
   Involuntariamente, os olhos de Knight foram do rosto da moa para os seios dela. Mia ficou corada e o ex-agente soube que ela estava se lembrando do que acontecera 
no quarto do hotel.
   - Eu fao as perguntas. Voc d as respostas.
   - Tenho o direito de saber seu no...
   - No tem nenhum direito, querida. A nica coisa que precisa saber  que vou descobrir o motivo pelo qual fugiu. O que roubou. Aonde estava indo...
   O telefone celular dele tocou. O som o surpreendeu. Os irmos sabiam que Matt estava fora do pas. No ligariam, e poucas pessoas tinham aquele nmero. O ex-agente 
atendeu.
   - Sim?
   - Sr. Knight.
   Era o coronel. Como posso entrarem contato com voc?, Hamilton perguntara, e Matthew dissera o nmero do celular.
   - Sim?
   - Espero que tenha progredido em sua procura pela minha noiva.
   Matthew olhou para Mia. Os olhos da jovem tinham um brilho de desafio assim como de medo.
   Uma palavra para Hamilton e aquela histria acabaria. Nem precisava retornar a Cartagena. O coronel arrumaria algum para ir ao encontro do ex-agente e pegar 
a moa.
   - Sr. Knight? A ligao est ruim? Perguntei se teve algum progresso.
   - Ouvi, coronel.
   - J encontrou Mia?
   - No, no a encontrei.
   O ex-agente desligou o celular, jogou-o de volta no bolso e ligou o motor da caminhonete. Ento, no que talvez fosse o ato mais ilgico de sua vida, Matt beijou 
Mia ardentemente.
   Momentos mais tarde, a hospedaria e a cidade ficaram para trs, perdidas em uma nuvem de folhas e poeira.
   
   
   CAPTULO QUATRO
   
   O homem enviado para encontr-la dirigia como um louco.
   Mas por que no faria isso? Os assassinos no eram loucos por definio? E era isso que aquele homem era. Um assassino. "Encontr-la" era apenas uma tentativa 
de esconder a verdade.
   Mia arriscou uma olhadela em Matt. A moa j encontrara assassinos antes. Alguns homens estiveram na casa de Hamilton tarde da noite. Nenhum veio e disse:
   - Ol, fao parte da folha de pagamento do cartel como um assassino.
   Porm, a jovem sabia que eram. E, para a maioria, tirar a vida de algum no seria um problema maior do que matar um inseto com um tapa.
   O seqestrador tinha boa aparncia. Era um homem belo, bem msculo. Matt a fazia lembrar-se da esttua de David que ela viu naquela viagem a Florena, no ltimo 
ano da faculdade...
   Ou de um gato grande e extico. Um predador poderoso e magnfico. Matt no desperdiara tempo em mostrar isso  jovem. A forma como a tratara, fazendo-a ficar 
nua diante dele, observando-a vestir-se, tocando-a.
   Um formigamento percorreu o corpo todo da jovem. Que coisa horrvel Matt fez ao toc-la to intimamente. Fingira que a revistava para acariciar-lhe os seios. 
Tocara-a entre as coxas.
   A jovem estremeceu. Mia o detestava... E odiava a si mesma por ter correspondido, por querer gemer tanto quanto queria chorar. Por querer fechar os olhos, recostar-se, 
sentir aquele corpo rgido sustentando o dela. Aqueles braos msculos, aquela boca...
   Mia virou-se e fitou a paisagem. Sabia o motivo de o rapaz ter feito aquilo. Tratava-se de poder, dominao. Era uma forma de deixar claro que ele estava no comando. 
A moa at sabia... Mia fechou os olhos. Depois, voltou a abri-los. Sabia por que tivera tais reaes loucas quando aquele homem a tocou.
   Em situaes como aquela, o medo poderia dar lugar a algo mais sombrio. Uma ligao entre a vtima e o seqestrador. Isso poderia benefici-lo, tornando-a condescendente, 
submissa.
   Ou benefici-la. A menos que tivesse interpretado mal, aquele homem estava atrado por ela. Engoliu em seco. Falsa modstia era sinnimo de estupidez em um momento 
como aquele. Ele estava mais do que atrado. Matt a queria. Talvez sexo e violncia fizessem parte da mesma coisa na cabea dele.
   Compreender essa situao talvez pudesse lhe dar poder. Talvez Mia pudesse usar o desejo que aquele homem sentia. Manipul-lo. Lidar com ele de forma inteligente. 
Que Deus a ajudasse a seduzi-lo se fosse preciso.
   E era provvel que tivesse de fazer isso. Se Matt a levasse de volta para Cartagena... Mia morreria.
   Hamilton a teria matado. O que a moa suspeitara sobre o coronel a tornara perigosa. O que descobrira e o que levara antes de ir embora a marcaram para ser eliminada. 
Mas ao menos tinha alguma chance com o homem que a raptara.
   - Sabe que est errado - disse Mia.
   - Srio?
   - Voc sabe meu nome. Eu deveria saber o seu.
   - Est querendo dizer que esqueci minhas boas maneiras? Por que no? Sou Matthew Knight.
   - E trabalha para... ?
   - No trabalho para ningum.
   - Trabalha por conta prpria.
   - Deveria dizer que estou aqui fazendo um favor para o seu namorado.
   - Hamilton no  meu namorado.
   - Desculpe. Seu noivo.
   A moa comeou a lhe dizer que tambm estava errado em relao quela afirmao. Mas por que se importar? Matthew Knight continuaria pensando o que quisesse.
   - Pensei que fosse colombiano. Voc fala espanhol como um nativo.
   - No perca tempo tentando me agradar.
   - Foi apenas um comentrio. Voc  americano? 
   - Da ltima vez que chequei, Dallas era nos Estados Unidos, Amrica do Norte.
   - Como conheceu Douglas?
   - Por intermdio de um conhecido em comum. A determinao da jovem de jogar com frieza, calma, evaporou.
   - Droga, nunca diz nada que faa sentido? Matthew a fitou e comentou:
   - O cu est azul hoje. No h nenhuma nuvem. Mia queria bater no americano.
   - Ao menos me diga aonde est me levando.
   - J disse. Para um lugar calmo no qual possamos conversar.
   Uma caverna? Um barraco nas montanhas? Um lugar onde ningum pudesse ouvi-la gritar? Mia respirou fundo e disse:
   - Se me deixar ir, ningum precisa saber de nada.
   - Eu saberia. Assim como seu namorado.
   - J disse, Hamilton no  meu namorado.
   - Tente dizer isso a ele.
   - Alm disso, Hamilton no saberia. Eu, certamente, no lhe diria nada. Nem voc.
   - E o que me daria se eu a deixasse ir?
   - O que voc iria querer?
   - No sei, querida.  voc quem est fazendo a oferta.
   Mia podia oferecer-se a Matt. No era nisso que estava pensando? No podia fazer isso. Mas dormir com aquele homem seria algo excitante. Knight no a machucaria, 
no na cama. Por mais que isso parecesse uma loucura, ela sabia disso. O que aquele homem a faria sentir podia ser perigoso mas, ao mesmo tempo, prazeroso.
   E Matt estaria no comando. Mesmo quando a procurara, ela notara do senso de comedimento do ex-agente. Como seria faz-lo perder o controle? Faz-lo esquecer de 
si mesmo nos braos dela?
   - Estou esperando.
   - Eu poderia lhe pagar.
   - Quanto?
   - Quanto voc quer?
   - Oh, no sei. Deixe-me pensar. Que tal um bilho de dlares?
   Knight riu. Mia sentiu-se ficar corada e comentou:
   - Acha isso divertido?
   - No pode me comprar. No perca seu tempo tentando.
   Matthew no era estpido. A moa tinha de se lembrar disso, assim como precisava lembrar-se de que era uma agente treinada. Uma agente semitreinada, ela pensou, 
e conteve uma risada histrica.
   - Poderia dizer a Douglas que escapei.
   - De mim?
   - Sim.
   - Ningum acreditaria nisso.
   Uma colina crescia  frente deles, com rvores que pareciam estar ali h centenas de anos. Matthew reduziu a velocidade da caminhonete em uma curva fechada. E, 
de repente, um vale surgiu diante do casal. rvores altas. Samambaias exuberantes. E uma casa grande, que parecia ser toda de vidro.
   -  esse o lugar para o qual est me levando? Nenhuma resposta. Mia sentiu um n na garganta.
   -  aqui?
   - Apenas recoste-se e relaxe.
   - Mas... Onde estamos?
   - Onde ningum vai nos incomodar - respondeu Matt, e Mia se deu conta, naquele instante, de que o velho clich era verdade. Era possvel gelar de medo.
   A estrada para o vale no havia mudado: estreita, sinuosa. Um declive vertiginoso de um lado e uma parede verde do outro. Matthew amara aquele lugar quando o 
vira pela primeira vez, tantos anos atrs. O ex-agente passara um fim de semana ali, cortesia de um ricao, oficial do Departamento de Defesa, dono daquelas terras. 
"Minha esposa  colombiana. Ela herdou o terreno do tio, mas vou me desfazer da propriedade. No vale a pena manter isso aqui, no meio do nada", dissera o sujeito.
   O fato de a casa ser no meio do nada era o que atraa Matthew. Um inimigo determinado poderia encontr-lo em qualquer lugar. Porm, ali, o trabalho se tornava 
dez vezes mais difcil. E havia a beleza primitiva da floresta, o rio e a piscina escondidos em uma clareira que Knight pensava no ter recebido nenhum humano at 
a chegada dele.
   De volta a casa, o Servio Secreto era apenas uma lembrana ruim. O dinheiro se acumulava com o novo negcio. Ento, Matt telefonara para o sujeito do Departamento 
de Defesa e perguntara se ainda havia interesse em vender aquele terreno.
   Sim, havia, e o sujeito deu um preo que parecia adequado. De fato, qualquer preo teria parecido adequado. Matthew ainda acordava, no meio da noite, com imagens 
de Alita sendo violentada.
   De uma forma ou de outra, o ex-agente pensara em ir para a casa que agora era dele e, assim, livrar-se dos demnios. Matt ficaria em um lugar no qual o tempo 
e a maldade no tinham significado algum.
   Nunca descobriu se isso era verdade. Retornar  Colmbia passou a significar voltar para um pesadelo. Agora, o vale parecia o nico lugar seguro.
   Algo estava errado naquela histria. Ningum lhe contara a verdade. Voc se acostuma a isso quando est em uma terra de capa-e-espada. Mas Knight no estava mais 
nesse mundo.
   O coronel lhe pedira para achar a noiva. Parecia algo simples. Mas a moa insistia que no era noiva do coronel. E Hamilton parecia menos preocupado com o que 
poderia ter acontecido  mulher - que supostamente ele amava - do que se Matt a encontrara.
   No seria o bem-estar da jovem algo importante? Tratava-se de um pas grande, bonito. Porm, havia locais perigosos.
   Como era possvel que o coronel nunca tivesse demonstrado preocupao quanto ao fato de Mia estar ali sozinha? E como era possvel que a srta. Palmieri tivesse 
tentado traficar drogas? Por que fugia? Se a resposta fosse a cocana, Matthew a encontraria agora.
   E, finalmente, a pergunta de um milho de dlares. Como era possvel que o ex-agente s pensasse em ter Mia nua em uma cama?
   Knight parou a caminhonete do lado de fora da garagem. Tirou as chaves da ignio, achou a que era da porta da frente e saiu do carro.
   - Fim da linha. Todo mundo fora - disse o ex-agente.
   Mia nem piscou. A moa permanecia sentada, imvel, as mos entrelaadas no colo, os olhos fixos no que estava  frente dela. Ser que cada passo seria uma batalha?
   Knight deu a volta e abriu-lhe a porta da caminhonete, dizendo:
   - Vamos negociar. Voc sai e anda, ou vou pux-la e jog-la em cima de um de meus ombros. Como estou cansado, com fome e irritado, no serei gentil. Mas a deciso 
 sua.
   Matt quase riu diante do olhar que Mia lhe lanou, mas a moa no era estpida. Ela tirou o cinto de segurana e comeou a sair do carro. Knight a pegou nos braos 
e comentou:
   - No quero que se machuque.
   - Obrigada por tanta preocupao.
   Aquelas palavras eram como ferroadas de abelhas, afiadas e prontas para machucar. Porm, o ex-agente esperava aquele tipo de comportamento rude da jovem. Mentalmente, 
quanto mais Mia se distanciava do choque de encontr-lo no quarto dela naquele hotel, mais forte se tornava.
   Knight precisava mudar aquela situao. "No era uma coisa boa ter descoberto a forma de fazer isso?", o ex-agente pensou. Ento, agarrou-a e a beijou.
   No era o tipo de beijo que um homem d em uma mulher que mexe com o corao dele. Era o tipo de beijo que um homem d em uma mulher que ele quer dominar. Um 
beijo selvagem.
   Mia reagiu com medo, como Matt queria. Se contorceu, bateu com os punhos fechados nos ombros do ex-agente. Mas Knight foi implacvel, segurando-a com tanta fora 
que os esforos violentos da jovem apenas aumentaram o contato dos seios e das coxas dela com o corpo do americano. De alguma forma, a moa conseguiu libertar a 
prpria boca. Foi o tempo suficiente para tomar ar e xing-lo.
   A blasfmia ainda estava nos lbios dela quando Matt voltou a beij-la. Quando o beijo acabou, o ex-agente colocou as mos no rosto da jovem e a fitou. A, ento, 
viu o que queria: o desespero e a rendio.
   O que Matthew viu nos olhos de Mia foram lgrimas de uma mulher assustada. E era assim que ele a queria: assustada, indefesa, pronta para lhe contar o que precisava 
saber...
   Em um segundo, tudo mudou. Mia comeou a tremer, mas de uma forma que Knight entendia. Agarrou-se ao ex-agente e emitiu aquele som que quase o havia deixado de 
joelhos da ltima vez. Ento, permitiu que o americano a beijasse, deliciando-se com a quentura da boca aveludada.
   Matt estava perdido. Perdido no calor daquela mulher, na doura, na sensao de que ambos estavam sozinhos no planeta e que nada tinha importncia exceto aquele 
momento. Nada a no ser...
   Knight parou de beij-la. Deus, o que o ex-agente estava fazendo? Matt a afastou. A respirao dele era de algum que tivesse corrido um quilmetro e meio. E 
deixou que a raiva aflorasse ao perceber que a jovem estava tentando seduzi-lo. Sentia raiva de si mesmo por ser um alvo to fcil.
   - Voc est sempre oferecendo e, mais cedo ou mais tarde, vou aceitar - disse Matthew.
   A moa empalideceu. Ento, Knight a forou a levantar a cabea at que os olhos de ambos se encontrassem, e disse:
   - Est brincando com fogo. E, se voc se queimar, no me culpe.
   Obediente, Mia o seguiu, entrando na casa. No que tivesse escolha. Matt a segurava por um dos pulsos. Ficara evidente que a moa no era to boa em seduzir um 
homem quanto pensara ser. Um beijo, e o ex-agente soubera o que a jovem estava fazendo...
   A verdade era que Mia deixara de lutar contra Matt porque passara a desej-lo. A reao dela no fora planejada, apenas acontecera. A boca daquele homem parecia 
bem macia. E, sendo honesta, mesmo quando Knight forara os beijos, mesmo quando lutara contra o ex-agente...
   Mesmo naqueles momentos, Mia j o queria. Sentia-se como se todo o corpo estivesse pegando fogo, de uma forma que nunca sentira antes. Queria que Matt a carregasse 
para dentro da casa, encostasse em uma parede e a tomasse ali mesmo...
   - ...caf?
   Piscou, confusa. S ouvira o final do que o ex-agente dissera. Ser que requeria uma resposta? Mia comentou:
   - No escutei o que disse.
   - Eu disse que h uma cozinha no final do corredor. Sabe fazer caf, ou seus talentos comeam e terminam na cama?
   Pela segunda vez em poucas horas, Mia quis avanar e bater naquele homem. Mas sabia o quanto isso seria intil. Matt era muito grande, poderoso e terminaria rindo 
dela.
   Ainda assim, estava grata pelo que Knight dissera. Era o lembrete perfeito de que as fantasias sexuais com relao quele patife eram doentias.
   - De fato, adoraria uma xcara de caf. Mostre-me onde fica a cozinha e vou preparar um pouco. Se tiver sorte, pode ser que sobre para voc.
   - No final do corredor,  direita. O caf est no congelador. O acar est no armrio junto com algumas caixas de leite.
   - Uma ltima coisa. Onde voc guarda o veneno de rato? Odiaria deix-lo esperando enquanto procuro por isso - disse, sorrindo.
   - Continue assim. Veja at onde consegue ir antes que eu chegue com tudo.
   Mia esperava que Matt fosse atrs dela, mas o ex-agente no fez isso. At pensou t-lo escutado rindo, mas devia ter sido um equvoco.
   Foi fcil achar a cozinha - um cmodo grande, repleto de utenslios de ao inoxidvel e engenhocas suficientes para satisfazer a alma de qualquer homem. O caf 
estava onde Matthew dissera que estaria, assim como o acar e o leite.
   De quem era aquela casa? A moa se perguntava enquanto coava o caf. Mia foi at as portas de correr, que eram de vidro, e que davam para um deck rodeado de arbustos 
floridos.
   Um lugar to bonito como aquele no pertenceria a um assassino. Mas era isso que Matthew Knight era. Ele a levara at ali de modo que pudessem ficar a ss. Ento, 
poderia fazer o que quisesse para arrancar-lhe a verdade.
   Mia estremeceu. O que estava fazendo? Caf?! Matt a deixara sozinha. Tudo que havia entre ela e a liberdade era uma porta de vidro...
   - Nem pense nisso.
   A moa virou-se. Knight estava bem atrs. Como um homem daquele tamanho poderia andar to silenciosamente?
   - As portas e as janelas tm sistema de segurana. Toque em uma delas e todas vo se trancar. E sirenes vo tocar de forma que no haver chance de escapar de 
mim. Em outras palavras, voc est presa.
   Presa em uma armadilha. Aquilo era amedronta-dor, mas Mia no deixaria que Matt soubesse. Desviou-se dele e pegou o pote de caf.
   - Estou impressionada. Sistemas de segurana de alta tecnologia, todo esse terreno... Quem  o dono desse lugar?
   - Eu.
   A expresso dela deve ter demonstrado sua surpresa.
   - Quer ver a escritura?  minha, belezura. Por completo.
   - No me chame assim. E por que estamos aqui?
   - J lhe disse. Para termos paz e...
   - Droga, pare de brincar comigo. O que quer que seja que v fazer, apenas faa e acabe logo com isso.
   A mscara de uma pessoa tranqila havia cado. Matthew sentira o medo na voz dela e tambm o vira em seus olhos. Mia pensava que o ex-agente iria machuc-la a 
menos que contasse a verdade.
   Por pouco, Knight no se aproximara e a tomara nos braos, dizendo-lhe que no importava o que tivesse feito, ele no a machucaria. E no deixaria ningum machuc-la...
   Mas essa insanidade havia passado. Mia estava no ramo de drogas. E era a mulher de outro homem. Nada com relao a ela era bom, exceto senti-la em seus braos, 
o gosto daquela boca... Matt fechou os olhos e forou-se a respirar fundo. Depois, disse:
   - Conversaremos mais tarde. Agora, quero jantar.
   - Conversar? Quer que eu acredite nisso? Que me trouxe aqui para termos uma conversa civilizada?
   Matt a puxou, beijando-a e colocando uma das mos por baixo de sua camiseta para acariciar-lhe um dos seios.
   - Nada do que sinto por voc  civilizado. E no gosto disso. Entendeu? Estou cansado da senhorita me tomar por tolo. Pare com isso antes que eu seja forado 
a tomar alguma providncia com relao a essa histria.
   - No - disse a moa, com a voz alta e ofegante.
   - No o qu? No faa isso? - Knight a acariciava e Mia tentou sufocar o gemido que ecoava na garganta, mas o ex-agente o ouviu e ficou feliz.
   - Droga, eu a quero e voc me quer - disse Matthew.
   - No. No quero!
   Knight segurou-a pela nuca, os dedos entrelaados nos cabelos da jovem, e a beijou sem piedade. At que, finalmente, a moa se rendeu ao ex-agente e a si mesma, 
soluando o nome dele.
   - Matthew, oh, Matthew... - sussurrou Mia. Era a primeira vez que dizia o nome do ex-agente, e aquele som vindo dos lbios de Mia invadiu a corrente sangnea 
do americano. Nunca ningum dissera o nome dele da forma como Mia o fizera.
   - De novo. Diga meu nome mais uma vez. Como Mia no atendeu ao seu pedido, Matt a beijou com fora suficiente para saborear o sangue quente e salgado. De um dos 
dois, no tinha importncia. O que importava era o cheiro, o toque, o gosto daquela mulher.
   - Droga, diga meu nome - resmungou Knight.
   - Matthew, Matthew... - sussurrou.
   Mia estava se desfazendo nos braos dele. A jovem o beijava, passava as mos por baixo da camisa de Matt, acariciando-o. Ento, o ex-agente a empurrou de encontro 
 pia da cozinha. Pegou o decote da camiseta dela e o rasgou at embaixo. Depois, abaixou a cabea e mordeu suavemente um dos mamilos cobertos pelo suti de algodo. 
Quando a jovem gemeu, Knight voltou a mordisc-lo.
   Isso no era suficiente. O ex-agente precisava do sabor doce do seio desnudo. Matt levantou a cabea, beijou-a e, desajeitado, manuseou o fecho do suti, quebrando-o 
ao meio.
   Os seios de Mia eram bonitos. Redondos como mas e cor de nata. Matt queria que seus olhos se deleitassem com aquela mulher, mas no agora. No agora, quando 
podia saborear um daqueles seios delicados. Que gosto maravilhoso! Flores silvestres e mel!
   - Voc  linda. Nunca quis uma mulher como quero voc - sussurrou Knight, acariciando-lhe os seios.
   Mia tremia. Segurava-o com fora, remexendo os quadris contra os dele. Ento, Matt pegou uma das mos da moa para que sentisse o quanto o ex-agente estava excitado.
   Com um gemido suave, ela tocou o tecido de brim. Por um segundo terrvel, Knight teve medo do resultado daquele toque, daquela lamria feminina de desejo.
   - Matthew, por favor... - disse, desesperada. Seus joelhos se curvaram e ela caiu nos braos dele. Matt voltou a beij-la enquanto deslizava uma das mos por 
entre suas coxas, indo quele lugar secreto e doce entre as pernas femininas. Ento, Knight parou de beij-la e a fitou, observando-lhe os olhos enevoados de paixo.
   - Me diga.
   Mia ficou com os lbios entreabertos, mas as palavras que Matt precisava ouvir no lhe saram da boca. O ex-agente entendeu a razo. Ela sabia que aquilo era 
loucura, sabia que no devia estar acontecendo...
   - Vamos, diga - ordenou Knight.
   A jovem estremeceu. Colocou uma das mos no rosto dele e sussurrou:
   - Por favor, Matthew, por favor... Me leve para a cama.
   Um triunfo puramente masculino tomou conta de Matt. O ex-agente comeou ali mesmo e Mia colocou as mos ao redor do pescoo dele. Tentou enterrar o rosto quente 
em um dos ombros do americano. Porm, Knight no deixou. Preferiu beij-la at que suas bocas se fundissem de paixo. E, exatamente naquele segundo, o alarme disparou.
   
   
   CAPITULO CINCO
   
   O rudo do alarme chocou Mia, trazendo-a de volta  realidade.
   A moa lutou contra o abrao de Matt. No lugar de coloc-la no cho, o ex-agente intensificou o abrao e, rapidamente, caminhou pelo corredor, indo para um cmodo 
com estantes de livros.
   Um toque com uma das mos e uma parte da estante se afastou, revelando um pequeno quarto. Matt a colocou no cho e disse:
   - H um boto na parede ao lado da porta. Funciona como a tranca do lado de dentro. Pressione aquele boto, logo.
   - Mas...
   - Nada de mas, droga! Faa como lhe digo e rpido.
   Matt a empurrou para dentro do quarto e pegou a arma que estava na cintura dos jeans, dizendo:
   - Tranque a porta.
   - No. Matthew... Knight a fitou e disse:
   - Voc agora  um perigo.
   Mia ficou com os olhos cheios d'gua. A fisionomia de Matt no mudou, mas ele abaixou a cabea e a beijou.
   - Tranque a porta - disse Knight e recuou.
   Mia apertou o boto. A porta, to pesada quanto a de um cofre de banco, fechou, interrompendo seu contato com o mundo e com o som estridente do alarme.
   Um silncio assustador tomou conta do lugar. Mia abraou a si mesma. Os dentes rangiam. O que estaria acontecendo l fora? Colocou um dos ouvidos junto  porta 
e sentiu o toque frio do ao em sua face. Tudo que ouvia era a prpria pulsao.
   Mia recuou. Que tipo de quarto era aquele? Porta e paredes de ao. Nada de janelas. Um teclado numrico eletrnico, luzes piscando em diversas cores. Um relgio 
que mostrava a hora em todo  mundo, monitores de TV, celulares, algo que parecia um fax. E outros equipamentos eletrnicos que no conseguia identificar.
   Armrios ao longo de duas paredes. Mia os abriu e viu latas de comida, garrafes de gua, suprimentos para primeiros-socorros... E armas - pistolas, rifles automticos, 
munio.
   Tudo isso, alm da arma que Matthew tirara da cintura. Mia comeou a tremer. Por que a surpresa? Sabia quem ele era. Mesmo que, de alguma forma, tivesse se esquecido 
disso por alguns instantes, Knight no esquecera. Voc agora  um perigo.
   Mia voltou a estremecer. Estava frio. Quanto tempo ficaria presa naquele lugar? E se algo acontecesse a Matthew? O boto ativava a tranca, o ex-agente dissera, 
mas e se algo desse errado? O que aconteceria se no...
   Um barulho na parede. Mia girou e colocou um dos ouvidos  porta. Seria possvel que o corao batesse daquela forma sem explodir?
   O rudo voltou. Com uma lentido agonizante, a porta se abriu. Matthew estava diante dela, as mos nos quadris, olhos indecifrveis.
   Nenhum ferimento. Nada que Mia pudesse ver. Era errado sentir tamanho alvio. Errado querer se jogar nos braos daquele homem. Mas comeava a entender as coisas 
bizarras que o estresse podia causar a uma pessoa em situaes como aquela.
   - Pode sair agora.
   - O que aconteceu? Por que o alarme disparou?
   - Foi um acidente. Evalina...
   - Evalina?
   - Sim. Evalina viu a caminhonete atravessando o povoado, depois, virando para pegar a estrada. Ela decidiu ver se era realmente eu, mas no digitou o cdigo de 
segurana a tempo.
   Evalina, Mia pensou, e odiou a si mesma pela onda de raiva que a invadia.
   - Veja, Evalina sabe que no venho aqui h muito tempo. Ento, quando viu a caminhonete...
   - Evalina estava emocionada demais para pensar direito. Que bom para... - Mia comeou a se movimentar, impaciente.
   - Qual o problema, belezura? Com cimes?
   - Triste. Uma mulher fica to emocionada ao v-lo que entra em sua casa.
   - Voc est com cimes - disse Matt, abrindo um largo sorriso.
   - Isso  o que voc diz.
   - Evalina  minha empregada.
   A empregada. A explicao trouxe uma onda de alvio, e isso a deixou ainda mais irritada. Por que Mia se importaria?
   - Evalina vem uma vez por semana, limpa a casa, faz o que for preciso.
   - No  da minha conta o que ela faz ou quem .
   - Voc est certa. No . Apenas nos entendemos... Se ela fosse minha amante, eu no lhe esconderia isso. E no teria me aproximado de voc.
   - Um incidente lamentvel.
   - O fato de eu ter me aproximado de voc? Ou o fato de voc ter correspondido ao meu movimento?
   Matt podia ver pelo rosto ruborizado que ela sabia muito bem a resposta e no precisava dizer nada. Em vez disso, Mia o afastou. O ex-agente deixou que fizesse 
isso. O que acontecera antes era apenas o que Mia dissera, um incidente infeliz. Knight no deixaria que se repetisse. E a melhor forma de garantir isso seria manter 
as mos dele longe daquela mulher.
   - Presumo que queira se lavar. O banheiro  ali. Vou esperar por voc - disse o ex-agente.
   - No precisa me esperar.
   - Claro que preciso. Um cavalheiro sempre acompanha uma dama para jantar.
   - H algum cavalheiro aqui? No notei. Alm disso, no estou com fome.
   - Tem medo da comida feita por mim? No tenha. Evalina est fazendo o jantar.
   - J disse, no estou com fome.
   - Bom. Pode sentar-se e me observar comer. 
   - No vou fazer isso.
   - Sim, vai. Vai sentar-se quando eu me sentar, andar quando eu andar, fazer o que eu fizer, ou vou amarr-la, mant-la aqui e desativar o boto de sada.  uma 
sala de segurana - disse Matt, lendo a pergunta nos olhos de Mia. E complementou: - Pense nisso, talvez seja onde eu deva mant-la.
   - Pensando bem, estou com um pouco de fome.
   - Sim, foi o que imaginei.
   Havia uma sala de jantar separada da cozinha. Porm, Matt disse que ambos comeriam no recanto do caf-da-manh. O rei, pensou Mia, brincando de ser humilde perante 
os sditos... Embora parecesse que Evalina o tratava sem qualquer formalidade.
   A criada era uma mulher gordinha, alegre, que tagarelava incessantemente enquanto preparava e servia a refeio. Mia s conseguia entender parte do que Evalina 
dizia. Tivera aulas de espanhol durante dois anos na faculdade e em um curso entediante antes de trabalhar para Douglas, na Colmbia. Porm, o que as pessoas diziam 
nos restaurantes sofisticados e nos escritrios de Cartagena tinha pouco em comum com o dialeto indgena da empregada.
   Matthew, por outro lado, entendia com facilidade. E Evalina ficava corada de satisfao cada vez que o patro sorria e tambm ria. Era fcil perceber que a criada 
tinha uma queda por Knight.
   Se ao menos soubesse quem Matthew realmente era, Mia pensava enquanto comia. E jantou bem, apesar do que dissera. A comida estava maravilhosa e a moa, faminta. 
Desde a vspera  noite, tomara apenas uma xcara de caf.
   E agora, a noite voltava. Mia suspirou, aliviada. Agradeceu a Deus por Evalina. Sabendo que a empregada dormiria sob o mesmo teto, Matthew se manteria longe... 
O que a criada estava fazendo?
   - Evalina, espere...
   Tarde demais. Um aceno de mo e a empregada foi embora, saindo pela porta da cozinha. Mia fitou Matthew e indagou:
   - Aonde ela foi?
   - Para casa.
   - Evalina no mora aqui?
   - Mora em um povoado perto daqui.
   - Mas pensei...
   - Sei o que pensou. Lamento desapont-la, belezura, mas teremos de passar a noite sozinhos.
   O homem que fizera piadas com Evalina, que a elogiara pela comida, desaparecera. E fora substitudo por um estranho que raptara Mia h algumas horas, tirando-a 
de um quarto sombrio e sujo e levando-a para uma vila desconhecida. Mia forou-se a fit-lo e disse: 
   - Se tentar alguma coisa, eu o mato.
   - Com o qu? Com as prprias mos? - indagou Matt, sorrindo.
   Se fosse uma agente de verdade, poderia. Agentes aprendiam coisas assim. Mas ela fora treinada em menos de duas semanas, arrancada de sua mesa no escritrio da 
Inteligncia e jogada em um pesadelo.
   Ainda assim, no era preciso ser um espio para saber que desistir de um desafio era quase sempre um erro.
   - Farei o que tiver de fazer - respondeu Mia, com o que pensava ser uma frieza considervel.
   O sorriso de Matt desapareceu quando o ex-agente afastou a cadeira e se levantou, dizendo:
   - Nesse caso, vamos comear.
   Knight agarrou um dos ombros da jovem, que tentou no estremecer devido  presso.
   - Levante-se, Mia.
   - No. Eu juro, se voc...
   - Levante-se!
   A dor era quase insuportvel. Rangendo os dentes, Mia obedeceu. Matt a fez sair da cozinha, caminhar corredor abaixo e voltar  biblioteca. O corao da jovem 
disparou. Ser que iria tranc-la na sala de segurana?
   - Sente-se.
   Mia sentou-se, quase caindo da cadeira em frente a uma enorme lareira de pedra. Matt foi at um dos armrios. Pegou uma garrafa e encheu dois copos, oferecendo-lhe 
um. Ela fitou a taa como se esta pudesse explodir em chamas a qualquer minuto.
   - Pelo amor de Deus,  conhaque. Veja.
   O ex-agente levou um dos copos aos lbios, bebeu e depois fez o mesmo com o outro que lhe oferecera antes. S ento devolveu-lhe o copo, dizendo:
   - Beba. Talvez isso ajude a fazer com que voc recupere a cor.
   Mia aceitou a taa e tomou um pequeno gole. O conhaque era maravilhoso, quente e saboroso. Fechou os olhos e deixou que o fogo da bebida escorresse garganta abaixo. 
Ento, passou a lngua pelos lbios para tirar o gosto do conhaque.
   Ao erguer os clios, Mia viu Matthew observando-a. Os olhos do rapaz encontraram os dela.
   - Bom? - perguntou Matt, com a voz rouca. Mia balanou a cabea, concordando. O ex-agente sentou-se de frente para ela, rolando o copo por entre as palmas das 
mos para esquentar o conhaque, antes de beber um gole.
   - Hora de comearmos a falar de negcios.
   - No temos nenhum negcio.
   - Errado. Temos.
   O copo que estava nas mos dela comeou a tremer. O que teria de fazer agora seria manter-se calma e impression-lo com sua honestidade.
   - Veja. Entendo que Douglas o tenha contratado para me encontrar. Bem, voc me encontrou. Diga isso a ele. Ligue para o coronel, diga-lhe que fez o que ele mandou. 
E, ento, avise-o que no quero voltar para Cartagena. Depois, voc me deixa ir embora.
   - Voc vai embora e eu volto para Cartagena de mos vazias.
   - Hamilton vai pagar pelo servio. Quero dizer, ele ver que voc fez seu trabalho.
   - O coronel no est me pagando.
   A moa abriu bem os olhos, surpresa, e comentou:
   - Ento, por qu...?
   - Por que voc fugiu?
   A moa se levantou e respondeu:
   - J falamos sobre isso. Eu o deixei.
   - Voc fugiu. H uma diferena. Quero saber a razo.
   - No  da sua conta.
   Matthew levantou-se. Um segundo depois, havia encostado Mia contra a parede, pressionando-lhe os ombros.
   - O coronel bateu em voc?
   - No.
   - Abusou de voc?
   - No, droga. Me deixe.
   - Foi por isso que voc se tornou uma ladra?
   O corao de Mia acelerou. A moa pensou no pequeno CD, escondido no estojo de maquiagem, em sua bolsa, e na informao l contida.
   - No sei o que quer dizer.
   - D um tempo, belezura. Hamilton me contou tudo. O coronel a pegou usando o correio da embaixada para contrabandear cocana. Arriscou o prprio pescoo, acobertando-a, 
e voc retribui fugindo. Ele no sabe o motivo, mas eu sei. Voc fugiu com um pacote de cocana.
   Era para rir? Ou para chorar? O que era melhor, que Matthew pensasse que ela roubara drogas? Ou que soubesse que o que Mia de fato roubara colocaria Douglas Hamilton 
e um chefo das drogas em um presdio federal para sempre?
   No importava. Mia no podia lhe contar nada. Alm disso, por que ele se importaria com isso? O trabalho dele era encontr-la e lev-la de volta a Cartagena. 
Porm, ela no voltaria de jeito nenhum. Sabia, e muito bem, o que a esperava l.
   - Onde est a droga? Onde a escondeu?
   - Douglas mentiu. Ele lhe contou essa histria para que voc me encontrasse e me levasse de volta, mas no  verdade. No h drogas. Fugi porque ele no me deixaria 
abandon-lo.
   - Aqueles quartos separados. Que inferno, quem podia culp-lo? Voc  noiva dele.
   Mia engoliu em seco. Talvez a verdade, at onde i pudesse revelar, funcionasse.
   - Eu trabalhava para Hamilton nos Estados Unidos. Quando vim para Cartagena como assistente pessoal do coronel, ele disse que tinha uma casa enorme com muitos 
quartos vazios, e seria mais simples se eu morasse l.
   Mais simples para Mia tambm, como o Servio Secreto queria. Porm, a jovem no revelaria isso.
   Seria verdade? Matthew fechou um pouco os olhos. Isso explicaria os quartos separados, mas o ex-agente no havia nascido na vspera e comentou:
   - Boa histria.
   - Foi o que aconteceu. Foi bom por um tempo. Mas a o coronel comeou a dizer e a fazer coisas.
   Isso tambm era verdade. S de lembrar, ela sentia arrepios. E agora era chegada a hora de comear a florear a histria.
   - Eu disse que o denunciaria.
   - E?
   - E Douglas disse que ningum acreditaria em mim. No sou ningum. Ele  um coronel do Exrcito, com uma carreira brilhante.
   Matt a soltou e cruzou os braos, dizendo:
   - Ento, voc decidiu fugir.
   - Sim.
   - Viajar de carro por uma rea repleta de bandidos e rebeldes.
   Um msculo de uma mandbula se contraiu, e Matt acrescentou:
   - Exatamente como a maioria das mulheres faz, quando os noivos sugerem um comportamento desonesto.
   - Escutou alguma palavra do que acabei de lhe dizer? Hamilton no  meu noivo.
   Knight sorriu. No acreditava nela. Bem, por que acreditaria? Estava certo. A histria dela estava repleta de furos. Porm, o que mais ela podia lhe contar? J 
chegara perto de esquecer que Matthew Knight trabalhava para o homem que queria o que a jovem tinha a ponto de ser capaz de mat-la.
   Matt estava brincando com Mia. Bom policial. Mau policial. Ningum nunca disse que um ator pudesse aceitar dois papis... Principalmente se Knight descobrisse 
que a prisioneira tremia a um toque dele.
   De repente, tudo se tornou evidente. A escurido aumentava. O silncio. A floresta aparentemente interminvel e as montanhas que os separavam do resto do mundo. 
O homem em p, a alguns centmetros dela, de braos cruzados, de forma que cada msculo do torso permanecesse saliente.
   O corao de Mia bateu acelerado. Ela recuou e disse:
   - Est tarde e estou exausta. Voc planeja me deixar dormir um pouco? Ou esse interrogatrio vai durar at que eu desmaie?
   - Interrogatrio? Belezura, voc no sabe o significado dessa palavra. Estamos conversando.
   Matt olho para o relgio e comentou:
   - Mas voc est certa. Sim, j  hora de encerrar a noite. - O rapaz inclinou a cabea na direo do corredor e acrescentou:
   - Vamos para a cama.
   Dessa vez, o corao dela pulou, indo at a garganta.
   - O que isso quer dizer?
   - Por que, docinho? O que acha que quer dizer? O sorriso dele era, em parte, sensual, em parte, um tormento. Matt segurou-lhe um dos cotovelos, mas Mia se recusou 
a mexer-se.
   - No vou dormir com voc, sr. Knight.
   - No consegue dizer meu nome, belezura?  Matthew. Quero dizer, considerando as circunstncias, seria tolice agirmos com formalidade.
   - Eu disse...
   - Sim. Ouvi o que disse. Parece-me que j falamos sobre isso. Voc vai fazer o que eu mandar.
   - No. No vou dormir com...   
   -Ande.
   - Matthew. Por favor...
   - Basta - resmungou Matt, pegando-a e jogando-a por cima de um dos ombros.
   Tremendo, Mia bateu com os punhos nas costas dele. Matt a ignorou, carregando-a pela casa escura at um enorme quarto onde a colocou no cho e acendeu as luzes.
   - Meu quarto. Espero que as acomodaes agradem  senhorita.
   - No faa isso! Voc no  o tipo de homem que eu...
   - No sou? - Matthew trancou a porta. Ento, virou-se para Mia, os olhos frios, e continuou:
   - At agora, voc me acusou de ser tudo, desde um monte de msculos de aluguel at um assassino. Por que no ficaria feliz em acrescentar estupro  sua lista?
   - Porque...
   - No importa. - comentou Matt, passando por ela, caindo em cima dos travesseiros arrumados ao longo da cabeceira da cama. - Estou cansado demais para besteiras. 
Se quiser considerar isso um estupro, problema seu. - Knight bocejou, cruzou os braos atrs da cabea e descalou as botas que caram no cho. - O chuveiro  ali. 
V primeiro.
   - Se acha que vou me arrumar para...
   - Querida me de Deus - rugiu Matthew. Mia recuou. Tarde demais. O ex-agente a empurrou para dentro de um banheiro enorme e ligou o chuveiro.
   - Tire as roupas.
   - No vou fazer isso. J disse...
   - Ento, eu vou fazer.
   Mia ergueu os punhos, mas Matt desviou as mos dela como se fossem insetos. Ento, despiu-a com eficincia, tirando-lhe a camiseta, descalando-lhe as sandlias, 
desabotoando e tirando-lhe as calas.
   Ela lutava, batia, chutava, gritava e o xingava. Bem, Knight no podia culp-la. Mas o americano estava exausto e irritado. E pior: Matt parecia ter esquecido 
como se pensava com exatido. O ex-agente tentava descobrir se Mia era o que Hamilton dissera ou se era outra coisa.
   E j estava farto de tentar descobrir como continuava beijando aquela mulher quando tudo a apontava como um problema. Como era possvel que a sensao daquela 
pele feminina, sob suas mos, mexesse tanto com ele, mesmo agora? O cheiro dos cabelos tambm, aquele cheiro de flor...
   Knight a deixou de calcinha e suti. Basta, a mente dele o avisou. E, dessa vez, Matt a ouviu e largou-a.
   - Tudo bem. Minha vez.
   Matt comeou a tirar a camisa. A jovem soluou e girou em direo  porta.
   - Pelo amor de Deus - exclamou Matt, e virou a tranca. Ento, pegou-a e a colocou embaixo do chuveiro. Mia teria de passar por ele se tentasse escapar. E, de 
jeito nenhum, Matt deixaria que isso acontecesse.
   O americano jogou a camisa de lado. Tirou os jeans, mas permaneceu de cuecas. Ento, entrou no chuveiro e fechou a porta de vidro fume.
   Mia estremeceu e recuou. A expresso da jovem quase o fez rir. Da vez que estivera ali, no quarto de hspedes, o oficial que era o dono da casa acordou de manh 
cedo com um grito que nenhum homem crescido deveria dar.
   Todos vieram correndo. Encontraram o homem naquele mesmo chuveiro, encostado  parede, uma cobra do tamanho do Amazonas no cho. A expresso do sujeito era a 
mesma de Mia agora.
   Matt passou por ela. O ex-agente pegou um sabonete da prateleira e o mostrou  moa. Depois, esticou-se em direo s esponjas. Mia no se mexeu. Tudo bem. Iria 
deix-la jogar do jeito dela. Matt ensaboou uma das esponjas e esfregou o rosto. Depois, o corpo, tirando a poeira da estrada e o suor do dia.
   A jovem o observava. Da forma como aquele homem se apresentava, um antroplogo pensaria estar observando um ritual tribal. Matthew pegou o xampu e fez bastante 
espuma. Depois, ele o tirou. Porm no como gostava, cabea para trs, olhos fechados. Se fechasse os olhos ali diante da mulher, provavelmente ganharia uma joelhada.
   Quando acabou de se lavar, Matt entregou-lhe o sabonete e a outra esponja. Com a boca seca, olhos semicerrados, Mia pegou o que lhe era oferecido, sem agradecer. 
Esfregou o sabonete na esponja. E comeou a se lavar. O rosto. O pescoo. Os braos.
   E, durante todo o tempo, a gua jorrava, caindo em sua pele. O suti branco ficou ensopado e transparente. Matthew podia ver os seios da jovem. Baixou o olhar. 
A calcinha estava ensopada tambm. Dava para ver-lhe a feminilidade.
   E o perfume do sabonete... E como o cheiro nela era diferente? Saia do chuveiro, Matthew, a mente lhe dizia. Agora, seu tolo.
   Em vez de sair, a viu lavar os cabelos. Viu a massa escura cair pelas costas enquanto ela erguia os braos, jogava a cabea para trs e levantava o rosto em direo 
 gua.
   Matthew gemeu. Mia abriu os olhos. A jovem o fitou. Depois, baixou o olhar e o viu excitado. Em seguida, a moa ergueu os olhos, chocada, deixando o xampu cair.
   - Eu pego - Matt avisou.
   O rapaz abaixou-se, pegou o vidro, levantou-se... E colocou o xampu de volta na prateleira. E, que inferno, a nica forma de fazer aquilo era aproximando-se dela.
   - Voc deixou cair um pouco.
   - O qu?
   - Deixou um pouco de espuma em um dos ombros.
   Mia no se mexeu. Matt se aproximou e, com a ponta dos dedos, tirou a espuma do ombro dela. Depois, abaixou a cabea e beijou-lhe a pele, molhada e perfumada. 
O som que veio da garganta dela era to suave quanto um sussurro do vento.
   - Sabe por que havia sabo em seus ombros? Mia balanou a cabea, o olhar fixo no dele.
   - Porque voc no pode tomar uma chuveirada direito se estiver vestida.
   Matt se aproximou e abriu o fecho do suti. A jovem comeou a tremer enquanto ele abaixava as alas lentamente, pelos ombros dela. Os seios de Mia eram belos. 
Knight abaixou a cabea e beijou-lhe o pescoo. Depois, um dos seios.
   Mia gemeu, ergueu os braos e colocou as mos espalmadas no peito de Matt. Ele enganchou os polegares no cs da calcinha. Gentilmente, abaixou-a. Depois, agachou-se 
diante da moa de forma que pudesse tirar-lhe a roupa ntima.
   Knight beijou-lhe os ps, os tornozelos. Ergueu o rosto e beijou-lhe as coxas. Ento, encostou o rosto na feminilidade de Mia, sentindo o cheiro do sabonete, 
da mulher, do desejo.
   - Mia - Matt sussurrou e a beijou intimamente. Ela gemeu, um som alto e selvagem to excitante quanto o gosto dela. Suas mos estavam nos cabelos de Knight. Seus 
quadris balanavam. Mia estava chorando.
   Matt se levantou. Colocou as mos no rosto de Mia e a beijou profundamente, deixando-a sentir os sabores mesclados do desejo de ambos. Ento, fechou a torneira, 
pegou-a nos braos e dirigiu-se ao quarto.
   
   
   CAPTULO SEIS
   
   O luar iluminava a cama.
   Matthew deitou Mia em um mar de linho branco. Ela abriu os braos e o ex-agente sussurrou o nome dela. Depois, beijou-a. Aquele gosto de mel o fazia sentir-se 
pleno. Podia beij-la para sempre, e nunca ficaria entediado.
   Matt mordiscou o lbio inferior de Mia. A moa arfava e ele abrandou o machucado com beijinhos. Mia soltou um gemido. Aquele som delicado, o corpo arqueado na 
direo dele, tudo isso fez com que o rapaz fechasse os olhos diante de tanto prazer. Os seios dela encostados em seu peito. Matthew acariciou-os e exultou ao ver 
a excitao da jovem.
   - Gosta quando toco seus seios? - Knight perguntou.
   A moa respondeu beijando-o. Para Matt, sexo era prazer, mas no a ponto de perder o controle, no at o ltimo segundo de libertao. E, ainda assim, estava 
prestes a perder o controle naquele momento. Podia sentir isso acontecendo. A realidade estava escapando. Podia escutar o sangue pulsando nas veias.
   Knight estava to excitado que chegava a doer. Nunca, em toda a sua vida, quisera uma mulher como queria Mia. Ainda acariciando um dos seios da jovem, Matthew 
o beijou. O gemido da moa ecoava na noite silenciosa.
   - Matthew - Mia sussurrava.
   Rolou por cima dela, passando uma das mos por todo o corpo da jovem. A pele sedosa perfumada de desejo. E Matt a fizera sentir-se daquele jeito. Era o responsvel, 
ningum mais.
   Ela o acariciava tambm - ombros, trax, abdmen e mais abaixo. Knight prendeu a respirao. Mia o tocou intimamente. Matt jogou a cabea para trs e gemeu, excitado 
com a carcia.
   Ele quase no conseguia suportar. Matt tinha de det-la, pensou, e fechou uma das mos ao redor dela... Em vez disso, o ex-agente mostrou-lhe como enlouquec-lo. 
Ento, pegou uma das mos da jovem, levou-a  boca e beijou-a.
   - Ainda no, querida.
   Matt prendeu-lhe os pulsos, colocando os braos dela acima da cabea. Ento, beijou a pele macia que deixara exposta. Mordiscou-a at voltar aos pulsos novamente. 
At voltar aos seios. At acarici-la com a mo, que estava livre, por entre as pernas de Mia.
   O gemido quase o fez chegar ao clmax. Aquele som continha a gloriosa rendio feminina, a sensao do calor mido na palma da mo, tudo isso quase o descontrolou.
   Matthew fechou os olhos e lutou para manter a compostura. Mia estava tremendo embaixo dele. Soluava seu nome. Contorcia-se.
   - Mia - Knight disse, intensificando a carcia ntima.
   A moa perdeu o controle, tentando alcanar a boca de Matt para mord-lo, lutando para libertar os braos.
   - No - Mia soluava.
   - Sim - disse Matt, erguendo-a de forma que a moa ficasse vulnervel.
   Mia era to bela, frgil... Matt a beijou intimamente e sentiu a intensidade da reao, os gemidos, os sussurros. E, quando ela se perdeu em seus braos, Knight 
sentiu algo acontecer dentro dele, algo que no tinha muito a ver com sexo, e sim com alegria.
   Matt a ergueu, segurando-a firme. Ento, beijou-a na boca. E, quando os olhos dela encontraram os seus, quando viu os lbios de Mia formando seu nome, os corpos 
de ambos se tornaram um s. Mia ergueu os quadris e prendeu as pernas em torno da cintura do ex-soldado.
   - Matthew - disse, e ele comeou a se mexer. Devagar. Profundamente. Indo ao encontro do calor sedoso daquela mulher. Depois, recuando. E o ritmo de fazer amor 
acelerou. Os gemidos da jovem se tornaram ofegantes e Matt sentiu a incrvel tenso, a energia, a longa escalada at o topo, e o instante em que ele se equilibrou 
no ponto mais alto do mundo...
   Mia comeou a tremer e agarrou os braos de Matt. Ento ele viu os olhos da jovem enevoados com o que estava acontecendo a ambos... S ento, o ex-agente jogou 
a cabea para trs e ecoou o grito dela enquanto caa no precipcio.
   Ambos permaneceram em um emaranhado de linho e  luz do luar, dois estranhos abraados.
   Um ar fresco vindo das ps de um ventilador de teto os atingia. Talvez por isso, de repente, Mia sentiu frio... Ou talvez tenha sido o atordoado retorno do juzo.
   Abriu os olhos e fitou as sombras no teto, e sentiu o poderoso peso do corpo de Matthew em cima dela... O sangue gelou. Perdera o juzo? At ento, Mia dormira 
apenas com dois homens. Um rapaz com quem namorara na poca da faculdade e um homem de quem quase fora noiva. Conhecia cada um muitos meses antes de deixar as coisas 
irem assim to longe.
   Entretanto, Mia conhecera Matthew Knight h menos de 24 horas. E ele no era um rapaz de faculdade, de expresso doce, ou um pretendente apaixonado. Era um monte 
de msculos de aluguel, contratado para lev-la de volta para Cartagena. Contratado por um homem que queria muito o que ela tinha no estojo de maquiagem, o suficiente 
para v-la morta.
   Mia deve ter feito algum barulho, porque Matthew ergueu a cabea e a olhou, perguntando:
   - Qual o problema?
   - Nenhum.
   - Sou muito pesado para voc - disse Matt e rolou na cama, soltando-a. Mia comeou a se mexer, mas ele a puxou para os seus braos.
   - Ei - disse Knight, com suavidade.
   - Ei, voc - retrucou Mia, forando um sorriso. Matt lhe deu um beijo suave. Como um homem como esse poderia ser to carinhoso?
   - Tem certeza de que est bem?
   - Sim.
   - Porque se foi rpido demais...
   No foi. Havia sido maravilhoso. Sexo incrvel com um homem que a raptara...
   - No, foi tudo bem.
   - Entendi. Voc est bem, e o sexo foi bom. Ento, vamos ver, em uma escala de um a dez, qual a marcao? Uns quatro?
   - No. S quis dizer...
   - Voc quis dizer que no sabe que diabos est fazendo aqui, deitada nos meus braos.
   Mia sentiu-se corar. Besteira. Qual o motivo para ficar corada, considerando o que haviam acabado de fazer?
   - No quero falar sobre isso.
   - Bom. Nem eu, porque tambm no tenho respostas. - Matt a puxou, segurando-lhe os pulsos, os olhos to luminosos quanto uma esmeralda  luz da lua.
   - Tudo que sei  que queria fazer amor com voc desde que a vi.
   - Isso foi antes ou depois de invadir meu quarto? Matt soltou-lhe uma das mos, segurou-lhe o rosto de modo que Mia no tinha escolha a no ser fit-lo, e disse:
   - Sim. Invadi. E a forcei a vir comigo. E voc ainda tem algo que pegou em Cartagena. No sei o que . Nem mesmo sei quem voc . Mas nunca quis uma mulher da 
forma como a quero.
   -  uma fala charmosa. Sempre fun...
   Mia arfou quando Matt a beijou ardentemente. Mia lutou, mas ele no teve misericrdia at que ela se entregasse quele beijo.
   - Est vendo? Voc tambm sente o mesmo. - Matt sussurrou, acariciando-a.
   - No! No quero voc...
   Matt voltou a beij-la, agora com suavidade.
   - Tenho sido soldado a vida toda. Vivo segundo um cdigo. Chame isso de cdigo de honra, disciplina, tudo significa a mesma coisa. Eu honro meus compromissos.
   - Isso quer dizer: no espere um tratamento especial apenas pelo que ns...
   - Isso quer dizer que foi a primeira vez que quebrei o cdigo. No devia ter feito amor com voc.
   Matt deu-lhe um beijo to suave que Mia sentiu o corao derreter.
   - A verdade  que no sei o que vai acontecer. S sei que conversando no se faz nada - o ex-agente disse e, com uma das mos, acariciou-lhe um dos seios. - Mas 
isso faz - complementou Knight, a voz baixa e ardente.
   Voltou a beij-la at que ela soubesse que estava certo. Nada importava a no ser aquele homem e a forma como ela se sentia quando Knight a tocava. A forma como 
gemia sob as carcias dela. O gosto daquele homem poderoso, sal e paixo, quando Mia o beijava.
   Quando os dois corpos voltaram a se fundir, Matt a conduziu de modo que ficasse cega a tudo, exceto ele mesmo. O suor brilhava nos ombros do ex-agente. Mia beijava 
a pele salgada e erguia os quadris, indo ao encontro dos impulsos poderosos de Knight.
   A onda de excitao aumentava. A moa implorava para que ele terminasse com aquilo. E Matt cedeu. Ambos gemiam quando Mia caiu nos braos dele. A jovem chorava 
de alegria, desespero, tantas emoes que ameaavam destru-la.
   - Mia - disse Matt.
   Ela, porm, balanou a cabea. No pensaria em nada. No agora. Em vez disso, Mia o beijou. Depois, adormeceu nos braos dele.
   A moa acordou quando a lua estava indo embora. Apenas uma luz suave no quarto. Mais adiante, alm da cama, a porta da varanda permanecia aberta aos sussurros 
suaves da floresta e da noite.
   Matthew dormia de bruos. Permanecia com um dos braos em torno da cintura de Mia, uma das coxas sobre as dela. A respirao era suave e os cabelos sedosos faziam 
ccegas na face da jovem.
   Mia fechou os olhos e pensou no que havia acontecido ali. Na forma como se entregara quele homem, repetidas vezes. Oh, Deus, o que aconteceu comigo?
   Aquela paixo selvagem a atordoara. Nunca se sentira daquela forma. Nunca.
   Pensou nos dois amores do passado. Dois homens bons, normais. Um estudava para ser professor. O outro era advogado com um escritrio e uma vida normal.
   Mia soubera de tudo que era preciso saber sobre os dois. Onde moravam, quais livros liam, que msica escutavam. Sabia tanto sobre ambos que, quando dormiu com 
eles, nada, nem mesmo o sexo, parecera novo.
   O que fizera com Matthew, o sexo... A verdade era que nunca sentira tanto prazer at essa noite. Tudo o que fizera com aquele homem era novo, excitante e perigoso, 
assim como ele prprio.
   Matt era um belo animal, selvagem e incapaz de ser domado. Mia no conseguia imagin-lo preso, atrs de uma mesa em um escritrio, das nove da manh s cinco 
da tarde.
   O americano dissera ter passado boa parte da vida como soldado. Porm, ela no conseguia v-lo desempenhando aquele papel, usando uniforme, marchando, recebendo 
ordens e fazendo continncia.
   Matthew Knight era um homem que raptara uma mulher. Revistara-a. Forara-a a obedec-lo. Exceto que no a forara a ceder ao toque dele. No a forara a nada 
na cama.
   Mia tinha sido uma participante ativa, trocando carcias e beijos. Ficou corada s de pensar nas coisas que fizera, na forma como implorara para que Matt a tomasse 
e a levasse em uma viagem que jamais fizera.
   Sentiu um n no estmago: medo. Mia dormira com um estranho. Fizera coisas que desejava poder esquecer. E o que realmente sabia sobre aquele homem era que ele 
fora enviado para lev-la de volta para a morte certa nas mos de quem o contratara... Ou para fazer o servio ele mesmo.
   O frio que sentia na barriga se transformou em gelo. Mia voltou a observar Matthew. Ele continuava dormindo. Parecia tranqilo e belo. O rosto, o corpo. Era um 
anjo misterioso e, ainda assim, o toque dele podia ser suave, a boca, doce.
   Contendo a respirao, Mia mexeu-se, libertando-se do brao msculo. Endireitou uma das pernas at conseguir tir-la de baixo da dele. Ento, sentou-se e afastou 
a colcha que Matthew colocara sobre ambos. E, com cuidado, levantou-se da cama.
   Onde estavam as roupas dela? No banheiro. Sentiu-se enrubescer ao lembrar-se de Matt despindo-a, de como a forara a ficar nua na frente dele, no quanto fora 
terrvel...
   Oh, Deus, como havia sido excitante! A forma como a despira a deixara molhada. Depois, como tirara as roupas ntimas dela. Ento, fizeram amor. Mia nunca havia 
acreditado que o sexo pudesse ser to poderoso.
   Ser que era por isso que estava fugindo? Para salvar a vida dela? Ou para salvar a prpria alma? Para abandonar um homem que podia machuc-la? Ou para escapar 
do que ele a havia ensinado sobre si mesma? Sobre sensualidade, e como era ser acariciada at ronronar como uma gatinha.
   H um ano, a moa levava uma vida normal. Levantava-se, vestia-se, ia para o escritrio onde era secretria em um montono departamento do governo que lidava 
com o Servio de Inteligncia. Porm, tudo se resumia a estatsticas surpreendentes.
   Mas "normal" e "montono" estavam bem para a jovem. A infncia no fora nem uma coisa nem outra. O pai era jogador, a me estava sempre doente...
   Fechou os olhos. A verdade era que a me era uma alcolatra. E Mia,  medida que crescia, nunca soube o que o dia seguinte traria. A menina ansiava por uma vida 
calma, previsvel, e encontrara uma.Ento, certa manh, o chefe disse que queriam a presena dela no sexto andar. Tome o elevador de carga, o homem disse. Mia achou 
aquilo estranho, mas agiu como havia sido instruda. E entrou em um mundo que nem sabia existir.
   Era um mundo chamado Servio Secreto. Uma mulher em um terno de seda preto a cumprimentou e a conduziu pelo corredor at um enorme escritrio. Ento, apresentou-a 
a um homem a quem tratava por diretor.
   O diretor conversou por alguns minutos. Ento, a expresso dele tornou-se grave.
   - Srta. Palmieri - ele disse - voc trabalhou para o Coronel Douglas Hamilton durante o ano em que ele esteve aqui, em Washington.
   - Sim - Mia respondeu -, est correto, trabalhei. 
   - De acordo com nossos registros, o coronel Hamilton ficou muito satisfeito com voc.
   - Com o meu trabalho? - Mia perguntara, porque a verdade era que Hamilton no estivera feliz com outras coisas. Por exemplo, a forma como ela evitava trabalhar 
at tarde da noite porque algo no jeito como o coronel a olhava a deixava desconfortvel. - Acredito que sim - a jovem retrucou.
   - Srta. Palmieri - o diretor dissera -, vou lhe oferecer uma oportunidade de servir a seu pas.
   Mia estremeceu. Mas o pas dela no a servira. Descobrira que era descartvel. O homem com quem dormira era a prova final. E a moa fizera amor com ele... Sexo. 
No amor. No sabia por que a distino era importante, mas era.
   A pequena mala estava na cadeira, mas Mia no arriscaria acordar Matthew de seu sono leve com o farfalhar da maleta.
   O armrio ocupava uma parede inteira. Ela conteve a respirao ao abrir as portas, mas o ex-agente no se mexeu. Havia roupas dobradas nas prateleiras. A jovem 
pegou uma camiseta e calas de moletom. Teria de ficar sem sapatos.
   Quase sem respirar, pegou a mala e a bolsa, e saiu do quarto na ponta dos ps. Atravessou o corredor, chegando ao vestbulo. Ali estava a porta da frente. Ser 
que o alarme estava armado para disparar mesmo que algum estivesse deixando a casa? Mia esperava que no. Do contrrio, teria de rezar para conseguir alcanar a 
caminhonete antes que Matthew viesse correndo.
   O ex-agente deixara as chaves em uma mesinha perto da porta. Porm, ao chegar l, Mia descobriu que no havia chave alguma. Impossvel. Tinha certeza de t-lo 
visto colocando as...
   O lustre de cristal do vestbulo acendeu-se. Ela gritou e, com uma das mos, protegeu os olhos daquele claro... Ento, viu Matthew a menos de dois metros de 
distncia. O ex-agente usava apenas jeans e estava encostado  parede. A fisionomia dele a lembrava do quanto aquele homem era perigoso.
   -  isso que est procurando? - Matt perguntou, erguendo uma das mos e balanando as chaves.
   
   
   CAPITULO SETE
   
   Matthew a surpreendera.
   Bom. Era o que queria. Momentos antes, quando acordara e sentira Mia se movendo ao seu lado, sua reao fora mscula e instantnea. Mesmo depois de fazer amor 
com a jovem duas vezes, Matt acordou vido para tom-la novamente.
   Knight sabia que aquilo no fazia sentido. Ela era prisioneira dele, uma ladra que lidava com drogas. Hamilton apenas lhe pedira que a encontrasse. Porm, Matt 
a queria. O fato de terem feito amor no havia saciado sua fome, apenas a aumentara.
   Havia tantas coisas que no tinham feito. Coisas que queria fazer enquanto observava o rosto dela. Queria ir mais lentamente, beijar-lhe o corpo inteiro, procurar 
por todas as partes sombrias e explor-las.
   Podia parecer loucura, mas fazer amor com Mia fora diferente. Ela se mostrara inocente e desamparada, terna e selvagem e, nos ltimos minutos, quando os dois 
corpos se fundiram, quando a jovem comeara a tremer, Matt se sentira como se tivesse alcanado o limite do universo.
   No. Nada daquilo fazia sentido. Porm, Matt era um homem de ao, no de introspeco. Por que tentar descobrir o que havia causado tal atrao sexual?
   Viver essa atrao era o que importava. Matt estivera  beira de fazer isso h alguns minutos. Quase a puxara para perto dele e a beijara. Porm, algo o detivera. 
Talvez o jeito cauteloso de Mia. Se comportava como se fosse feita de vidro. Matt dissera a si mesmo que estava reagindo de forma impetuosa. Ela pensava que ele 
dormia. No quisera acord-lo. Talvez quisesse ir ao banheiro, e estivesse tentando sair da cama sem perturb-lo.
   Errado. Ao se desvencilhar de um dos braos dele, a jovem no se dirigiu ao banheiro, e sim ao armrio. Com os olhos quase cerrados, o ex-agente a observara enquanto 
escolhia uma camiseta, um moletom e os vestia.
   Foi ento que Mathew compreendeu tudo. Mia estava se arrumando para fugir e deix-lo. Matt disse a si mesmo que era uma forma louca de definir aquela situao. 
Ele a raptara, a levara at ali contra a vontade dela. Tratava-se de uma guerra entre os dois. E a primeira obrigao de um prisioneiro era tentar escapar.
   Tudo fazia sentido, exceto que Mia no era mais uma prisioneira. Era... Droga, o que ela era? Uma mulher que Matt levara para a cama, apenas isso. Fizeram sexo. 
Nada mais, nada menos. E o ex-agente agira como um tolo ao adormecer com ela nos braos como se ambos fossem amantes, em vez de amarr-la, como havia planejado.
   Mia o deixara seduzi-la. Ou talvez tenha sido o contrrio. Talvez tudo tenha sido deliberado. Quis que Matt baixasse a guarda e ele, idiota, consentira. E, ainda 
assim, quando a seguira pelo corredor, uma parte tola dele esperava que a jovem s estivesse indo  cozinha em busca de um copo d'gua, uma xcara de ch.
   Certo, pensou, ao observar a expresso de horror de Mia ao v-lo ali. Definitivamente, uma mulher no iria em busca de um copo d'gua com a maleta em uma das 
mos.
   - Matthew. Voc acordou. Ele no respondeu.
   - Eu estava apenas...
   - Eu sei o que voc estava "apenas" - retrucou Matt, sacudindo as chaves. - Voc estava apenas procurando essas chaves.
   - No, no estava. Por que eu iria...
   Mia arfava e caiu para trs quando Matt veio em sua direo. Bateu com as costas na parede e ele a pegou pelos ombros.
   - No sei. Diga.
   - Eu estava procurando minha bolsa. Pensei que voc a tinha deixado em cima da mesinha e...
   - Essa bolsa que est pendurada em um de seus ombros?
   - Veja. Sei o que parece, mas...
   - O que isso parece, Mia? Diga.
   - H uma explicao simples. Se me der um minuto, eu...
   Mia gritou quando Matt a levantou do cho.
   - Matthew, voc est me machucando.
   - Geralmente, no  o cara que  acusado de chegar, resolver o problema, e dizer, obrigado, madame?
   A jovem enrubesceu e disse:
   - Isso  vulgar.
   - E no iramos querer vulgaridade, certo? Quero dizer, isso no se aplica ao tipo de mulher que transa com um homem na esperana de torn-lo descuidado.
   - Nojento!
   - Estou apenas dizendo como . Fomos para a cama juntos, voc revirou meus miolos...
   Mia lhe deu uma tapa. Matt agarrou-lhe um dos pulsos, arrastando-lhe um dos braos de modo que ficasse atrs das costas. Em seguida, puxou-a para perto dele.
   - Gosta de jogar duro? Que inferno, belezura, topo, se  isso que quer.
   - Me largue!
   - Certo. Assim que eu a tiver em algum lugar bom e seguro.
   Matt seguiu pelo corredor, arrastando-a. Ento, fez com que ela entrasse no quarto e acendeu as luzes. Depois, pegou a maleta, a bolsa e a empurrou de encontro 
 cama.
   Knight podia ver o pavor nos olhos dela. Bom, ele pensou. Mia devia estar aterrorizada.
   - V para a cama.
   - Por favor, Matthew...
   - V para a cama. Ela obedeceu.
   - Um movimento, apenas um, e vai se arrepender.
   - Se ao menos me escutasse...
   - Se me causar problemas, vou tranc-la na sala de segurana. Depois de tirar todas as armas de l, claro. Ento, eu a tranco do lado de fora. E a, quem sabe, 
querida? Posso esquecer que coloquei voc l.
   Mia correu at a porta da varanda, que estava trancada, e disse:
   - Abra.
   Gritou quando os braos de Matthew a prenderam. Ele a carregou de volta para a cama, jogando-a l e deixando um par de algemas em cima da mesinha-de-cabeceira.
   - No, Matthew... - pediu a moa, soluando.
   - Deite-se e coloque as mos acima da cabea.
   - Matthew. Eu lhe imploro. O que quer que Douglas lhe tenha dito...
   Knight levantou a cabea. Mia nunca vira olhos to vazios quanto os dele.
   - Esse  o problema. Esqueci o que o velho Dougie me disse sobre voc e seus joguinhos.
   - No  verdade. Nunca...
   - Nunca aplicou nenhum de seus truques com ele? Faa um favor a ns dois, querida. No me aborrea com mentiras. Sei tudo sobre essa histria.  muito ruim que 
no me tenha lembrado disso mais cedo. - Matt pegou as algemas e acrescentou:
   - Estique as mos.
   Mia no se mexeu. Matthew xingou, agarrou o pulso esquerdo da jovem, prendendo-o com uma das algemas. Em seguida, fez o mesmo com o pulso direito. O barulho das 
algemas sendo fechadas era semelhante ao da porta de uma priso sendo batida.
   - Eu juro... - disse Mia, as lgrimas escorrendo pelo rosto.
   Implacvel, Knight colocou as mos da jovem acima da cabea, prendendo uma corda s algemas e amarrando-a  cabeceira da cama.
   - Isso vai funcionar.
   Era terrvel a sensao de estar amarrada. Mia comeou a chorar quando Matt se dirigiu  porta do quarto e a fechou.
   - Matthew, por favor! - Soluava enquanto o ex-agente se aproximava.
   Knight despiu os jeans. O ex-agente estava excitado e no deu a mnima se ela o via assim ou no. Que inferno, Matt queria que Mia o visse assim e tivesse medo 
dele.
   A moa se encolheu quando Matt deitou-se na cama.
   - No - ela sussurrou.
   - No o qu? No faa isso?
   Com os olhos fixos nos dela, Matt acariciou-lhe um dos seios. Depois, passou uma das mos por entre as coxas macias. Mia soltou um gemido. No como antes. No 
era de desejo, e sim de medo. Tudo bem para Matt.
   - Fique quieta ou vou tampar sua boca - disse ele, apagando as luzes.
   Mia fitava a escurido. At conseguia ver aquela massa bruta ao lado dela. Matt tamparia a boca da jovem. Sim, o ex-agente faria isso. Ela ficou calada e sufocou 
os soluos.
   Knight mexeu-se. Deitara-se perto de Mia, que, pouco depois, ouvia o som suave da respirao dele. O seqestrador adormecera.
   Matthew dormiu como planejara. Vinte minutos. Nem um segundo sequer a mais, nem a menos. E acordou refeito, como se tivesse dormido a noite inteira. Aprendera 
a fazer isso nas Foras Especiais. Cam fora o primeiro a aprender coisas do Oriente. Exerccios de respirao. Tai-chi da mente, o irmo dizia, e Matthew e Alex 
riam, at verem que funcionava.
   Matt explorara mais e descobrira diversas tcnicas Zen. Uma ensinava a separar a mente do corpo. Isso o ajudara a preservar a prpria sanidade mental, naquele 
mesmo pas, quando ele e Alita foram torturados.
   A outra era um exerccio da mente que induzia ao sono. Um sono profundo, o tipo necessrio quando tudo que se tinha eram minutos em vez de horas.
   Isso havia funcionado. Matt estava descansado. E tinha de estar, porque, quando amanhecesse, precisaria de um plano. Qual seria a forma mais efetiva de forar 
a prisioneira a dizer a verdade? E era o que ela era, uma prisioneira. Como podia ter se iludido e t-la visto como outra coisa?
   Mia no era uma mulher bonita que Matt conhecera em uma festa. Era uma criminosa, ou teria sido, se o amante no a tivesse protegido. O fato de ter esquecido 
isso provava o quanto estava afastado dos dias em que era um espio.
   Tudo bem. Knight cometera um erro, mas no cometeria outros. Permaneceu deitado no escuro, sentindo a fora que flua por todo o corpo, as teias de aranha sumindo 
da mente. Estava bem agora.
   Ela era o assunto, uma tarefa e... E que som era aquele? Mia estava chorando baixinho. Que chorasse! Ela o usara, e Matt no gostara disso. Ou talvez no tenha 
gostado de si mesmo, por ter sido idiota o suficiente para deixar que aquilo acontecesse.
   De uma forma ou de outra, a deixaria chorar. Matt a manteria deitada ao lado dele, os braos em uma posio que no causaria danos, mas que era desconfortvel. 
Permitiria que a imaginao de Mia trabalhasse, pintando imagens vividas do que faria com ela... Ou do que j fizera.
   Matt a tomara nos braos. Beijara-a, sentira a doura de sua boca. Beijara e acariciara os seios, as coxas. Sentira, em sua mo, o orvalho quente da feminilidade 
da jovem. Quando os dois corpos se tornaram um s, exultara ante os gemidos, os gritos, o jeito como aquela mulher soluava o nome dele... Droga! Knight sentou-se 
e virou-se na direo de Mia.
   - Pare com esse choro.
   Podia ver que Mia estava tentando obedec-lo, mas no conseguia. Bem, e da? O choro de uma mulher nunca matou ningum. Exceto, talvez, o homem que o ouvia.
   - Ouviu o que eu disse? Pare de se lamuriar. Isso me irrita e, acredite, voc no vai querer me irritar mais ainda.
   Ela tentou conter as lgrimas, mas no adiantou. O choro se intensificou. Ento, Matthew levantou-se, cruzou o quarto e entrou no banheiro, batendo a porta.
   Permaneceu um longo tempo de cabea baixa e com as mos na beira da pia. Ento, acendeu a luz e mirou-se no espelho. Parecia um homem que tivera uma rpida viso 
do inferno.
   Ligou o chuveiro. Primeiro, uma ducha bem quente, o mximo que podia suportar. Depois, uma ducha gelada. Baixou a cabea, deixando a gua cair no pescoo e nos 
ombros. Em seguida, ligou as duchas laterais e deixou que o jato atingisse os msculos das costas e dos quadris.
   Parecia que estivera naquele mesmo chuveiro h cem anos, quando vira Mia diante dele. E observara a gua transformando os cabelos da jovem em seda, vendo o suti 
ficar transparente...
   Matthew xingou. Que tudo aquilo fosse para o inferno! Precisava de um plano. No importava se ela tinha drogas consigo ou no. Depois, decidiria se a levaria 
de volta para Hamilton ou a mandaria para os Estados Unidos ou...
   Besteira! Matt desligou o chuveiro e se secou. Respirou fundo. Ento, enrolou a toalha na cintura e abriu a porta do banheiro.
   A luz invadira o quarto. Viu Mia, deitada como a deixara, os braos acima da cabea, os pulsos algemados. A cabea estava curvada, mas, assim que a luz a tocou, 
a jovem ergueu o queixo. O rosto estava marcado pelas lgrimas, mas o velho jeito provocativo retornara. Manifestava-se pela salincia do queixo e pelo brilho dos 
olhos inchados.
   Matt caminhou at ela e tirou-lhe as algemas. Mia choramingava. No teria se incomodado com aquilo na poca em que trabalhara no Servio Secreto. Mas no fora 
essa uma das razes pelas quais Knight deixara aquele trabalho? Porque o Servio Secreto era um buraco negro que quase lhe sugara toda a humanidade?
   A reao dele no tinha nada a ver com Mia. Teria sentido isso por qualquer pessoa. Sim. Certamente, teria. Matthew pigarreou e disse:
   - Isso vai passar em alguns minutos.
   Mia no respondeu. Matt agarrou-lhe os ombros. Ela tremia e tentou se afastar.
   - No seja tola. Deixe-me ajud-la a fazer com que a circulao volte. Voc se sentir melhor.
   Gentilmente, Matt esfregou-lhe os braos. O tremor passou, mas ainda havia lgrimas nos olhos de Mia. Como era possvel que aquelas lgrimas o deixassem com um 
n na garganta? Matt tocou os pulsos esfolados e comentou:
   - No devia ter lutado contra as algemas.
   Mia no respondeu. Bom. Matthew conseguira o que queria, assustando-a a ponto de deix-la submissa. A verdade era que no precisaria mais das algemas hoje  noite. 
Ela seria dcil. Alm disso, Matt estava bem acordado. Iria vigi-la.
   - Melhor?
   Nenhuma resposta. Knight pegou as mos de Mia. Estavam geladas. No estava frio no quarto. O ventilador de teto estava funcionando, refrescando o quarto sem esfri-lo.
   Matt colocou uma das mos no rosto dela, que tambm estava gelado. Choque? Choque fsico completo? No. Ela no tinha nenhum dos outros sinais.
   Ento, choque emocional. Isso fazia sentido e explicava o tremor, o consentimento... E aquelas lgrimas nos olhos.
   - Que inferno! - Matt resmungou.
   Ele a abraou. E Mia voltou  vida em um segundo, empurrando o peito e os ombros dele. Para quem deveria ser dcil..., o ex-agente pensou, e quase riu ao perceber 
o quanto lhe fazia bem v-la brigar ao se recobrar.
   - Calma. No vou machuc-la.
   Mia conseguiu libertar uma das mos e tentou lhe dar um tapa, mas no tinha fora. Porm, ela o atingiu no queixo.
   - Droga! Eu disse que no ia machuc-la!
   Matt pegou a mo dela e a colocou entre os dois enquanto puxava o lenol e a coberta. Mia continuava tremendo. Nervosismo, raiva, medo... O que quer que fosse, 
era necessrio deter aquilo.
   Knight a puxou contra si. A jovem lutou, contorcendo-se. Porm, ele a manteve presa, acariciando-lhe as costas. Aos poucos, Mia parou de lutar. Matt sentiu o 
corpo dela se aquecendo, os tremores diminuram. E, por Deus, o ex-agente sentiu o milagre de t-la nos braos novamente.
   Matthew fechou os olhos, abaixou a cabea e sentiu o perfume dos cabelos sedosos. O aroma fez com que a corrente sangnea disparasse. Uma garrafa de champanhe 
Dom Perignon no teria um efeito mais poderoso.
   O corao de Mia batia acelerado. Uma vez, anos atrs, quando Knight tinha 8 ou 9 anos, ele e os irmos andavam a cavalo na fazenda. Os trs brincavam, fingindo 
que eram guerreiros comanches, descendentes da tribo da me, de quem mal se lembravam.
   Ento, o cavalo de Matthew empinou. Mesmo assim, Matt foi um bom cavaleiro. Equilibrou o animal, checou ao redor. Cascavis eram sempre uma ameaa e os cavalos 
tinham pavor delas. Foi quando o menino viu um ninho pequeno, comum, feito de galhos e folhas secas. Porm, continha um milagre. Um filhote de passarinho indefeso, 
incapaz de voar.
   Matt apeou. Com cuidado, pegou o filhote nas mos e sentiu o corao dele bater, aterrorizado. Nenhum dos trs sabia o que fazer. Finalmente, Matthew colocou 
o ninho em uma rvore, pegou algumas minhocas e colocou-as l dentro, ao lado do passarinho. Dois dias depois, quando Matt voltou, o filhote permanecia imvel. O 
corao havia parado de bater.
   Agora, tantos anos depois, o corao de Mia batia acelerado de medo, assim como o do passarinho. Talvez ela fosse tudo o que Hamilton dissera. Ou talvez existissem 
razes para explicar o que a jovem fizera. Quem sabe tudo que Matt precisasse fazer fosse perguntar-lhe...
   Matt engoliu em seco. Talvez aquilo no tivesse importncia. No era perfeito, fizera coisas que nem mesmo admitiria para si mesmo.
   - Mia, querida, me desculpe se a apavorei.
   - Douglas mentiu para voc.
   - No importa. No tenho o direito de julg-la.
   - Voc teria todo o direito se eu tivesse tentado traficar drogas. Mas no fiz isso. Nunca trafiquei drogas. Nunca!
   - Silncio.
   Matthew colocou as mos no rosto da jovem e beijou-lhe as lgrimas que estavam nos olhos. Depois, beijou-a suavemente nos lbios. Ento, puxou-a para perto e 
a embalou.
   Podia sentir a tenso se desfazendo. Outro beijo. Queria apenas segur-la e acalm-la. Mia estava quente, suave.
   Mais um beijo. S mais um e, se por acaso, a boca da jovem se prendesse  dele, se Mia suspirasse e colocasse os braos em torno de seu pescoo...
   - Mia, querida - sussurrou Matt.
   As mos dela se aproximaram devagar do trax do ex-agente, alcanando os ombros, depois a nuca. Quando ele a beijou, foi correspondido.
   Antes que Matthew pudesse pensar, uma das mos dele estava embaixo da camisa de Mia, acariciando-lhe um dos seios. Ela gemeu e o beijo se aprofundou.
   De repente, a jovem se afastou. Os olhos, repletos de dvidas, encontraram os dele.
   - No sei quem voc  nem o que . Isso  loucura. No podemos. No devemos...
   Mia interrompeu a fala. Em um soluo desesperado, o beijou com paixo, incendiando-o. Tiraram juntos as roupas dela. E Matt mergulhou naquele corpo feminino sedoso. 
No final, Mia chorava de felicidade. E ele se sentia pleno, feliz.
   
   
   CAPTULO OITO
   
   Momentos antes, Matthew adotara uma antiga tcnica de meditao para tirar uma soneca repousante. Agora, tudo de que precisava era fazer amor com Mia e depois 
v-la adormecer em seus braos.
   Havia ainda muitas perguntas sem respostas... Mas, naquele exato momento, tudo o que importava era Mia, quente e suave, abraada a ele.
   Matt sentiu o corpo da jovem relaxar. Beijou-a e a ouviu suspirar, a cabea ainda apoiada em um de seus ombros. Knight a puxou para perto dele. Todas aquelas 
perguntas, pensou... E ambos adormeceram.
   Sob a fraca luz prateada, antes do amanhecer, com os suaves pios de aves na floresta, Mia acordou nos braos de Matt. A boca do rapaz estava prxima  nuca da 
jovem. As mos dele cobriam os seios dela.
   Mia comeou a tentar virar aqueles braos msculos, mas Knight no deixava. Em vez de solt-la, ele a tomou. Sem preliminares. No havia necessidade. Ela estava 
pronta e desejava ser dele.
   Gritou quando ele comeou a se mexer, cada vez mais rpido. E, quando Matt gemeu e a mordiscou, ela viajou com ele em direo ao sol.
   Momentos mais tarde, Matt tomou-a nos braos. Os olhos de Mia ardiam.
   - Matthew - ela sussurrou e colocou uma das mos no rosto dele. Matt levou-a  boca e a beijou.
   E permaneceu deitado, observando-a, segurando-a at que ela voltou a dormir.
   Knight deve ter dormido tambm, porque s se lembra de ter visto depois o sol em seu apogeu. Mia continuava nos braos dele. Fios de cabelo estavam no canto de 
sua boca. Ento, com a ponta de um dos dedos, Matt os afastou, beijando-a depois.
   Era to bom segur-la daquele jeito... Estar com Mia naquela casa que, uma vez, esperara amar. E, em vez disso, odiara.
   Que besteira! Uma casa era apenas uma casa, Matt compreendia agora. Se um homem tinha pesadelos, isso no tinha nada a ver com o lugar onde estava. Os sonhos 
ruins continuariam chegando at que ele os perseguisse e os expulsasse da prpria mente.
   O fato de Mia estar ali com ele o fizera sentir-se diferente em relao  casa, at mesmo em relao  Colmbia. O problema era que Matt ainda se sentia da mesma 
forma em relao a si mesmo.
   Alita. O nome veio at Matt como ocorria com freqncia. No fora capaz de salv-la. Seria capaz de salvar Mia? Ela estava fugindo de algo. Porm, ele no podia 
proteg-la at que soubesse do que se tratava. Mia no era uma ladra, nem traficava drogas. Knight apostava a prpria vida com relao a essas duas coisas.
   Ento, por que Mia estava fugindo? Por que correria risco por causa do cartel? Se no havia nada entre ela e Hamilton, por que o coronel a queria de volta? Por 
que mentira e dissera que havia?
   Matthew suspirou. Algumas peas do quebra-cabea estavam faltando. A nica certeza que tinha era que faria o que fosse preciso para proteger a mulher que estava 
ali em seus braos. Mia precisava da proteo de Knight.
   E Matt... No. Que inferno! No precisava dela. A queria, sim, mais do que jamais quisera qualquer mulher. Mas precisar dela? Nunca precisara de ningum. E no 
precisaria.
   Matthew franziu as sobrancelhas. Com cuidado, tirou um dos braos, que estava embaixo dos ombros de Mia. Fitou-a mais uma vez e, ento, levantou-se. Pegou um 
short de brim e saiu do quarto.
   Mia estava sonhando. Caminhava por um corredor, escuro e estreito, com Matthew. Aonde vamos? perguntara, mas o rapaz permanecera calado.
   Havia um homem no final do corredor. A moa no conseguia ver o rosto dele, mas sabia quem era. Por favor, disse a Matthew, no me faa ir para ele. Matt continuou 
caminhando, a mo apertando a sua.
   Com o corao acelerado, acordou. A luz do sol entrava pela janela, iluminando parte das ptalas cor-de-rosa da orqudea que estava no travesseiro a seu lado.
   Os ltimos vestgios do pesadelo desapareceram. Sorrindo, Mia pegou a orqudea e a levou aos lbios. O que importava era o que havia acontecido na noite anterior. 
O sorriso esmaeceu. A no ser que tambm tivesse sido um sonho...
   Mas no era. Mia soube disso assim que tomou uma ducha e se vestiu. Depois, seguiu o aroma de caf fresco que vinha da cozinha. Ento, viu Matt de costas,  porta 
do deck, que se encontrava aberta. Vestia shorts e camiseta, as mos dentro dos bolsos.
   O corao de Mia acelerou. Aquele homem belo, forte e incrvel era amante dela. Matt virou-se e a viu. Olhos indecifrveis, maxilar contrado. A incerteza voltara. 
Ambos haviam explorado o corpo um do outro. Ainda assim, ela no sabia nada a respeito dele. Ou por que Douglas o escolhera para ca-la...
   - Bom-dia - disse Knight, com suavidade, e tudo mudou: os olhos, a expresso. E, quando abriu os braos, a moa parou de pensar e correu para aquele abrao.
   - Lamento ter dormido at to tarde - disse Mia, sorrindo.
   - Deve mesmo lamentar. Graas a voc, estou faminto - comentou Matt, intensificando o abrao.
   - Voc devia ter tomado o caf-da-manh sem mim.
   - No estou falando do caf-da-manh - e a beijou.
   Conduziu-a at o deck. Ontem, ela s o vira de relance. Agora, podia observar que acompanhava a extenso da casa, com muro de pedra. O ar estava perfumado com 
a fragrncia das flores que transbordavam dos canteiros de terracota.
   - Isso aqui  maravilhoso - disse Mia.
   - Pensei em tomarmos o caf-da-manh aqui fora.
   - Sim. Seria perfeito.
   Ambos fizeram a refeio sentados a uma mesa de vidro, protegida do sol por um enorme guarda-sol azul. Evalina tinha ido ao mercado local, mas deixara tudo pronto 
para os dois: ovos mexidos, bacon e tortillas - um tipo de po zimo, feito de farinha de milho ou de trigo.
   - Que lugar  esse? Onde estamos? - perguntou Mia.
   - Estamos nos Andes, em uma cadeia de montanhas chamada Cordilheira Oriental.
   -  como se estivssemos no topo do mundo.
   - O povo local chama esse lugar aqui de Cachalu: Terra do Cu.
   - E  toda sua?
   - No toda, mas boa parte.
   - Mas voc  americano.
   - Passei algum tempo aqui, anos atrs.
   - Aqui? Quer dizer, nesta casa?
   - Eu estava no pas e passei alguns dias aqui, a trabalho. Na poca, o dono era outro.
   - Um amigo?
   - Apenas um conhecido. No algum que eu pudesse chamar de amigo. Um sujeito que conheci no trabalho.
   - Pensei que tivesse dito que era soldado.
   - Fui.  uma velha histria.
   - Desculpe. No quis ser intrometida. Matthew pegou uma das mos de Mia, entrelaando os dedos nos seus, e disse:
   - No, querida. Eu  que lamento. Na verdade, o tempo que passei aqui no foi... No gosto muito de reviver o passado, entende? Alm disso, por que falar de mim 
quando podemos falar sobre voc?
   No podiam falar sobre Mia. Ele faria perguntas que ela no poderia responder. No sem estar totalmente certa do real motivo pelo qual o ex-agente estivera  
sua procura. E, se o corao de Mia estivesse certo, se Matthew no soubesse a verdade sobre Douglas, contar-lhe muita coisa o colocaria em risco tambm.
   - No h muito o que falar sobre mim - comentou a jovem, sorrindo.
   - Aposto que sim. Qual o seu sorvete favorito? Gosta de futebol americano? Consegue entender uma palavra do que Bob Dylan diz? Como se sente com relao a Mahler?
   - Mahler? - perguntou a moa, erguendo as sobrancelhas.
   - Sim. Gosta de futebol americano... ou no? Mia riu e respondeu:
   - Chocolate. Sim. No muito. Matthew abriu um largo sorriso e comentou:
   - Uma mulher com personalidade. Gosto disso.
   - E sobre voc?
   - Morango. Sim. No...
   - Eu quis dizer, por que Douglas o contratou para vir atrs de mim?
   Mia no tencionava perguntar aquilo, mas as palavras saram instintivamente. Piscou e viu o sorriso do americano desaparecer.
   - Matthew, no quis dizer...
   - Tudo bem. Direto ao ponto. Que inferno, por que no? Por exemplo, o que a fez vir para a Colmbia?
   A jovem o fitou. A verdade veio parar na ponta da lngua. Explicaria que, num dia, era secretria; no outro, uma desconhecida agncia do Servio Secreto a transformara 
em espi.
   -  uma pergunta simples, querida. Que tal responder?
   Matthew continuava sorrindo. Porm, seus olhos cerraram um pouco. Mia sabia que aquilo significava que ele estava analisando cada palavra. Tudo bem. Ela lhe contaria 
a verdade - o mximo que pudesse.
   - Eu era secretria em Washington. Ento, meu chefe me disse que havia uma vaga em Cartagena. E perguntou se eu estaria interessada.
   - E voc aceitou.
   - Sim.
   - Voc havia solicitado transferncia?
   - Bem, no.
   - Tem fluncia em espanhol?
   - No sou fluente, mas...
   - Mas, mesmo assim, seu chefe decidiu envi-la a Cartagena. Estou certo?
   Os dedos de Mia continuavam entrelaados aos de Matt. Ela queria se sentir livre. Parecia errado estarem de mos dadas quando a voz e os olhos dele voltaram a 
ser os do estranho que a raptara.
   - No fale comigo nesse tom - disse.
   - S estou tentando entender as coisas. Quero dizer, que inferno,  como se voc fosse aquela personagem Dorothy, de O Mgico de Oz, presa em um tornado, sabe? 
Aquela velha frase, Acho que isso aqui no  mais Kansas, Tot. Um dia, Washington D.C. No outro, Cartagena. Trabalhando como assistente pessoal de Hamilton e vivendo 
naquele mausolu enorme e luxuoso, nas colinas.
   - Eu j havia trabalhado para Douglas antes, quando ele serviu em Washington.
   - Ento, Hamilton fez uma solicitao especial. O coronel pediu a Washington que a desse para ele.
   - Ningum me "deu" a Douglas.
   - No vamos ficar dando voltas, tudo bem? Hamilton solicitou voc.
   Mia conseguiu soltar a mo que estava presa  dele e perguntou:
   - O que isso importa?
   - Nada, apenas uma conversa amigvel. S estou tentando compreender como uma mulher nomeada para trabalhar na capital federal acabou na Amrica Latina.
   - Lembra-se do que disse sobre a Colmbia?  linda, mas perigosa.
   - Cartagena  uma cidade no litoral em que o principal problema do dia  qual clube visitar  noite.
   Mia empurrou a cadeira para trs e se levantou. Matt logo fez o mesmo e perguntou:
   - Aonde est indo?
   - J disse, no gosto de seu tom de voz.
   - E no gosto de gente que pensa que pode me deixar falando sozinho.
   Mia virou-se e encaminhou-se para a casa. Matt foi atrs dela, puxou-a por um dos braos e virou-a de forma que o fitasse.
   - H alguma coisa entre voc e Hamilton?
   - J respondi isso.
   - O coronel pensa que h.
   - No posso fazer nada com relao ao que Douglas pensa.
   - No dormiu com o coronel?
   - Se dormi, voc no tem nada a ver com isso. Matt apertou ainda mais o brao da jovem e disse:
   - Tenho sim.
   - No, no tem. Voc e eu passamos a noite juntos. Isso no lhe d o direito de me fazer perguntas sobre as pessoas comas quais dormi.
   Matthew a fitava. Os olhos de Mia irradiavam rebeldia. Estava irritada e tinha todo o direito de estar. Tinha razo. O passado de Mia s interessava a ela... 
Mas Matt se desesperava s de pensar que ela estivera com um homem como o coronel.
   - Voc tem razo. Seu passado no  da minha conta. Mas, de agora em diante, se olhar para outro homem...
   Matt a beijou. Por um segundo, Mia recuou. Depois, ficou na ponta dos ps e colocou os braos em torno do pescoo dele. Matt pensou no que acabara de lhe dizer, 
da loucura de reivindicar algo de uma mulher que nem conhecia.
   Ento, parou de pensar e a carregou at uma espreguiadeira, em um canto isolado do terrao. Os dois se despiram e seus corpos se tornaram um s.
   No calor do meio-dia, eles desciam por uma trilha estreita que avanava por uma rea repleta de carvalhos. Matthew carregava uma mochila em um dos ombros. Mia 
levava uma garrafa d'gua.
   Matt no lhe dissera aonde iam, exceto que era um lugar especial e muito bonito. Ainda assim, quando deixaram as rvores e chegaram a uma clareira, pequena e 
exuberante, Mia arfava, surpresa.
   - Oh. Voc estava certo.  maravilhoso.
   - Sim. Imaginei que voc fosse gostar.
   Mia olhava tudo ao redor, as rvores, a grama, a cachoeira que formava uma piscina de gua natural.
   -  como o Jardim do den.
   -  tranqilo e intacto. O tipo de lugar onde voc pode se sentir seguro.
   Ela o olhou. Logo soube que Matthew Knight lhe dera uma vaga idia dele mesmo, que era mantida oculta de todos. Parecia que o ex-agente compreendera isso, porque 
lanou um sorriso rpido, embaraado. Ento, colocou a mochila embaixo de uma rvore e tirou a camiseta.
   - Tudo bem. O ltimo a entrar na piscina vai ter de lavar a loua do jantar.
   -Vai nadar naquela gua? 
   - Certamente. 
   - Mas e as cobras? O ex-agente tirou as sandlias e perguntou:
   - O que tem as cobras?
   - Matthew...
   - Ainda no vi nenhuma sucuri. Mia ficou plida.
   - Uma sucuri?
   - Sim. Talvez uns seis metros de comprimento, uns sessenta centmetros de largura... Querida, estou brincando. Nada de sucuris, crocodilos, jacars. Estamos nas 
montanhas. O rio Amazonas est bem longe daqui.
   - No trouxe maio. Matt riu, tirando os shorts.
   - Vamos nadar nus.
   O olhar de Mia percorria o corpo do amante. Matthew era espetacular, magnfico. Pura masculinidade. Aqueles ombros. O trax. Aquele corpo surpreendente...
   - No  justo.
   - O qu? - a moa indagou.
   - Voc est me observando. Mas no est me dando a mesma oportunidade.
   - Claro, eu...
   - Exatamente. Estou nu. Voc est vestida. Deixe-me ajud-la a despir-se, querida.
   - Posso fazer isso.
   - Posso fazer melhor.
   Tinha razo. Oh, sim, podia fazer muito melhor. Era bom sentir aquelas mos msculas nos braos enquanto ele lhe tirava a camiseta. O toque dos dedos no abdmen 
enquanto abria-lhe o zper do short. O sussurro em seu pescoo ao baixar a cabea e abrir o fecho do suti.
   - Voc  to bela! - disse Knight e a beijou. Mia retribuiu o beijo. Seus dedos se entrelaaram nos cabelos sedosos e espessos na base do pescoo de Matt, os 
seios nus contra o peito musculoso.
   Os dois tinham feito amor vrias vezes e, ainda assim, estava pronta para ele novamente. O lugar secreto entre as coxas estava quente e mido. E Knight tambm 
estava pronto para Mia. A excitao dele era a prova.
   Lentamente, ela se ergueu, movendo os quadris na direo dos dele. Matt voltou a beij-la com intensidade.
   - Bruxa - sussurrou.
   Saber que a queria tanto assim era algo eletrizante. Mia no tinha experincia, mas no era tola. Sabia que Matthew podia ter qualquer mulher que quisesse... 
E ele a queria.
   Mia riu e perguntou: 
   -  isso que sou?
   - Sabe que .
   A jovem colocou os braos ao redor do pescoo de Knight. Ergueu uma das pernas e a enroscou em uma das dele. O ex-agente gemeu de desejo, e isso a fez sentir-se 
poderosa.
   - Continue assim. Vou encost-la em uma rvore e tom-la aqui mesmo.
   - Faa isso.
   Tudo nele havia mudado. Os olhos ficaram sombrios, a boca afinou. Por um momento, Mia teve medo do homem que se tornara seu amante... O homem que pensava que 
viera para mat-la.
   - Matthew?
   As mos dele agarraram os ombros da jovem. Knight a ergueu, colocando-a na ponta dos ps, e a beijou enquanto a empurrava de encontro a um enorme carvalho  beira 
da clareira.
   - Matthew, espere...
   Tarde demais. O grito de Mia se perdeu em meio ao som da cachoeira enquanto os dois corpos se tornavam um s. E ele a levou ao paraso.
   Ficaram juntos por longos segundos, corpos suados, pulmes quase sem ar. Ento, Knight estremeceu e puxou Mia.
   - Querida, desculpe.
   A moa balanou a cabea e disse:
   - Oh, no. No tem por qu.
   - Eu a machuquei? Deus sabe que eu no queria. Apenas...
   - Voc no me machucou. Isso foi...
   - Maravilhoso.
   - Sim.
   Matt a fitou e a beijou. Mia retribuiu o beijo e repousou a cabea no peito dele.
   - Eu nunca soube...
   - No, nem eu.
   Knight a manteve perto dele at sentir que os coraes de ambos tinham desacelerado. Ento, se afastou e a observou. Os cabelos dela estavam embaraados. Pedacinhos 
de folhas presos ao corpo. O rosto brilhava, a boca inchada por causa dos beijos...
   - Mia, eu...
   - O qu? - Perguntou e esperou. A floresta parecia esperar com ela. Todas as criaturas que moravam ali se calaram para ouvir palavras que nem Mia nem Matt poderiam 
ser loucos para dizer ou sentir.
   - Estou contente por ter encontrado voc.
   A moa ergueu os olhos na direo dos dele e disse:
   - Tambm estou feliz por me ter encontrado. Matt a beijou vrias vezes. At porque havia mais a dizer, mas ainda no estava pronto para isso.
   - Hora do banho - disse o ex-agente, rindo.
   - No. A gua deve estar fria!
   - Pronta ou no - falou e correu em direo  piscina. Rindo, carregou-a para a parte mais funda. Mia chutava, gritava e ria, o suficiente para que Matt desejasse 
congelar aquele momento e mant-lo assim, para sempre.
   - Mia...
   - Matthew - a jovem sussurrou e o beijou.
   A boca quente daquele homem contrastava com a gua fria da piscina natural, aquele corpo msculo estava rgido contra o dela. E, finalmente, Mia soube que no 
fazia sentido mentir para si mesma. Entre ontem e hoje, se apaixonara por Matthew Knight.
   
   
   CAPTULO NOVE
   
   Dias e noites transcorriam.
   No havia relgios para olhar, nenhum mundo externo para observ-los, nenhuma regra para obedecer. Os amantes riam e conversavam. E banqueteavam-me com as refeies 
que Evalina preparava e deixava para os dois. Bebiam o vinho estocado na adega. Nadavam na piscina atrs da casa e se deleitavam na banheira de hidromassagem, no 
deck.
   Caminhavam pela floresta e dirigiam pelas estradas estreitas que serpenteavam as montanhas. Divertiam-se com jogos e assistiam a filmes de terror tarde da noite, 
via satlite. Isso , faziam essas coisas quando no estavam se amando.
   - Gosta disso? - Matthew perguntava, abaixando a cabea em direo aos seios da moa.
   - E disso? - sussurrava, afastando-lhe as pernas.
   - E disso? - indagava, enquanto os dois corpos se tornavam um s.
   Os suspiros, os gemidos dela lhe diziam tudo o que o precisava saber. Tudo, exceto o real motivo pelo qual a jovem fugira de Cartagena.
   Agora, Matt a conhecia. Mia era bela e feminina, caminhando na direo dele, nua, enquanto saa da piscina no meio da floresta. Poderia ter sido pintada por Botticelli.
   Mas era forte em todos os sentidos. Knight no conseguia v-la fugindo de Hamilton, no importava o quanto fossem indesejveis as atenes do coronel. Ela teria 
fitado o patife e dito o que pensava a respeito dele. Mas fugir?
   Quanto mais conhecia Mia, menos aquilo lhe parecia possvel. Mas desistira de ficar pedindo que ela lhe contasse a verdade. Saber que no lhe contaria o magoava. 
Porm, imaginava que ela deveria ter um bom motivo para nada dizer. Quando estivesse pronta, compartilharia aquilo com ele.
   Enquanto isso, ambos estavam em uma sensual viagem de descobertas. Mia, desinibida na forma como reagia s carcias de Matt quando faziam amor, a princpio, era 
reservada ao explorar o corpo dele.
   - Diga-me o que lhe d prazer - ela sussurrou, e Matt lhe disse que ela era o que lhe dava prazer.
   E era verdade. Bastava v-la pentear os cabelos ou entrar na banheira para que ficasse excitado.
   - Me diga - insistiu a moa.
   - Toque em mim e voc vai descobrir - retrucou Matt, e ela o fez.
   Uma noite, no terrao, tendo apenas a lua como testemunha, Mia despiu-se para Matt. No deixou que a ajudasse, nem que a tocasse. Mia fez aquilo sozinha. Devagar, 
com toda a habilidade inata de Eva. No momento em que a ltima pea de roupa caiu ao cho, ele estava quase fora de si. Ento, Knight comeou a tirar a camisa. Mia 
o deteve e disse:
   - Meu trabalho.
   A jovem tirou-lhe a camisa, os jeans. Acariciou-o. Saboreou-o. Mia o conduzia, a cabea para trs, os olhos fechados, em xtase. E Matt deixou que pensasse que 
estava no comando at que, com um grunhido primitivo, fez com que a jovem ficasse embaixo dele. Knight prendeu-lhe os braos acima da cabea e a conduziu at que 
chorasse e implorasse por misericrdia.
   - Por favor, Matthew... - sussurrava a jovem.
   Knight soltou-a e a beijou. Em seguida, mergulhou fundo naquele corpo feminino enquanto a moa gritava o nome dele. O ex-agente desfaleceu sobre ela. Sabia que 
era grande demais, pesado, mas no conseguia nem queria se mexer. E Mia tambm no desejava que se mexesse. Finalmente, quando Matt se agitou, ela o segurou firme.
   -Fique - sussurrou a moa.
   Knight a beijou na boca, nos olhos, no pescoo. Depois, manteve-a junto ao peito. Mia suspirou, fechou os olhos e adormeceu.
   Os ltimos dias haviam mudado o americano. Anos atrs, uma mulher com quem se envolvera ficara irritada com o que chamava de "abandono". Segundo ela, Matt era 
um lobo solitrio.
   Era verdade. Exceto com relao aos irmos, o ex-agente sempre gostara de estar sozinho. No mais. Que inferno, agora, s ficava feliz quando estava com Mia. 
O que isso significava? Matthew pensava e recusava-se a procurar pela palavra.
   Outro dia longo e perfeito. Os dois foram de carro at um vilarejo nos Andes. Comeram tortillas e empanadas, um tipo de pastel de forno. Beberam cerveja gelada 
e dividiram uma casquinha de sorvete.
   Matt comprou uma boneca de palha para Mia. E a moa comprou um amuleto pendurado em um cordo de couro. O vendedor dissera que era um pedao de osso de uma das 
criaturas mais bravas do mundo: a guia.
   - Uma guia para um homem que usa uma - Mia disse enquanto colocava o cordo em Matt, que enrubesceu.
   - Realmente achava que eu no havia notado sua tatuagem?  linda como voc.
   Matthew ficou ainda mais corado e comentou:
   - Vai me pagar por tudo isso.
   - Assim espero.
   A expresso dele a fez rir. Mia segurou um dos braos dele quando voltaram a caminhar e perguntou:
   - Fez a tatuagem quando estava no Exrcito?
   - No... Quer dizer, quando eu era soldado? No. Antes disso. Coisa de menino. Tenho dois irmos.
   - Mais velhos? Mais novos?
   - Mais velhos. Nascemos todos com um ano de diferena de um para outro e sempre fomos muito prximos. E na noite antes de Cam, o mais velho, ir embora para a 
faculdade, agimos de forma um pouco estpida.
   - Quer dizer, vocs se deram conta de que iriam se separar, provavelmente pela primeira vez, e isso os deixou tristes. Acho isso bastante doce.
   - A verdade  que estvamos muito bbados. De repente, alguma lembrana, algo que pudssemos compartilhar, parecia certo. Ento, fomos de carro at esse pequeno 
lugar do qual Cam ouvira falar, passamos um tempinho discutindo se deveramos fazer tatuagens de uma guia ou de uma caveira e ossos cruzados, smbolo de morte...
   - Fico contente de que a guia tenha vencido.
   - Sim, eu tambm. De qualquer forma, isso era apenas coisa de garoto.
   - Uma coisa boa.
   - Voc acha?
   - Eu sei. Quando eu era criana, teria dado tudo por irmos ou irms. Alm disso... A guia  muito sexy.
   - Voc  que  sexy - Matthew disse e a beijou ali mesmo, na rua, para o mundo ver.
   Uma loja chamou a ateno de Mia. Matthew viu a forma como ela olhou para o vestido cor de damasco que estava na vitrine.
   - Vamos entrar e olhar mais de perto.
   Mia balanou a cabea. Tudo ali devia ser caro.
   - No,  adorvel, mas...  .
   Matthew pegou-lhe uma das mos e a puxou para que entrasse. Uma mulher sorrindo apressou-se a vir na direo do casal.
   - Bom-dia.
   - Bom-dia, senhora. Queremos comprar um vestido, o da vitrine.
   - No! - Mia sorriu para a dona da loja. Depois, virou-se para Matthew e disse:
   - No quero comprar o vestido.  muito caro - sussurrou a jovem.
   - Eu quero compr-lo - disse Matt.
   - No posso deixar que faa isso.
   - Ah! Discriminao! Sorvete pode, mas vestido no!
   - Matthew! Isso  besteira.
   - Ela discrimina, e agora me calunia. - O ex-agente virou-se para a dona da loja, que observava ambos e sorria.
   - O que um homem deve fazer com uma mulher como essa, senhora? A menos que...
   Matt olhou para Mia e disse:
   - A menos que no goste do vestido.
   - Claro que gosto.  lindo, mas...
   - Ou acha que no  seu tamanho. De fato, parece um pouco pequeno.
   - No  muito pequeno.
   - Tem certeza?
   - Honestamente, Matthew...
   - Honestamente, Mia, vou comprar o vestido. - Matt colocou as mos na cintura da jovem e a puxou para si. A senhora sorriu e ocupou-se em um balco repleto de 
lenos de pescoo, de seda, em cores brilhantes.
   - Quero v-la nele. Depois, quero tir-lo de voc. Todos esses botes minsculos...
   Os olhos de Mia ficaram sombrios, do jeito que sempre ficavam quando os dois faziam amor. Knight abaixou a cabea e a beijou. Ento, afastou-se e os dois se olharam.
   Minha, Matt pensou, com uma ferocidade repentina. Minha, para sempre. O ar ficou preso na garganta quando o ex-agente se deu conta de que o impossvel acontecera. 
Ele estava apaixonado.
   Mia trocou-se no provador. O vestido era belo. Nunca usara nada parecido. O decote era baixo, mostrando a curva dos seios. O olhar voltou-se para os pequenos 
botes que iam at a bainha e a jovem estremeceu de prazer, imaginando Matthew abrindo-os, um por um.
   Uma batida  porta. Surgiu uma mo masculina e acessrios delicados caram no ladrilho. Sandlias douradas de salto fino. Uma bolsa dourada. Um xale preto, de 
renda.
   O corao de Mia disparou. As emoes que tomavam conta dela pareciam frgeis demais para serem reais. Encostou a testa na porta e disse, sussurrando:
   - Matthew, no posso...
   - Vamos jantar em um restaurante que esta senhora me garante merecer toda essa elegncia. Como podemos desapont-la?
   De fato, como?
   A dona da loja tinha razo. O restaurante era perfeito. Pequeno e  luz de velas; um grupo de msicos tocava ao fundo. A mesa deles, no canto, oferecia uma vista 
compartilhada apenas por um condor andino, que pairava nos ares, a uns trezentos metros acima das montanhas. E, ainda assim, a nica viso que deleitava Matthew 
era a de Mia.
   Estivera certo com relao ao vestido cor de damasco. Parecia ter sido feito para Mia. A pele da moa, os olhos, os cabelos, tudo parecia combinar com o tom dourado.
   Matt pediu bifes, salada e uma garrafa do vinho chileno cabernet sauvignon para ambos. Mia disse que tudo estava maravilhoso e ele acreditou, mas no conseguia 
saborear nada. Ela o satisfazia por completo. Knight a amava.
   E o que faria em relao a isso? Ser que um homem deveria dizer a uma mulher que a amava quando esta carregava consigo um segredo e recusava-se a compartilh-lo 
com ele? Porque o que Mia lhe dissera sobre deixar Hamilton era mentira.
   No o deixara porque o coronel no aceitaria no como resposta. Havia mais do que isso. Por que Mia no contara a verdade a Matt? Saber que no confiava nele 
o bastante o angustiava... Mas quem era ele para julgar?
   Matt tinha os prprios segredos. Dissera a ela que fora soldado. Tudo bem. Era verdade, mas havia mais coisas. Fora um espio, um agente para uma agncia do governo, 
sem identidade. Ainda que acreditasse no prprio pas, certas vezes fez coisas...
   Como ela se sentiria se soubesse que Knight tinha um passado que ainda o assombrava? Se soubesse que fora incapaz de salvar Alita, ou mesmo incapaz de vingar 
a morte dela?
   Tantas perguntas. To poucas respostas. E, ainda assim, apenas uma importava. Quando dissesse a Mia que a amava, ser que ela lhe diria que o amava tambm?
   Matt pegou uma das mos da jovem. Primeiro, a verdade sobre si mesmo. Diria isso a ela agora.
   - Mia?
   - Sim?
   - Mia, querida, dana comigo? - perguntou Matt, empurrando a prpria cadeira para trs.
   Mia foi para os braos dele como se estivesse ali por toda a vida, como se fosse estar para sempre. E estaria, o ex-agente pensou, fechando os olhos ao pux-la 
para perto. Mia seria dele, sempre.
   - Feliz? - indagou Knight.
   Mia acenou com a cabea, concordando. Estava quase com medo de falar. Era bobagem, sabia, mas sentia as lgrimas brotando. Como era possvel que as mulheres chorassem 
quando estavam felizes? Como aquele vo aterrorizante para Cartagena poderia ter levado a tal contentamento?
   Eram perguntas sem respostas, mas e da? Tudo o que importava era aquele momento. Estar nos braos de Matt e saber que o amava. No importava no que havia acreditado 
sobre aquele homem, inicialmente. Agora, confiava nele.
   E era a hora de lhe contar a verdade - tudo, do incio ao fim. Mia lhe contaria que trabalhava para um lugar sem identidade, conhecido como Servio Secreto.
   Contaria que fora enviada para Cartagena como assistente pessoal de Hamilton, de forma que pudesse descobrir se ele mudara de lado e estava trabalhando para o 
Cartel Rosrio. Douglas cada vez se tornava mais suspeito. Sem admitir nada, o coronel a acusou de espion-lo. A jovem negou, e ele decidira destruir o que chamava 
"seguro".
   O coronel arrumou tudo para que desse a impresso de que ela tentara contrabandear cocana para os Estados Unidos. Ento, reprimiu a suposta tentativa.
   - Faa qualquer coisa estpida e vou entreg-la s autoridades locais. Imagine como ser passar alguns anos em uma priso colombiana - dissera o coronel, sorrindo.
   E deixou claro que parte do preo que a jovem pagaria para manter-se longe da priso era aquecer a cama dele. Foi quando Mia decidiu fugir.
   A moa encontrou uma lista dos contatos de Douglas no cartel e as quantias pagas ao coronel, tudo escondido no computador dele. A jovem gravou a lista em um minidisco 
compacto e fugiu.
   Se conseguisse chegar a Bogot, Mia dissera a si mesma, chegaria at a embaixada... No entanto, Matthew a interceptou. E, apesar de Douglas t-lo mandado encontr-la, 
a jovem acabara por confiar em seu seqestrador.
   - Matthew, tenho que falar com voc.
   Mia percebeu que Matt havia compreendido. Ela no queria falar sobre o tempo, ou o vinho, ou a comida. Queria falar sobre o que os unira... E sobre o que os separava. 
Knight acenou com a cabea, concordando, e disse:
   - Isso  bom, porque tambm h coisas que quero lhe dizer.
   Matthew a conduziu de volta  mesa. Mia colocou o xale nas costas e pegou a bolsa enquanto ele tirava um mao de notas da carteira e o deixava para o garom.
   Dirigiram de volta, em silncio. Quando chegaram em casa, Matthew ajudou Mia a descer da caminhonete e a beijou com carinho.
   A lua pairava acima da floresta, estendendo um caminho cor de marfim por entre as rvores, at a clareira, a piscina cor de safira, a cachoeira. At o lugar que 
pertencia apenas a ambos.
   A noite estava calma, silenciosa. At mesmo as criaturas que caavam nessas horas escuras estavam quietas. Quando o casal chegou  clareira, Matthew virou Mia 
na direo dele e disse:
   - Mia.
   De repente, a jovem pensou, no ainda. Ento, comentou:
   - Voc disse que queria me ver neste vestido. Agora  hora de me ver fora dele - sussurrou ela.
   Os olhos de Matt ficaram sombrios. Disse o nome dela, puxou-a e a beijou. Primeiro, com suavidade. Depois, cada vez com mais intensidade e desejo. Mia retribuiu 
o beijo da mesma forma, como se ambos tivessem medo do que pudesse vir em seguida.
   Lentamente, Matt desabotoou-lhe o vestido. Quando este caiu aos ps de Mia, ele sentiu o corao palpitar. Ela sorriu.
   - Era um segredo entre mim e a dona da loja - sussurrou.
   O suti e a calcinha eram de renda, da mesma cor do vestido. De encontro  pele dourada, sob a luz suave da lua, Mia poderia ser um presente dos antigos deuses 
para Knight.
   Beijou-a na boca, no pescoo, enquanto abria o fecho do suti. Ento, beijou-lhe os seios.
   Mia tirou-lhe a jaqueta cinza, desabotoou-lhe a camisa. Ele era bonito, musculoso, pele bronzeada. Ela beijou-lhe os lbios, os ombros, o peito. Depois, acariciou-lhe 
os braos e o abdmen. Foi quando Matthew pegou-lhe um dos pulsos e disse:
   - Mia, voc  tudo para mim. Quero que saiba disso. No importa o que vai acontecer depois.
   Ela ficou na ponta dos ps e o beijou. Ento, colocou uma das mos dentro das calas e o acariciou intimamente. Matt voltou a beij-la. E a hora de conversar 
virou passado. Ele mesmo tirou o resto das roupas de ambos.
   Seu nome estava nos lbios da jovem quando ele a deitou na grama suave e os dois corpos se tornaram um s.
   - Matthew - sussurrou Mia, o ventre pleno, assim como o corao.
   
   * * *
   - Voc estava certo com relao a esse lugar. Eu me sinto segura. E desejaria que nunca tivesse que sair daqui.
   - Essa clareira sempre vai pertencer a ns dois, querida. Onde quer que estejamos, o que quer que acontea, apenas feche os olhos e estar aqui de novo.
   Seria verdade? Repentinamente, Mia teve a sensao de que nunca voltaria a ver aquela clareira. A jovem estremeceu, apesar do calor da noite, e os braos de Matthew 
a apertaram ainda mais.
   - O que  querida?
   - Nada. S estou sentindo frio.
   - Vamos. Vou acender a lareira, tomaremos um pouco de conhaque...
   - E conversaremos.
   -Sim.
   - Porque tenho que lhe contar a verdade sobre mim e Douglas.
   - Assim que chegarmos em casa.
   Vestiram-se. Ento, Matthew colocou um dos braos nos ombros de Mia enquanto caminhavam de volta para casa.
   Porm, seu sorriso era forado. Mia tinha de lhe contar a verdade sobre ela e Hamilton, ela dissera. Por que aquilo soara to ameaador?
   
   
   CAPITULO DEZ
   
   Mia tropeou enquanto os dois subiam as escadas para o deck. Matthew a impediu de cair e perguntou:
   - Voc est bem?
   - Sim. Meu tornozelo prendeu, s isso. Acho que no estou acostumada a saltos to altos.
   Matthew sorriu e comentou:
   - Sim, no so maravilhosos?
   A moa riu enquanto o ex-agente a beijava. Mia pensou: E a ltima vez que voc vai estar aqui, rindo por uma bobagem com o homem a quem ama...
   - Deixe-me soltar as correias das sandlias...
   - Eu fao isso. V em frente e acenda o fogo.
   - Tem certeza?
   - Positivo. - Ela o tocou no rosto, sentindo a aspereza da barba de fim de dia, lembrando-se do quanto gostava de senti-la contra os seios.
   - Matthew...
   - Sim?
   Eu amo voc. De repente, Mia teve medo de dizer essas palavras.
   - O que , querida?
   - Nada. Apenas acenda o fogo e sirva um pouco de conhaque. Volto em um minuto.
   Knight a beijou. Depois, abriu as portas de correr e entrou. Ela sabia o que ele estava fazendo agora: desativando o sistema de segurana, tirando a jaqueta, 
caminhando at a lareira...
   - Ol, Mia.
   Uma mo tampou-lhe a boca, impedindo-a de gritar. Era Douglas. Ele estava ali.
   - Sem barulho - disse o coronel e a apertou com mais fora. Depois, voltou a dizer:
   - Nem uma palavra sequer, entendeu?
   Ela balanou a cabea, concordando. Douglas ergueu a mo. Lentamente, Mia se virou e o fitou.
   - Como voc est, queridinha? No precisa responder. Posso ver como tem passado. Parece uma vadia feliz.
   - Douglas...
   Mia arfava quando o coronel apertou-lhe o queixo.
   - O que foi que eu disse? Eu falo. Voc apenas balana a cabea. Agora, queridinha, aqui est o que ns vamos fazer.
   - Mia?
   - Responda - sibilou Douglas. Algo duro e metlico a apertava embaixo dos seios. - Finja que est tudo bem...
   - Um minuto, Matthew.
   - O fogo est aceso, querida. Estou servindo o conhaque.
   - J vou.
   - Querida, que encantador - ronronou Douglas e pressionou ainda mais o cano da arma contra a pele da moa.
   - Parece que o destemido sr. Knight far qualquer coisa por voc. A pergunta : voc far qualquer coisa por ele?
   - Douglas, por favor, eu imploro...
   - Voc vai voltar para Cartagena comigo.
   - No!
   - Voc vai dizer que a idia  sua. Que tivemos uma discusso de namorados, mas que acabou e que voc est emocionada por eu ter vindo a seu encontro. - O cano 
da arma moveu-se at um dos seios da moa. - Faa isso e com convico, ou vou mat-lo. Primeiro, vou atirar nele enquanto voc assiste. E no haver nada que possa 
fazer para ajud-lo. Entendeu?
   Mia conteve um soluo.
   - Isso  um sim?
   - Sim - sussurrou a jovem.
   - Excelente. E no caso de pensar que ele pode ter alguma chance contra mim... No estou sozinho. Dois dos homens de Rosrio esto l fora, no escuro. Se alguma 
coisa der errado, eles vo assumir o controle. Entendeu?
   A jovem compreendera e acreditara plenamente. Os homens do cartel eram assassinos frios, assim como Hamilton. O disco ainda escondido no estojo de maquiagem continha 
todas as provas disso.
   As luzes do deck se acenderam. Hamilton colocou um dos braos ao redor da jovem. Uma das mos estava no bolso da jaqueta, segurando a arma.
   As portas se abriram. Matthew foi at o deck e ficou paralisado, chocado. Hamilton? Ali? O ex-agente no podia acreditar. Ningum, exceto os irmos, sabia sobre 
aquele lugar.
   - Boa noite, sr. Knight. Bom v-lo novamente. E por que Mia estava to perto do homem de quem fugira? Por que um dos braos do coronel estava ao redor dela? Matthew 
deixou de olh-la e fitou Hamilton, perguntando:
   - O que est fazendo aqui? O coronel sorriu e respondeu:
   - No acho que acreditaria na histria de que, por acaso, eu estava por perto...
   - Saia da minha propriedade.
   - Sr. Knight, aqui estamos, companheiros americanos em terra estrangeira. Pensei que seria mais hospitaleiro, principalmente com o homem que o contratou.
   - No me contratou. No h nenhum dinheiro envolvido aqui.
   - Correto, sr. Knight. Entretanto, voc concordou em achar Mia... E aqui est ela.
   - Mia? - Matthew olhou paia a mulher a quem amava. Ela estava plida. Que choque levara ao encontrar Hamilton ali!
   - Mia, venha para mim, querida - disse Knight.
   - Ela est muito feliz onde est, sr. Knight. No ? Bem, ela no vai responder. Mia pediu que eu resolvesse isso.
   - Mia, afaste-se dele agora - ordenou Matthew.
   - No gosto de ouvi-lo dando ordens  minha noiva.
   - Ela no  sua noiva.
   - Foi isso que ela disse? - O coronel balanou a cabea e continuou:
   - Mia, por que faz esses joguinhos?
   - Douglas, por favor...
   - Hamilton, solte-a. Agora - ordenou Matthew. O coronel ergueu as sobrancelhas e murmurou:
   - Realmente, sr. Knight...
   - Agora - gritou Matthew.
   Hamilton deu de ombros. Uma cotovelada leve da pistola e o coronel se afastou de Mia, dizendo:
   - Certamente, se  isso que prefere. Mas receio que no vai mudar nada. Mia compreende a situao. No , queridinha?
   Mia acenou com a cabea, concordando. Ela compreendia. Uma das mos de Hamilton estava no bolso, agarrada  arma. Em algum lugar, mais alm do deck, dois homens 
que matavam tanto por prazer quanto por dinheiro tinham as armas apontadas para o homem a quem amava. O homem cuja vida Mia s podia salvar se despedaasse os coraes 
de ambos.
   - Mia, venha para mim. Eu a protegerei - disse Knight, fitando-a.
   - No h nada do que me proteger, Matthew. Sei que  difcil para voc acreditar, mas estou bem.
   Sabia que Matt estava dizendo a si mesmo que ela estava mentindo, talvez at imaginando a verdadeira razo para aquilo. Mia no podia deixar Knight fazer nada. 
Talvez ele tivesse alguma chance contra Douglas, mas os homens alm do deck atirariam nele em um instante.
   Mia respirou fundo, aproximou-se do coronel e forou-se a colocar um dos braos ao redor de um dos dele.
   - Mia. Que diabos est fazendo? - Matt indagou.
   - Eu... - A expresso de Knight a estava consumindo.
   - Tudo bem, queridinha. Eu resolvo isso. Como v, Knight, esperava que pudssemos nos encontrar a ss. Dois homens do mundo, debatendo um problema, sem a presena 
de Mia para complicar a situao.
   - Bom. Vamos fazer isso. Saia da minha propriedade e ligue para marcar uma hora - disse Matthew, sem desviar os olhos de Mia.
   - Fiz isso. Diversas vezes. Parece que no tem monitorado suas mensagens. Mas entendo. A srta. Palmieri pode ser uma diverso maravilhosa. Suponho que essa seja 
a razo para tanta hostilidade. No  o modo correto de um agente secreto do governo agir.
   Mia disse arfando:
   - O qu?
   - O coronel est mentindo. Eu trabalhava para eles, mas no fao mais isso. Que droga, Hamilton, o que est acontecendo aqui?
   - Knight est certo. No trabalha mais para eles. Agora trabalha por conta prpria, para quem pagar mais. Voc sabe. Checa situaes difceis. Encontra meios 
para conseguir os produtos de pessoas consideradas no-confiveis por aqueles que o contratam. Pessoas como voc, Mia.
   - Hamilton est mentindo, droga! Ele pediu que eu a encontrasse! No tenho nada a ver com o governo. Mia? Fale comigo!
   - Deixe-me explicar, queridinha. Como v, sr. Knight, Mia veio para Cartagena como minha assistente pessoal. Mas era muito mais do que isso. Ns nos apaixonamos 
em Washington, e queramos estar juntos.
   - Mia? - disse Matthew, e a jovem sabia que sempre se lembraria do desespero na voz dele enquanto vivesse.
   - Mas nossa garota resolveu dar um passeio pelo caminho selvagem. Trfico de drogas pelo correio da embaixada? Tudo verdade, lamento. Como minha assistente pessoal, 
Mia tinha acesso e cobertura. Porm, descobri o que fez. Senti pena e disse que no a entregaria se voltasse para os Estados Unidos imediatamente.
   Matthew, Mia pensou, oh, Matthew, meu amor...
   - Estou envergonhado de dizer, confiei na pessoa errada. Ela fugiu da minha casa com uma lista de todos os agentes secretos federais em Cartagena. Eu tinha que 
peg-la de volta, mas no podia dizer isso a ningum.
   - No sem que isso o implicasse no que fez para acobert-la.
   Hamilton balanou a cabea, concordando.
   - Exatamente
   Matthew virou-se para Mia e disse: 
   - Diga que Hamilton est mentindo.
   - Sim, queridinha. Diga a Knight o que ele quer ouvir... E que se danem as conseqncias.
   O aviso era claro. Hamilton tramara uma mentira monstruosa. Mia suspirou fundo e disse:
   - No posso lhe dizer isso, Matthew.
   - Voc tentou traficar drogas?
   - Sim - sussurrou a moa.
   - Voc roubou uma lista de agentes secretos? Estava pronta para entreg-los a pessoas que os matariam?
   Matt correu na direo dela, segurando-a pelos cotovelos. Com os olhos negros de raiva, o ex-agente a levantou, de modo que ela ficou na ponta dos ps, e perguntou:
   - E voc era essa mulher nojenta?
   Mia no respondeu, mas sabia que Matthew interpretaria o silncio dela como um sim.
   - E por que dormiu comigo? Que inferno, no me amole tentando inventar uma resposta. Eu sei qual . Dormindo comigo, eu no contataria Hamilton nem faria com 
que voc voltasse e fosse punida pelo que fez.
   -  triste, mas  verdade, lamento. Mia  muito boa em conseguir que os homens faam a vontade dela - disse o coronel.
   Matthew o ignorou e disse a Mia, como se estivessem sozinhos:
   - Uma ltima chance. No  tarde demais. Diga-me que no era uma mentira. Tudo que aconteceu na minha cama, tudo que compartilhamos... Diga que  Hamilton quem 
est mentindo. Diga isso, e eu acreditarei em voc.
   Mia queria abraar Matt, beij-lo e dizer-lhe que o amava, que o adorava, que o amaria at o fim dos tempos...
   - Diga, droga - gritou Knight.
   Ela no respondeu. Os olhos do ex-soldado pareciam vazios e frios. Matt a soltou e recuou. O homem por quem Mia se apaixonara havia desaparecido, substitudo 
pelo estranho perigoso que a raptara do hotel dias antes.
   - E agora? - A pergunta foi dirigida ao coronel, que suspirou e respondeu:
   - Vou lev-la de volta a Cartagena. Mia vai devolver o que roubou e vai se comportar de hoje em diante. Dessa vez, vou informar meus superiores, mesmo que isso 
signifique que eu seja julgado por acobert-la.
   Hamilton fez uma pausa e continuou:
   - Lamento. Eu devia ter imaginado que Mia iria...  o tipo de mulher que no consegue evitar... Bem. No importa. Mia? Presumo que voc tenha aquela lista de 
agentes, certo?
   Mia acenou com a cabea. Diante disso, o coronel segurou uma das mos da jovem e cumprimentou Matthew, dizendo:
   - Adeus, sr. Knight. Obrigado por sua ajuda.
   Matt olhou para a mo estendida de Hamilton. Ento, colocou as prprias mos dentro dos bolsos da cala e disse:
   - Saia da minha propriedade, coronel. Se eu voltar a v-lo,  um homem morto.
   Mia sentiu a fria de Hamilton na forma como ele segurava-lhe a mo, mas a voz dele no demonstrava nada.
   - Vamos, queridinha. Causamos problemas ao sr. Knight. Vamos deix-lo a ss.
   Os ps de Mia no se mexiam. Hamilton a arrastou escada abaixo.
   - Matthew - sussurrou Mia.
   O coronel a segurou ainda com mais fora, mas Mia virou-se e olhou o amor de sua vida pela ltima vez, dizendo:
   -  a mesma coisa que escolher a caveira  guia... O fim sempre justifica os meios.
   - Mais uma palavra e voc estar assinando a sentena de morte dele - sibilou Hamilton.
   No importava. A tentativa pattica de avisar Matthew que Hamilton a forara a ir com ele falhou. O ex-agente j tinha virado as costas e se afastado do deck. 
Mia o perdera para sempre.
   O coronel a arrastou at o local onde o motorista os esperava. Uma vez l, Hamilton amarrou as mos da moa e a empurrou para que se sentasse no banco traseiro 
do carro. Depois, sentou-se ao lado dela.
   O motorista ligou o motor e o carro ganhou velocidade na estrada. Mia esticou o pescoo, tentando ver l fora pelo retrovisor. Ento, disse:
   - Dispense os homens que esto com voc. Hamilton riu e comentou:
   - No foi uma excelente histria? Adorei que tenha acreditado. Mal posso esperar para t-la em casa novamente. Vamos nos divertir muito.
   Mia no pensou, agiu. Deu uma tapa no rosto do coronel. Hamilton grunhiu, mas nada importava agora. Nada importaria, sem Matthew.
   O som do motor do carro desapareceu e o silncio voltou  floresta. Matthew permanecia no deck, imvel, fitando a noite escura enquanto xingava a si mesmo, Hamilton, 
e o governo... E Mia. Como ele pudera ser to tolo?
   Knight sabia o quanto um homem podia julgar de forma errada a situao quando estava sob estresse, o quanto podia ser facilmente desviado da verdade. Havia infindveis 
truques em uma operao secreta. Mentiras, invenes, tacadas em falso. Agentes duplos, homens que olhariam para voc e jurariam dizer a verdade. Mulheres graduadas 
na arte da fraude, na armadilha.
   O ex-agente cerrou os punhos. Como pudera ser um alvo to fcil? Matt tinha ido atrs de Mia sabendo quem era. Porm, de uma forma ou de outra, aquela realidade 
fugiu-lhe da mente.
   Era inocente, ela dissera. E ele acreditara. Mia nem se esforara muito para convenc-lo. Alguns beijos apaixonados - algumas noites na cama dele, pensou Matt, 
friamente - e o ex-agente se convenceu por conta prpria.
   Se havia algum conforto em toda aquela histria, era que no tinha sido totalmente tolo. E se Matt tivesse dito que a amava? Imagine s se ele tivesse ficado 
ali no deck, tomado a jovem nos braos e dito, Mia, eu amo voc.
   No entanto, Knight no fizera isso. Recuperara o juzo a tempo, porque a verdade era que no a amava nem nunca a amaria. Pensar que a amava havia sido uma mentira 
que contara a si mesmo.
   Talvez tivesse a ver com a forma como os dois se conheceram. Matt como o caador e a jovem como a presa. Havia algo sexy naquilo, no? Ou talvez fosse o jeito 
como ela tremia nos braos dele, Como erguia o rosto quando ele a beijava...
   Que inferno, o que importava? Tudo havia acabado. E Knight no ficaria se lamentando. Entrou em casa, pegou os dois copos de conhaque e foi at o aparador. O 
que sentira por Mia fora luxria...
   - Que droga!
   O rosto dele se contorceu. Matt girou na direo da lareira e arremessou os copos no fogo. Ento, pegou a garrafa de conhaque e bebeu um longo gole.
   Pensou em tudo o que deveria ter dito antes de deix-la ir embora. Deveria ter dito que dormir com ela no havia significado nada, que dormira com muitas outras 
mulheres que haviam sido melhores na cama do que ela esperava ser. E que segur-la nos braos ao longo daquelas noites fora apenas parte do jogo.
   Knight bebeu outro gole. Tudo tinha sido um jogo. Tudo bem. Que inferno, depois de um tempo, talvez at se transformasse em uma boa histria: como o bem-sucedido 
ex-agente secreto passara algumas semanas fantsticas na Colmbia, transando com uma mulher que acabara manipulando-o.
   Mais um gole de conhaque. E outro, e mais outro, at a garrafa chegar  metade. Ento, apagou o fogo da lareira, pegou a jaqueta e certificou-se de que tinha 
as chaves, a carteira, o passaporte.
   - Hora de ir para casa - disse. Hora de voltar  vida em Dallas.
   
   
   CAPTULO ONZE
   
   Era surpreendente o que o dinheiro podia comprar.
   Matthew era rico. Crescera assim, mas aquele dinheiro era do pai. Nunca quisera nada.
   A agncia dos especialistas em Gerenciamento de Risco fizera com que enriquecesse por conta prpria. Porm, nunca havia parado para pensar nisso. Comprara um 
apartamento dplex e uma Ferrari. Matt vivia bem, viajava, comprava o que queria, dava presentes caros s mulheres com as quais se relacionava.
   Agora, pela primeira vez, sabia o que o dinheiro podia fazer. Era possvel deixar uma parte da prpria vida para trs. Knight deixou o vale e encaminhou-se para 
um pequeno aeroporto. Dirigia em alta velocidade e no se incomodava. A verdade era que no se importava com o que aconteceria. Foi assim que comeou a se sentir 
antes de deixar o Servio Secreto.
   Matt sobrevivera aos momentos sombrios no passado e sobreviveria quele agora tambm. Era quase meia-noite quando o ex-agente chegou ao aeroporto. No havia ningum 
l. Porm, havia um nmero de telefone no porto: em caso de emergncia, o aviso dizia em ingls e em espanhol.
   Knight decidiu que se tratava de uma, pegou o celular que estava no bolso e ligou. Alguns telefonemas, e conversava com um sujeito sonolento que tinha um Learjet 
60. Sim, poderia levar o senhor aos Estados Unidos. Mas no agora. Era impossvel. No podia sair de Cachalu  noite. A escurido, as montanhas... Era muito perigoso. 
De manh e pela tarifa justa...
   - Qual  a tarifa justa? - indagou Matthew.
   - Cinqenta mil dlares - respondeu o piloto.
   - Leve-me embora daqui agora e eu pago o dobro.
   Uma hora depois, ambos estavam no ar. E, cinco horas mais tarde, o ex-agente no estava em casa, mas em Houston.
   O pai abriu a porta. Avery estava com a barba por fazer e com os olhos embaados. Ainda eram seis horas da manh. Matthew ligara quando o avio pousou, acordara 
o velho homem e avisou que estaria l em meia hora.
   Um homem que envia voc para uma confuso ligada ao Servio Secreto, sem avis-lo primeiro, no merecia preocupao com boas maneiras em relao a ele.
   - Caf? Acabei de fazer - perguntou Avery. Matthew seguiu o pai at a cozinha. O caf estava forte e quente, e o filho colocou acar na prpria xcara. Alta 
dose de cafena, acar urgente... O rapaz precisava das duas coisas.
   - Como foi em Cartagena? - perguntou o pai, sentando-se diante dele  mesa.
   - Difcil.
   - Bem... Presumo que tenha se encontrado com Douglas Hamilton, certo?
   - Sim, eu me encontrei com o coronel. Me diga, pai, quando me pediu para que eu o ajudasse, sabia que tipo de homem ele era?
   - Que tipo de...
   - Hamilton  um canalha.
   - ? Nunca o conheci. O pai dele  que era meu amigo.
   - Hamilton queria que eu caasse a mulher dele.
   - Era isso que ele queria? Desculpe, filho. Se eu soubesse, nunca o teria incomodado.
   Matthew sentiu parte da raiva esmaecer. A perplexidade de Avery no podia ser falsa. E quando  que escutaria o velho cham-lo de "filho" ou pedir desculpas?
   - Sim, bem, eu a encontrei.
   - Ento, por que parece to aflito?
   Matthew fitou o pai. No  da sua conta, o rapaz ia comear a dizer... Porm, o que saiu foi algo diferente.
   - Eu me envolvi com ela. A histria toda acabou se tornando pessoal, e isso no devia ter acontecido.
   - Gostar de uma mulher pode complicar as coisas.
   - No gostei dela. Eu disse que me envolvi com ela, s isso. Eu apenas...
   Os olhos do filho se encontraram com os do pai. Depois, desviaram-se e Matthew acrescentou:
   - Fui um idiota. Droga, devia saber antes!
   - No  possvel saber quando se apaixona.
   - Pai, continuo a dizer que...
   - Foi o que aconteceu comigo quando conheci sua me.   
   Matthew ergueu as sobrancelhas. No conseguia se lembrar do pai falando sobre a me antes.
   - Eu a amava tanto que tinha medo de demonstrar. Sua me mudou minha vida e pensava, se ela parasse de me amar... Mas nunca aconteceu isso. O amor dela era a 
nica coisa constante em meu mundo. Quando sua me morreu, fiquei perdido. Mergulhei no trabalho e... negligenciei voc e seus irmos. Lamento isso at hoje, mas...
   - Sim. Voc fez isso. Mas estou contente que me tenha dito a razo. Quero dizer, posso entender o quanto t-la perdido deve ter deixado voc arrasado...
   O filho pigarreou e acrescentou:
   - No  a mesma coisa. Essa mulher no me amava. E eu no a amava.
   Avery acenou com a cabea, concordando, e disse:
   - Claro que no.
   Pai e filho beberam o caf em silncio. Ento, Matthew suspirou e levantou-se, dizendo:
   - Tenho que ir para o escritrio. Avery o acompanhou at a porta e disse:
   - Com sorte, filho, um dia, voc vai olhar para trs e achar algo de bom nessa histria. O tempo ensina.
   O pai sorriu e acrescentou:
   - Voc sabe. No chore pelo leite derramado, uma coisa de cada vez...
   O filho sorriu tambm e disse:
   - Sim. E o fim justifica os meios.
   Pai e filho se entreolharam. Ento, um pouco sem jeito, trocaram o que parecia ser um abrao. Matthew foi embora e entrou no txi que o esperava.
   - Para o aeroporto - Matt falou, mas continuou pensando no que acabara de dizer ao pai.
   O fim justifica os meios. Por que aquelas palavras martelavam na cabea dele?
   O vo para Dallas levou menos de uma hora. No meio da manh, Matthew estava  mesa do escritrio, vendo a correspondncia que se amontoara desde que viajara... 
Tentava no pensar em Mia, em Hamilton, no que o coronel estava fazendo com ela.
   Os irmos tambm estavam no escritrio. Cam disse que isso no era comum, e era verdade. Geralmente, ao menos um deles estava fora, a negcios.
   Ao meio-dia, Alex perguntou pelo interfone:
   - Que tal almoarmos?
   - Boa idia - respondeu Cam.
   Matthew disse que no podia perder tempo naquele momento. Mais tarde, por volta da uma, Cam sugeriu o almoo. Alex concordou. Matthew disse que estava sem fome.
   s duas da tarde, Alex e Cam se encontraram na sala de conferncias. A voz de Matt no parecia boa, o irmo mais velho murmurou. Sim, e ele tambm no parece 
bem, acrescentou Alex. Algo estava acontecendo, mas o qu?
   Cinco minutos depois, os irmos entraram na sala de Matt.
   - Hora de almoar - disse Cam, com firmeza.
   - Nesse exato momento - acrescentou Alex, de modo igualmente firme.
   Matthew olhou para os irmos. Os dois estavam em p, um de cada lado da mesa, braos cruzados, dentes cerrados.
   Matt suspirou e disse:
   - Qual a questo aqui? Vamos almoar ou tenho que decidir pelos dois?
   - Est vendo? Eu disse que ele tinha um crebro funcional - disse Alex, sorrindo para Cam.
   - Vamos embora - sugeriu o irmo mais velho. Matthew pensou que talvez um pouco de exerccio pudesse melhorar o humor dele. Porm, os irmos pareciam preocupados. 
Matt voltara a suspirar e empurrou a cadeira para trs, perguntando:
   - Como sabiam que eu estava ficando com fome? Todos foram a um bar. a algumas quadras dali. Era um lugar onde era possvel comer um bom hambrguer e beber uma 
cerveja. Os irmos sentaram  mesa e fizeram os pedidos  garonete.
   Alex comentou sobre o tempo. Cam falou sobre o trnsito. Matthew no disse nada. Ento, o irmo mais velho pigarreou e indagou:
   - Ento, como foi l na Colmbia?
   - Tudo bem.
   Silncio. A garonete trouxe as cervejas. Cam ergueu uma sobrancelha para Alex, querendo dizer: Sua vez, camarada.
   Alex pigarreou tambm e perguntou:
   - Resolveu o que o velho queria?
   Matthew levou o copo at os lbios e respondeu:
   - Uh-huh.
   Mais silncio. Mais olhares entre Cam e Alex.
   - Acho que sou o nico que no recebeu um pedido de nosso estimado pai - comentou Alex.
   - D um tempo - disse Cam.
   - Sim. E, quando ele pedir, tome cuidado.
   Sete palavras inteiras e seguidas, pensou Cam. Quase um recorde para o dia.
   - Por qu?
   - Porque voc deve ser esperto e dizer: de jeito nenhum. Se precisar de algo, faa voc mesmo.
   - Olha, eu me dei bem. Quero dizer, se no tivesse dito "sim" ao que o velho pediu, no teria conhecido Salom.
   - Voc acabou indo parar na UTI - comentou Matt.
   - O que conta foi que encontrei a mulher que amo.
   - Sim, a armadilha do amor... - Matt ergueu as mos, pedindo desculpas, diante do repentino olhar de raiva do irmo mais velho, e disse:
   - Desculpe. Fico contente que isso tenha acontecido com voc. Adoro minha nova cunhada. Sabe disso. Mas no quer dizer que o a-m-o-r no seja besteira para noventa 
por cento das outras pessoas.
   Outro longo olhar entre Alex e Cam.
   - Estamos falando de uma mulher em particular? - perguntou Alex.
   - Quem disse que estvamos falando de uma mulher?
   - Bem, ningum disse, mas voc falou que o amor era...
   - Sei o que disse. E no, no estamos falando de nenhuma mulher em particular.
   - Bom, porque se estvamos...
   - Pareo o tipo de idiota que se apaixonaria por uma mulher e a deixaria que me fizesse de tolo?
   Sim, os dois irmos pensaram. Olhando agora para Matthew, ambos podiam ver uma mistura voltil de emoes em seus olhos: raiva, dor, desespero e algo mais...
   - No. Mas, por outro lado, se voc passou por uma situao que o chocou ou o ameaou na Colmbia... Bem, voc sabe, talvez queira falar sobre isso - disse Cam.
   - Posso ter agido como um idiota, mas isso no significa que estou pronto para uma terapia em grupo - comentou Matt.
   - Claro que no, mas...
   - Acham que sou algum que se encolheria em um sof e se esquivaria dos prprios problemas?
   - No. Ainda assim...
   - Ou talvez pensem que eu me interessaria por uma belezura que no conhecesse bem? Uma mulher que tentou traficar drogas? Que pertence a outro homem?  isso que 
acham? - Matthew bateu com um dos punhos na mesa.
   E,.antes que os irmos pudessem responder, Matt lhes contou toda a histria. Tudo, desde o encontro com Hamilton at a caada atrs de Mia, at descobrir que 
se apaixonara por ela e que fora enganado. No entanto, omitiu o fato de ter se apaixonado. Dissera que "se enrabichara".
   Alex suspirou, aliviado, e comentou:
   - Tudo bem. Tenho que lhe dizer, por um momento, voc nos deixou preocupados.
   - No h nada com que se preocupar. S no gosto de ser feito de palhao - resmungou Matt.
   - Sim, mas agora que nos contou a histria, voc vai ficar bem - disse Cam. Ento, olhou ao redor e pediu outra rodada de cerveja.
   - Tudo que tinha a fazer era trazer os detalhes  tona. Quero dizer, um cara se interessa por uma moa bonita que tem a moral de uma vadia...
   Antes que Cam terminasse de falar, Matthew agarrou o irmo mais velho pelo colarinho e perguntou:
   - O que ia dizer?
   - No faa nada que ns dois possamos lamentar - disse Cam, detendo os pulsos do irmo mais novo.
   - Voc fez um comentrio sobre Mia. Quero ter certeza de que ouvi direito.
   - Ei. Vamos l. Relaxem. Matt, voc disse algumas coisas que talvez tenhamos entendido errado. Cam, Matt est chateado. Todos podemos ver isso.
   - No estou chateado - disse Matthew por entre os dentes... Ento, olhou para os irmos, largou Cam e sentou-se, comentando:
   - Deus, o que est acontecendo?
   - Voc est apaixonado - comentou Cam. Matthew acenou com a cabea, concordando, e retrucou:
   - E no  a coisa mais triste que voc j ouviu?
   - Bem... Talvez as coisas no sejam to ruins quanto parecem. Talvez ela no seja... Talvez ela no fosse...
   - Mia era. Que inferno, nem tentara negar as coisas que Hamilton disse. O coronel a chamou de ladra, de traficantes. Disse ainda que ela roubara informaes secretas 
e que iria vend-las, que me fizera de idiota...
   - E ela no disse nada?
   - No mais do que meia dzia de palavras at ir embora com Hamilton. Ento, o que Mia disse no fazia sentido porque se referia a algo pessoal, algo sobre mim.
   - O qu?
   Matthew riu e explicou:
   - Mia se referiu a essa tatuagem idiota que todos ns temos, acreditam nisso? E ainda entendeu errado. Ela disse algo como escolher a caveira e no a guia, o 
fim justifica os meios e... - O rapaz empalideceu e sussurrou: - Meu Deus!
   - Matthew?
   - Ela sabia que era o contrrio. Conversamos sobre isso apenas algumas horas antes. Mia perguntou pela tatuagem e eu contei como discutimos se faramos uma caveira 
ou uma guia. E como a guia tinha vencido, e ela sabia disso!
   Cam e Alex se entreolharam, aturdidos.
   - E? - perguntou Alex.
   - E eu estava ocupado demais, com pena de mim mesmo, para compreender a mensagem - respondeu Matt.
   - Sim, bem, explique, porque no entendemos tambm.
   - Mia me ama - disse Matthew com convico, e acrescentou: - Ela no  a mulher que Hamilton disse que era... E meu Deus, eu deixei aquele patife lev-la embora!
   Matt se levantou, pegou algumas notas e deixou-as em cima da mesa. J estava no meio do caminho rumo  porta quando os irmos o alcanaram.
   - Do que est falando? - indagou Cam.
   - Vai nos contar o mistrio?
   - No foi Mia quem me enganou, e sim Hamilton. E eu ca nessa armadilha, deixando que o coronel a levasse - Matt disse isso, correu para o meio-fio e chamou um 
txi. - S Deus sabe o que o coronel vai fazer com Mia, ou j fez - comentou o rapaz.
   - Espere um minuto...
   Matthew entrou no txi. Era um veculo pequeno. Qualquer pessoa em s conscincia teria dito que trs homens do tamanho dos Knight no caberiam no banco traseiro, 
mas todos couberam.
   O Learjet que Matthew fretara para lev-lo de volta para casa permanecia no aeroporto. O piloto estava se aprontando para voltar  Colmbia.
   - Sem problemas - o colombiano disse quando Matthew entrou em disparada no terminal particular da aeronave, gritando que queria fretar o Lear novamente.
   Os irmos foram junto. Matthew pegou o celular e discou um nmero que nunca esquecera. A mesma voz impassvel do passado respondeu. O ex-agente disse o cdigo. 
Segundos depois, falava com o homem conhecido como diretor. Quando a conversa terminou, a expresso dele era cruel.
   - Patife! Eu deveria saber. Nada mudou. Preto  sempre branco e branco  sempre preto no mundo do Servio Secreto.
   - Mia no traficava drogas? - perguntou Alex.
   - Ela era secretria, trabalhava para o Departamento de Defesa. Uma secretria! Mas no se importaram. Ficaram sabendo que Hamilton podia estar sujo, reviraram 
os arquivos e descobriram que Mia havia trabalhado para o coronel. Ento, eles a chamaram e lhe disseram um monte de bobagens sobre a obrigao patritica de desmascar-lo. 
A, mandaram-na a Cartagena para trabalhar como assistente pessoal de Hamilton.
   - E ela conseguiu a prova que eles queriam.
   - Sim. E ele o vira-casaca, o traficante. Mia conseguiu os nomes dos contatos. Foi por isso que ela fugiu e o motivo de o coronel quer-la de volta.
   Cam esbravejou e comentou;
   - Vamos levar umas cinco ou seis horas at chegar a Cartagena.
   - Uma eternidade. Eu contei ao diretor o que estava acontecendo e ele disse ter o suficiente para atacar de surpresa a casa de Hamilton.
   - E?
   - Ele vai atacar... Mas no em menos de 24 horas. Disse que  o tempo de acionar o Servio Secreto, o Departamento Antidrogas e a polcia colombiana.
   - Isso demora muito.
   - Aposto que sim. No fao parte do Servio Secreto, nem do Departamento Antidrogas, tampouco sou policial. Vou dar alguns telefonemas, arrumar algum equipamento 
- disse Matt.
   Ningum perguntou a que tipo de equipamento Matthew se referia. Os irmos sabiam: armas, alicates de corte, material eltrico. Fosse o que fosse, ele iria coloc-los 
dentro da casa de Hamilton e tirar Mia de l.
   - Posso pegar Hamilton assim que pousarmos. Porm, quero que vocs voem de volta para casa. Ter os dois aqui comigo agora  maravilhoso, mas...
   - Mas no quer que participemos da coisa boa - disse Alex para Cam.
   - O que esperava? Matthew sempre foi egosta. Nunca compartilharia coisas divertidas conosco - comentou Cam.
   - Como o triciclo dele.
   - Ou o trenzinho.
   Alex e Cam olharam zangados para Matt. O irmo retribuiu o olhar. Ento, todos os olhares brilharam de forma suspeita.
   - Vocs so...
   - Os melhores - completou Cam.
   Os irmos sorriram. Os sorrisos esmaeceram e transformaram-se em olhares de homens experientes, severos. Matthew esboou um desenho da casa do coronel. Depois, 
ficou ocupado ao telefone. Cam e Alex arquitetaram um plano.
   
   
   CAPTULO DOZE
   
   Os irmos disseram que, se ele continuasse na mesma velocidade, Matthew acabaria indo a p para a Colmbia.
   O caula sabia que os irmos estavam tentando amenizar a tenso, mas a nica coisa que poderia acalm-lo seria trazer Mia de volta. Lembrou-se da expresso dela 
na ltima vez em que a viu. E s de pensar que se afastara da moa quando esta mais precisara, o consumia.
   Como havia acreditado em Hamilton? Devia ter imaginado a verdade, que Mia nunca teria feito as coisas das quais o coronel a acusava. Se ela estivesse morta...
   No pensaria nisso. Mia estava viva. Tinha de estar. Matt saberia se a moa no estivesse.
   Deixaram um envelope para Matt no balco de servios do aeroporto. Dentro, um recibo de estacionamento e as chaves para uma caminhonete. E, no porta-luvas, outro 
envelope com um pedao de papel, no qual um endereo fora escrito s pressas.
   Matthew dirigia, pois conhecia as ruas de Cartagena melhor do que os irmos. Momentos depois, parava do lado de fora de uma casa caindo aos pedaos, em uma das 
favelas mais perigosas da cidade. Um homem os deixou entrar, algum que o ex-agente conhecera anos atrs. No se cumprimentavam pelos nomes, apenas diziam "amigo".
   - No me disse muita coisa. Consegui o que foi possvel - explicou o homem em ingls.
   Sub-metralhadoras Uzis. Pistolas Walthers. Pistolas automticas Berettas. Pequenos aparelhos de comunicao. Um par de alicates de corte. Meia dzia de outras 
ferramentas, um pequeno frasco de comprimidos para dormir e meio quilo de carne cortada em pedaos. Jeans, suteres de gola alta, mscaras e tnis para os trs Knight. 
Tudo na cor preta.
   Aquilo serviria. Matthew e os irmos esvaziaram as carteiras. Porm, claro, o dinheiro no era suficiente. O homem pegou a pilha de notas, sorriu e guardou tudo, 
dizendo:
   - Seu crdito  bom, amigo.
   Era uma velha piada entre eles, baseada em anncios pendurados nas vitrines de lojas baratas em Cartagena, assim como em algumas lojas em Dallas. Mas o melhor 
que Matthew conseguia era um aceno com a cabea.
   - Obrigado, amigo.
   Finalmente, os trs estavam na estrada que os conduziria at a casa de Hamilton.
   O plano era simples. Estacionariam a uns oitocentos metros da casa e esperariam at a meia-noite. Atrairiam o cachorro e, pelo porto, jogariam pedaos de carne 
com as plulas para dormir. Escalariam o muro, cortariam o arame farpado... E, a, fariam o que tivessem de fazer.
   As cinco para meia-noite, os trs deixaram a caminhonete e se aproximaram da muralha da casa, arrastando-se pelo terreno enorme e vazio que ficava junto  propriedade. 
Quando chegaram aos muros, Cam assobiou. Imediatamente, ouviram rudo, de patas de animal.
   - Um cachorro. Grande. Um rottweiller, talvez, ou um pastor alemo - sussurrou Alex.
   Cam acenou com a cabea, concordando, e esperou at que o cachorro estivesse perto do muro. Ento, arremessou a isca. Os trs ouviram o barulho do co cheirando, 
depois, mastigando. Ento, escutaram o animal deitando, seguido pelo ronco inconfundvel.
   - Vamos entrar - sussurrou Matthew. Escalaram o muro. Cortaram o arame farpado.
   Caram na grama suave, do outro lado, sem fazer barulho. Sinais com as mos eram tudo do que precisavam para se comunicar. Haviam trabalhado muitas vezes juntos 
no passado. Cada um sabia muito bem o que o outro pensava.
   Havia cerca de meia dzia de veculos estacionados em frente  casa. Matthew esperava que todos estivessem dormindo quela hora, mas parecia que havia uma reunio 
ali. Isso dificultava as coisas, mas tambm significava que podiam pegar muitos peixes, isto , muita gente envolvida com o cartel.
   Matthew bloqueou a mente em relao a pensamentos sobre Mia. Se pensasse nela, sabia que seria incapaz de trabalhar.
   Os irmos se moveram a um sinal dele. Escalaram as paredes da casa. Entraram por uma janela no segundo andar. Checaram todos os quartos, encontrando-os vazios. 
Comearam a descer furtivamente pelas escadas de servio, rumo  cozinha.
   Com uma das mos, Alex tampou a boca da cozinheira. Depois, com fita adesiva. Com cordas, Cam amarrou-lhe as mos e os ps. E sussurrou que no iriam machuc-la 
se ela se comportasse.
   Os trs chegaram  copa. Ouviram  porta que dava para a sala de jantar, onde pessoas ceavam. Ouviram ao menos meia dzia de vozes, muitas risadas, piadas obscenas.
   Matthew reconheceu a voz de Hamilton... E outra. Sentiu a pele formigar. Era a voz do homem que fugira depois de matar Alita, a voz que ouvira em seus pesadelos 
durante todos aqueles anos. Matt respirou fundo e fez um sinal para os irmos. Armados, os Knight invadiram a sala de jantar.
   Seis homens sentados  mesa de jantar. Seis seguranas em p, encostados em uma parede. A surpresa foi total. Ento, um dos seguranas agarrou Matt pela cintura. 
Foram segundos que pareceram horas, como sempre ocorria em momentos como aquele.
   Quando tudo acabou, trs seguranas mortos e trs feridos. Dos homens  mesa, dois estavam deitados no cho, imveis. Os outros quatro permaneciam sentados, plidos.
   De fato, todos eram peixes grandes. Juan Maria-Rosario, o chefe do cartel. Coronel Douglas Hamilton, um dos maiores distribuidores norte-americanos de cocana. 
E o desconhecido que escapara de Matthew aps a morte de Alita. O homem olhou para Matt e empalideceu.
   - Voc? - perguntou ele. Matthew sorriu e respondeu:
   - Eu.
   O homem se afastou da mesa, dizendo:
   - Oua. No foi nada pessoal. Relaxe, tudo bem? Vamos conversar...
   Na ltima palavra, ele pulou da cadeira com uma automtica em uma das mos. Mas Matthew foi mais rpido. O americano disparou e o assassino de Alita caiu morto.
   Matt olhou para o corpo. Para voc, Alita, o ex-agente pensou, e sentiu um peso sair do corao.
   Enquanto Cam falava ao celular com o diretor e Alex amarrava os prisioneiros, Matthew encaminhou-se para o coronel. Agarrou-o pela camisa e o jogou ao cho.
   - Onde ela est?
   Hamilton estava plido de medo.
   - No me mate. Tudo isso  um eq...
   - Onde ela est?
   - No sei.
   Matt apertou o pescoo do coronel, dizendo:
   - Pela ltima vez, patife. Onde est Mia? Os irmos o afastaram.
   - Voc vai mat-lo, o mundo vai se livrar dele... Mas no encontrar Mia - alertou-o Cam.
   - Onde est Mia? - grunhiu Matt.
   - No sei - respondeu o coronel.
   - Mentiroso!
   -  verdade. Ela no est aqui. Procure pela casa. Aquilo era verdade. Os trs haviam procurado no andar superior da casa. Agora, Alex entrava na sala de jantar 
e balanava a cabea. Mia tambm no estava no trreo.
   - Ela est morta. Voc a levou para a selva e... - disse Matthew.
   - No fiz isso. Mia foi embora. No quis ficar comigo.
   - O qu?
   - Ela veio para casa comigo, mas mudou de...
   - Mentiroso! Ela no veio com voc. Voc a forou.
   - Sabe como ela . Mia joga. Ela...
   O coronel gritou quando Matt pressionou-lhe o pomo-de-ado.
   - Ela estava trabalhando para o Servio Secreto - disse Knight.
   - Sim, estava. Mas mudou de lado. Eu lhe disse isso - retrucou Hamilton.
   Matthew fitou o rosto vermelho do coronel... Como seria fcil mat-lo. S mais um pouco de presso...
   - Acha que eu mentiria para voc agora? Quando minha vida est em jogo? Ela me deixou. Juro,  verdade.
   - E a lista de agentes secretos que voc disse que ela roubou? Suponho que Mia tenha entregado a voc antes de partir.
   - Claro! Ela sabia que no tinha escolha se quisesse que eu no dissesse nada.
   Matthew o pressionou ainda mais. Hamilton balbuciou. Isso no podia ser verdade. No com relao a Mia... E ainda assim... Ela o deixara sem protestara
   Sim, ela invertera a idia das tatuagens, mas e da? No era como se tivesse interpretado de forma errada a teoria da evoluo.
   - Matt?
   Mas e o que ela dissera sobre o fim justificar os meios...
   - Matt!
   O rapaz olhou para os irmos, um de cada lado dele.
   -  Servio Secreto pode conseguir tirar muita coisa de Hamilton. Acabe com o coronel e o que ele sabe sobre o cartel morre junto - explicou Cam.
   Treinamento. Disciplina. O cdigo de honra pelo qual Matthew vivia foi mais forte. Ele soltou as mos que estavam presas  garganta de Hamilton e recuou.
   - Vou encontr-la - avisou Matt a todos.
   - Bom. Apenas espere o pessoal do Servio Secreto chegar para fazer a limpeza e iremos com voc.
   Matthew balanou a cabea negativamente e disse:
   - Vou sozinho.
   - Espere por ns. Nem mesmo sabe por onde comear a procurar.
   - Vou sozinho.  assim que tem que ser.
   Os Knight esperaram pelo pessoal do Servio Secreto, que faria a limpeza. Eles cuidariam de tudo, como sempre faziam.
   Uma hora mais tarde, Matthew saiu da casa do coronel com os irmos. Cam esfregou o rosto e bocejou, dizendo:
   - O que preciso  de um bife, um bule de caf... E um avio para me levar de volta para casa.
   Alex acenou com a cabea, concordando, e disse:
   - O mesmo para mim. Ambos olharam para Matthew.
   - O que preciso  de algumas respostas - disse o irmo caula.
   - Matt, s vezes, uma coisa no sai do jeito que se espera, entende? - comentou Cam.
   - Tenho que saber a verdade.
   - Quer dizer, se ela est morta...
   - No est. Eu saberia se estivesse - disse Mat.
   - Ento, o que Hamilton disse sobre Mia ir com ele de bom grado... - comentou Alex.
   - Sei o que o coronel disse.
   - Mas no acredita nisso.
   - No quero acreditar.
   - Sim, mas no  a mesma coisa - suspiro Cam.
   - No . Os irmos ficaram em silncio. Ento, Alex falo
   - Mia tem o nmero do seu telefone celular Quero dizer, se ela tem e no entrou em contato...
   - Ela no tem o nmero. Mas sabe meu nome que sou de Dallas.
   As concluses eram claras. Se Mia quisesse contat-lo, podia ter feito isso.
   - Nesse caso, venha para casa conosco. Desista. No d mais valor a essa histria.
   -  isso que fariam? - indagou Matthew.
   O silncio era a resposta da qual precisava. Ento abraando os irmos, Matt disse:
   - Vamos l. Vou comprar os bifes, coloc-los em um avio...
   - Escute o que ele est dizendo. Conversa fiada de um homem que gastou o ltimo dlar comprando brinquedos de um bandido chamado amigo - comentou Alex.
   - No  bandido. E tenho um carto de crdito.
   - Sim. Promessas...
   Os irmos riram e passaram as horas seguintes juntos. Todos evitavam qualquer discusso acerca de Mia Palmieri. No aeroporto, os sorrisos esmaeceram.
   - Tome cuidado - disse Alex.
   - Se as coisas complicarem, por favor, nos chame - pediu Cam.
   Matthew disse que faria isso e os irmos embarcaram no Learjet. Ento, entrou na caminhonete e comeou a dirigir pela mesma estrada que tomara antes e que o conduziria 
at Mia.
   Matt estava certo disso. Se Hamilton lhe dissera a verdade, se Mia tinha ido embora, ela desejaria ir para algum lugar seguro onde pudesse planejar os prximos 
passos sem ter de se preocupar com o cartel, ou com Hamilton, ou com as autoridades.
   Mia teria medo de tentar voltar para os Estados Unidos. Por tudo o que sabia, o coronel ou o governo a teriam impedido. Tinha de haver um paraso seguro, um lugar 
aonde Hamilton no pensaria que a jovem pudesse ir, um lugar cuja existncia as autoridades desconhecessem.
   Eu me sinto to segura aqui, Mia dissera sobre a casa dele em Cachalu. E estaria segura. Era esperta.
   Deveria imaginar que Hamilton pensaria que aquele lugar seria o ltimo onde poderia procur-la, presumindo que o coronel a procurasse. Por que ele pensa ria que 
ela retornaria ao local onde fora encontrada da primeira vez?
   Mia devia imaginar tambm que Matthew tinha voltado para os Estados Unidos. O ex-agente fizera servio, encontrando-a. De qualquer forma, era fcil checar isso. 
Bastavam alguns telefonemas para a casa dele, para o escritrio em Dallas.
   Matt sabia onde Mia estava - nas montanhas. Tinha esse pressentimento, o de um comanche, algum ainda ligado s antigas tradies.
   Mia estava na Terra do Cu. E, em breve, estaria tambm. Seguiria direto para l. Se os irmos estivessem ali com ele, ambos diriam que Matt estava exausto. Mas 
quem precisava dormir quando corria com a adrenalina a mil?
   Encontraria Mia e faria algumas perguntas. E se ela no tivesse as respostas... Agarrou o volante ainda com mais fora. No pensaria nisso agora.
   Estava completamente escuro quando o ex-agente saiu da estrada principal e tomou a trilha em direo  casa. Nenhuma luz nas janelas. A primeira dvida pairou 
na mente de Matthew. Talvez Mia no estivesse ali... No. Ela estava. Tinha de estar. Ele sabia disso.
   Apagou os faris. Dirigiu um pouco mais. Ento estacionou e saiu da caminhonete. O resto do percurso, cerca de oitocentos metros, faria a p. Estava vestido para 
isso, ainda com a roupa preta que usara no ataque  casa de Hamilton, em Cartagena.
   Algo voou e passou pelo rosto de Matt. Sentiu o toque das asas contra os prprios cabelos. Apenas as criaturas da noite estavam ali fora agora. Era a hora de 
os predadores famintos atacarem sorrateiramente suas presas.
   O corao de Knight batia acelerado. A respirao parecia superficial. Era assim que sempre se sentia em ataques noturnos, a excitao pulsando por todo o corpo, 
cada sentido em alerta.
   Matt subiu as escadas sem fazer barulho. Ento, colocou a chave na porta e a abriu. E, rapidamente, digitou o cdigo de segurana.
   Havia uma lanterna na mesa da biblioteca. Knight a acendeu, mantendo a intensidade fraca, mas no viu nenhum sinal de Mia. Espere. Havia um sinal. O perfume dela 
estava ali. O aroma que sempre o fazia lembrar-se de um campo de flores brancas. Mas ela no estava na casa. Ele checou todos os quartos.
   Ento, Matt entendeu. No era a casa o local onde Mia se sentia segura. Era a clareira da floresta, o lugar onde fizeram amor tantas vezes, onde ele compreendera 
que a amava, ou que pensara que a amava...
   Matt apagou a lanterna, foi at o deck, desceu as escadas e tomou a trilha por entre as rvores. Logo, veria Mia. E lhe perguntaria pela verdade. Ento, se fosse 
preciso, terminaria com aquela histria de uma vez por todas.
   
   
   CAPTULO TREZE
   
   No alto das montanhas da Colmbia
   A floresta era sombria.
   O nico som era o rudo da cachoeira. A lua havia nascido: um globo opulento, de marfim, que parecia suspenso sobre os galhos frondosos das rvores. A luz da 
lua iluminava a clareira e a piscina natural. Iluminava Mia, nua sob o vu lquido espumante da cachoeira.
   Ele permanecia perto da clareira, observando-a e procurando bem fundo dentro de si a disciplina por meio da qual regrara sua vida. Mas esse era o problema. No 
tinha disciplina quando o assunto era aquela mulher. Procurara por Mia e a encontrara. Depois, ele a perdera.
   Agora, a capturara. Mia era dele... no, no era. Ela deixara isso claro. O abandonara por causa de outro. Um homem que a quisera de volta mesmo depois de ter 
dito que a moa o trara.
   Ento, por que iria quer-la? Matthew questionara isso no incio. Era uma pergunta honesta. Entendia que a mulher era bonita - o homem lhe mostrara uma fotografia 
dela. Porm, o mundo estava repleto de mulheres belas. O que fazia com que essa fosse to especial?
   O homem ficara embaraado. Soltara uma risadinha e dissera que a queria de volta porque Mia era mais do que bonita. Era tudo que um homem poderia querer.
   Matthew sentiu o corpo agitar-se. No era verdade. Mia no era tudo que um homem poderia querer. Era mais. Sabia disso agora porque, por um momento, a moa lhe 
pertencera. Ela era a reencarnao de Eva, Jezebel, Lilith. Podia ser mais impetuosa do que os relmpagos de vero que riscavam o cu quente ou to suave e gentil 
como a chuva de primavera.
   Bastava observ-la para atiar a alma de um homem. O rosto era oval, os olhos, escuros e negros, acima de um nariz aristocrtico e uma boca feita para o pecado. 
Os cabelos eram longos e escuros como o caf, caindo pelas costas em cachos que imploravam pelo toque de Matthew.
   Mia era alta e esbelta, mas os seios eram bem arredondados e fartos. O rapaz ficou com a respirao alterada s de pensar em toc-los.
   E as pernas... as pernas dela eram prprias para se enrascarem na cintura de um homem. Matthew ainda podia se lembrar de senti-las quando acariciou-lhe as coxas 
e mergulhou fundo naquele calor.
   Matthew estremeceu. Deus, estava perdendo a cabea? Quem era Mia Palmieri? O que ela era? Era a mulher dele ou de Hamilton? Ser que tudo fora um jogo?
   Tudo que Matthew sabia agora era que aquela mulher era uma tentao. Entretanto, ele era um guerreiro.
   Mia girou na direo dele. Matthew manteve-se firme. Ela no podia v-lo. Ele permanecia vestido de preto, o tipo de roupa que usava em manobras noturnas nas 
Foras Especiais e, depois, no Servio Secreto. Sabia que, assim, se misturava s sombras da floresta.
   Ser que, de alguma forma, a moa sentiu a presena dele? E por isso inclinava a cabea para trs, erguendo o rosto para a cortina d' gua? Por que levantava 
as mos, levando-as aos seios como se estivesse oferecendo a si mesma aos deuses?
   Oferecendo-se a Matthew? Estava duro como uma rocha. To duro que machucava. Uma vez, prometera lev-la de volta ao homem que o mandara ali para encontr-la. 
Hoje  noite, a nica promessa era a si mesmo.
   Lentamente, Matthew caminhou em direo  rea iluminada pela luz da lua que cobria a pequena clareira. O rapaz esperou, os msculos tensos, desejando que a moa 
voltasse a olhar na direo dele. Por qu? Por que no apenas gritar e deixar que a jovem soubesse que ele estava ali?
   A resposta foi um sussurro frio na cabea do rapaz. Matthew queria ver o que a srta. Palmieri faria quando o avistasse. Ser que correria na direo dele? Ser 
que se jogaria naqueles braos msculos? Se fizesse isso... Deus, se Mia fizesse isso...
   Mas no fez. A reao dela foi como um soco no estmago. Mia abriu bem os olhos. Os lbios se entreabriram em uma pequena exclamao de surpresa. Lanou um dos 
braos sobre os seios e o outro sobre o delta feminino, em um antigo gesto de timidez.
   Matthew sabia muito bem que aquilo era um simples reflexo e nada mais, sabia que tinha todas as respostas necessrias... As respostas que no queria reconhecer.
   - No - Mia disse.
   Ele no podia ouvir aquela palavra, mas conseguia ver a boca da jovem formando-a. 
   - No - Mia voltou a dizer, e Matthew sentiu uma torrente de adrenalina percorrer-lhe o corpo.
   Ele esboou um sorriso tpico de predador. Ento, descalou os tnis, tirou a camisa, puxando-a pela cabea, abriu o zper das calas e livrou-se delas.      
Em seguida, Matthew permaneceu parado, deixando que Mia visse o tamanho de sua excitao. Ento, mergulhou na piscina da selva sombria e foi a seu encontro.
   Mia trilhara o caminho at a piscina com todos os sentidos em alerta. Havia animais que caavam por ali  noite. Mas estava sozinha. Sozinha para o resto da vida, 
pensava... E, ento, de repente, sentiu uma presena humana.
   Matthew, Mia pensou, o corao pulou, mesmo sabendo que isso seria impossvel. Knight tinha ido embora. E ela voltara  casa dele porque era o nico lugar , onde 
estaria segura. Douglas nunca pensaria em procur-la no mesmo local onde j a encontrara uma vez.
   Mia rezara para que Matthew ainda estivesse l, embora soubesse que no. A casa estava vazia. Ainda assim, havia indcios do ex-agente por ali. Na cozinha, uma 
xcara de caf na pia. No quarto, o cheiro dele no travesseiro.
   Dormira ali, na cama de Knight, segurando o travesseiro. Uma noite se passara. Um dia. Ento, nesse entardecer, Mia sentira algo. Uma fenda no tempo e no espao. 
O que quer que fosse, isso a arrastou at ali, at a piscina iluminada pela lua, o lugar onde ela e Matthew haviam feito amor.
   Agora, tinha a sensao de estar sendo observada. Ser que Douglas a havia encontrado? Ento, uma figura sada das sombras se materializou. Matthew.
   A alegria inundou seu corao. O homem que amava estava ali. Mas, quando viu o rosto dele, to frio, feroz, soube que ele ainda acreditava em todas as mentiras 
de Douglas.
   - No - disse Mia, e como se Matt a tivesse escutado, os lbios dele esboaram um sorriso frio. Era um sorriso que se aplicava ao que Douglas lhe dissera sobre 
o ex-agente.
   - Seu amante  um assassino. O sr. Knight tem sangue nas mos - comentara o coronel.
   Matt no era um assassino. Era gentil, adorvel e... Oh, Deus! Atnita, o via despir-se. O rosto esculpido. O corpo poderoso, excitado.
   Mia comeou a tremer. No havia nada sutil na mensagem. Matt queria que ela o visse naquele estado masculino primitivo, selvagem, antes de se vingar dela.
   Matthew mergulhou na piscina. Mia virou-se, subiu nas pedras e comeou a correr.
   Mia corria. Matthew saiu da gua. Bom. Queria que ela tivesse medo. Queria que a jovem soubesse como era ter medo da punio dele.
   Nada o deteria. Fora treinado para correr at que a presa casse. Agora, Matt estava atrs dela. Movia-se rpida e silenciosamente, evitando os galhos das rvores.
   E l estava Mia. Apressou o passo, diminuiu a distncia entre ambos, pegou-a nos braos e a virou. Ela estava ofegante; os cabelos, emaranhados. E Matt disse 
a si mesmo que a alegria que sentia era apenas a de um caador quando agarrava a presa.
   - Ol, Mia.
   - Matthew. O que quer que pense...
   - O que quer que eu pense  errado. No era isso que ia dizer?
   - Sim. Sei o que Douglas disse. Mas...
   - Mas Hamilton mentiu.
   - Sim. O coronel e eu nunca tivemos nenhum envolvimento. Como eu poderia ter dormido com um homem a quem desprezo?
   - Talvez da mesma forma que dormiu comigo. Como se tudo fizesse parte de um jogo que voc tivesse que ganhar.
   - Eu estava jogando com Douglas, no com voc.
   - Ento, por que no me contou a verdade? Tudo que tinha que dizer era: "Matthew, estou fugindo porque trabalho para o Servio Secreto. Fui enviada a Cartagena 
para espionar Douglas Hamilton.  por isso que o coronel me quer de volta. Sou uma espi."
   - Como poderia lhe contar isso? No o conhecia. No sabia nada sobre voc, exceto que estava trabalhando para Douglas.
   - Eu disse que no estava.
   - Mas estava. Douglas lhe pediu para que me encontrasse e me levasse de volta para ele, e era o que estava fazendo. Como poderia confiar em voc e contar a verdade 
sobre mim?
   - Posso aceitar isso. Mas depois as coisas mudaram entre ns. Um homem espera que uma mulher seja sincera depois de ele tran...
   Mia conseguiu soltar as mos e deu um tapa em Matt, dizendo:
   - Nem ouse falar dessa forma. Fizemos amor. Sabe disso.
   As lgrimas rolaram pelo rosto da jovem. Melhor deix-la chorar, Matthew pensou. Isso no mudaria nada.
   No entanto, tudo havia mudado. Os soluos dela eram sofridos. Knight j tinha visto mulheres chorarem, mas nunca assim. Se aquilo era uma encenao, Mia merecia 
o Prmio da Academia. A bela, corajosa, incrvel Mia.
   - No chore - disse Matt.
   - Odeio voc.
   - Assim como odeia Hamilton.
   - O que quer? A verdade ou as mentiras que o coronel lhe contou?
   - Estou ouvindo.
   - Fui secretria dele alguns anos atrs, quando Douglas servia em Washington. O Servio Secreto desconfiou que ele havia mudado de lado, mas precisava de provas. 
Como eu o conhecia, eles me pediram para ir para a Colmbia como...
   - Assistente pessoal do coronel. Conheo a histria. E a voc viu uma forma fcil de ganhar muito dinheiro. Traficar drogas...
   - No!
   - E podia quebrar a promessa que fizera ao Servio Secreto e ao pessoal do Departamento Antidrogas.
   - No! Realmente acha que eu poderia fazer isso? Matthew a fitou. Sentiu a quentura suave dela em seus braos. Algo dentro dele parecia se esfacelar. Era o muro 
que havia construdo ao redor do prprio corao, Knight pensava. Depois, abraou-a com mais fora e respondeu, sussurrando:
   - No, querida, sei que no.
   - Matthew...
   Mia ergueu o rosto e ele a beijou apaixonadamente, saboreando no apenas a doura da boca daquela mulher, mas a bondade inata daquela alma. 
   - Conte-me tudo, querida - murmurou Matt.
   E Mia lhe contou, como Hamilton a havia encontrado por acaso vasculhando os arquivos dele. E como o coronel armou para que parecesse que a moa havia tentado 
traficar drogas.
   - Douglas me ameaou. Ele disse que me deixaria trancada em uma priso colombiana antes mesmo que eu pensasse em contatar algum, a menos que eu voltasse e lhes 
dissesse que estavam errados em relao a ele. E disse que a nica forma de eu garantir que me comportaria seria dormindo com ele.
   Matthew ficou furioso. Hamilton, seu patife, eu devia t-lo matado.
   - Eu disse que sim, mas implorei que me desse algum tempo. Na manh seguinte, fui ao seu computador e encontrei uma listagem com todos os contatos no cartel e 
na embaixada...
   - Na embaixada tambm?
   - Sim, foi por isso que no enviei a listagem para Bogot. No sabia em quem confiar. Ento, copiei a listagem para um minidisco compacto e fui embora.
   - Sem um destino em mente?
   - Tudo que eu sabia  que tinha de ir embora com aquela listagem. Escondi o CD em meu estojo de maquiagem.
   - Isso  brilhante - comentou Matt.
   - S quero saber o que vo pensar no Servio Secreto quando o estojo de maquiagem chegar.
   - Voc o enviou para o Servio Secreto?
   - Sim. Ontem. Evalina veio aqui. Pensava que voc ainda estava aqui, mas... Bem, perguntei se ela sabia onde havia uma agncia FedEx.
   - E?
   - E ela me disse que havia uma na cidade vizinha, que o marido dela passava por l todos os dias quando ia para o trabalho. Ento, coloquei o estojo de maquiagem 
em um envelope que encontrei em sua escrivaninha. Espero que no se importe.
   - Claro que no.
   - O marido dela o enviou para mim. Evalina me trouxe o recibo esta manh.
   Matthew lhe deu um beijo longo e profundo.
   - Voc  uma mulher surpreendente, Mia Palmieri.
   Ele apertou o abrao da jovem e disse:
   - Vamos voltar para a casa. Vou acender a lareira. Voc poder me contar o resto da histria quando estiver aquecida novamente.
   - Estou bem - protestou Mia. Porm, ele sabia que no estava. Ela tremia; a pele estava fria e mida.
   Mia estava a um passo de entrar em choque trmico. E Matt sabia, sem sombra de dvida, que, se perdesse aquela mulher, sua vida no teria significado algum. Matthew 
a pegou no colo e a carregou at a casa. Enrolou-a em um cobertor, vestiu cala de moletom e acendeu o fogo na lareira. Ento, serviu um pouco de conhaque para ambos 
e puxou-a para perto dele.
   - Quase enlouqueci quando voc deixou que Hamilton a levasse embora.
   - No tive escolha.
   - O coronel a ameaou?
   - Sim.
   - O patife disse que a machucaria a menos que fosse com ele?
   - No. Douglas disse que mataria voc, que havia outros homens, escondidos, e que iriam mat-lo se eu no...
   Matthew xingou, puxou-a e a beijou novamente. Ela era a mulher mais corajosa que jamais conhecera. Mia teria sacrificado a prpria liberdade, a prpria vida, 
por ele. Isso era um presente inesperado.
   - Mas escapei.
   - Como? Mia riu.
   - Ah, voc foi surpreendentemente astuta - disse Matt.
   - Surpreendentemente desonesta, voc quer dizer. Estvamos no carro h uma meia hora. Eu estava desesperada. Sabe, havia um menino que morava na casa ao lado, 
quando eu tinha talvez 6 ou 7 anos...
   - No me diga. Ele  meu rival?
   - Ele era meu melhor amigo. Eu queria fazer tudo que ele fazia. Ento, ele me ensinou algumas coisas.
   - Que coisas? - Matthew comeou a sentir-se agitado, excitado. O desejo que sentia por Mia havia sido sufocado pela angstia da histria dela. Mas agora, com 
a jovem segura, ali em seus braos, o desejo que sempre sentira por ela voltava. E Mia sabia disso tambm.
   - Matthew. No quer ouvir como escapei? - perguntou. Porm, mexia-se no colo dele, excitando-o.
   - Sim, claro.
   - Bem, esse garoto que era meu vizinho...
   - Mia. Fique quieta.
   - Por qu? - perguntou Mia em tom de inocncia. Ento, riu e o beijou, dizendo: - Tudo bem. Serei boazinha, por algum tempo.
   - O que tem seu vizinho? O que ele lhe ensinou?
   - Coisas importantes: como pegar vaga-lumes, como fazer bombas d'gua.
   - Um cara como eu.
   - E me ensinou a arrotar.
   - Ele o qu?
   - Ele me ensinou a arrotar. Voc sabe, voc engole um pouco de ar e ento...
   - Sim, sei. - Matt beijou-lhe a ponta do nariz. Como vivera at ali sem aquela mulher ao lado dele? - Ento, o que isso tem a ver com o fato de voc ter fugido 
de Hamilton?
   - Bem, estvamos no carro de Douglas, na parte traseira. E eu estava desesperada. Ento, engoli ar. Muito ar. Depois, soltei um arroto enorme, nojento, e um som 
de algum que est com nuseas. A, eu disse: Oh, meu Deus, Douglas, tenho que vomitar!
   - Voc no fez isso.
   - Douglas no suporta nada sujo. Ele mandou o motorista sair da estrada. Estvamos passando por uma que corta essas cidadezinhas, sabe?
   - E?
   - Sa do carro. E fiz alguns barulhos horrendos. Douglas virou as costas e se afastou, e eu corri.
   - Correu? At a cidadezinha? Por todas as vielas no escuro?
   - No tinha escolha. Levei algumas horas. Mas, finalmente, cheguei aqui. Entretanto, voc j tinha ido embora. Rezei para que voltasse, mas...
   Matthew a silenciou com um beijo, e disse:
   - Mia? Lembra-se da ltima noite em que estivemos juntos? Eu disse que queria falar com voc.
   - E eu disse a mesma coisa. Eu ia lhe contar a verdade, que eu trabalhava para o Servio Secreto e que estava espionando Douglas. Porque a, ento, eu j confiava 
em voc.
   - Eu tambm. Era isso que eu queria lhe dizer naquela noite. Eu amo voc.
   - Eu o amo tambm - disse a moa e o beijou.
   - Quer se casar comigo, Mia Palmieri?
   - Sim, meu amor.
   Um beijo demorado. Mia estremeceu e deixou que o cobertor casse. Matt a tomou nos braos, carregou-a at o tapete em frente  lareira e deitou-se ali com ela.
   - Voc  linda. E corajosa. E minha, para sempre - disse Matt.
   - Sua, para sempre - suspirou e abriu o corao e os braos para o homem a quem adorava.
   
   FIM
   
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